Associativismo Migrante: Da Mobilização Política à Política da Consciência

Suzano Costa

O fenómeno associativo, o seu potencial político transformador e as dinâmicas de participação que lhe estão conexas assumem uma importância incontornável nas sociedades contemporâneas porquanto constituem uma instância privilegiada de socialização política, de educação para a cidadania, consciencialização cívica e aprendizagem ao longo da vida, num cenário de desinteresse generalizado pela actividade política e pelas formas convencionais de participação política. O associativismo e as dinâmicas de participação política heterodoxa que lhe subjaz representam, em contextos democráticos e para as comunidades migrantes, mecanismos de empoderamento, de incremento do seu capital social e de emancipação política, pois introduzem um valor acrescentado ao reforço da qualidade da democracia.

Contudo, uma incursão ao modelo associativo vigente evidencia, transversalmente, práticas institucionais incipientes, completamente desconjuntadas da realidade, enviesadas de poder reivindicativo e sem uma agenda ideológica politicamente dirigida, na medida em que as acções de tipo bottom up (de baixo para cima) submergem em contextos de fraca participação cívica por oposição às iniciativas top down (de cima para baixo), até então mediadas por uma pseudo elite dirigente cujas práticas têm sido pouco abonatórias do sentido comunitário que envolta a sua retórica discursiva.

A actual prática associativa conjugada com interesses individuais instalados e de promoção de um ignóbil carreirismo à custa de objectivos pretensamente globais e comunitários (“oportunismo carreirístico”, para utilizar a sugestiva expressão do Prof. José Adelino Maltez) desemboca, actualmente, numa intervenção meramente assistencialista, recreativa e folclórica, cuja consequência tem sido uma perda (consentida) de autonomia com a imposição de uma agenda pré-estabelecida pelas instituições financiadoras. Outrossim, o modelo associativo vigente tem promovido, tão-somente, a circulação da elite dirigente nos cargos de topo da hierarquia funcional das associações e não a sua substituição ou influxo de sangue novo, condição sine qua non para imprimir um ideário político mais pró-activo, anti-sistémico, de subversão da ordem das coisas e consentâneo com as demandas mais prementes da diáspora.

A ruptura necessária implica, indubitavelmente, a assumpção de um paradigma associativo militante e reivindicativo, dotado de uma agenda política dirigida e consciente do seu carácter transformador enquanto grupo de pressão.

A actuação das associações deverá conferir particular saliência às dinâmicas de participação política, ao reconhecimento do direito de voto nos diversos momentos eleitorais e à representação política alargada das comunidades migrantes nas instâncias governamentais com poder decisório. O alargamento da capacidade eleitoral activa e passiva, às eleições legislativas e presidenciais, revela-se uma prioridade incontornável por estas serem as consultas eleitorais que elegem as instâncias com poder deliberativo em questões atinentes à legalização, à lei da nacionalidade, ao acesso à educação, à segurança social e ao mercado de trabalho etc.

Revela-se, ainda, imperial que as comunidades migrantes assumam a sua componente política e interventiva, fazendo um trabalho de consciencialização cívica de incentivo ao recenseamento eleitoral e de exercício de um intenso lobbying político junto das autoridades governamentais. Por outro lado, é necessário combater lógicas de instrumentalização política das associações migrantes e seus líderes pelos partidos políticos através da sua introdução em lugares não elegíveis e apenas com o intuito de colorir as listas eleitorais, subalternizando, assim, o seu valor enquanto actor político.

No entanto, mais do que a necessidade de converter as associações em grupos de pressão e de exercício de um intenso lobbying político junto das autoridades governamentais, torna-se imperioso desencadear mecanismos que promovam uma participação política cidadã, pró-activa e dotada de um poder aglutinador e de transformação social, com o intuito de intensificar a integração dos imigrantes no sistema político das sociedades de origem e de acolhimento.

Em suma, a participação política e a integração sistémica dos imigrantes na vida política das sociedades de acolhimento afigura-se incontornável porquanto a sua não participação efectiva nas consultas eleitorais inviabiliza um dos pressupostos basilares dos regimes democráticos, i.e., a participação dos cidadãos no processo de formulação e avaliação das políticas públicas. A verdade é que a produção legislativa, a distribuição e alocação dos recursos bem como as opções estruturantes do sistema político português não têm privilegiado as comunidades migrantes, pondo em causa, à la limite, a qualidade da democracia e a sua sustentabilidade na longa duração.

Outra verdade, ainda mais inconveniente, é que as associações e as caquécticas lideranças actuais constituem, até que se prove o contrário, o parente pobre da diáspora cabo-verdiana (a décima primeira ilha) e da sua emancipação social/política como parte integrante do povo das ilhas.

Suzano Costa

*suzanocosta@yahoo.com.br

34 comentários

  • Caro Suzano,

    Gostei muito do post que vai no mesmo sentido das minhas opiniões sobre o assunto.

    Nessas comunidades, julgo, ainda prevalecem associações meramente culturais e/ou desportivas, faltando outras que tenham o carácter cívico.

    Julgo que a essas comunidades faltam líderes. Que sejam dinâmicos e que sobretudo tenham carisma e ideias. E que defendam os interesses dessas mesmas comunidades.

    Um abraço.

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caro Amilcar,

    Antes de mais obrigado pelo seu comentário, por ter gostado do artigo e pela nossa convergência de opinião sobre este tópico relevante.

    De facto, a excessiva folcrorização do movimento associativo e sua incapacidade em mobilizar dossiers cívica e politicamente relevantes para sua emancipação social, acaba, inevitavelmente, por descredibilizar a sua intervenção em qualquer plataforma de negociação com as instâncias das sociedades onde se inserem.

    Ainda persistem práticas associativas pouco abonatórias daquilo que concebemos como um movimento associativo pró-activo e que abrasse causas manifestamente anti-sistémicas e de subversão de ordem das coisas.

    Infelizmente os cabo-verdianos continuam a mobilizar-se pela componente lúdica e recreativa (sem dúvida importante), o que explica uma consciência cívica ainda incipiente e a incapacidade de nos mobilizarmos, como diria o outro, para além da “cachupada, do funaná, da kizomba, ‘toresma’ e cabeça di peixe”…

    Quanto às lideranças pró-activas, caro Amilcar, elas são simplesmente inexistentes: quando despontam tímidas iniciativas com algum potencial mobilizador, crítico, ancorado em ideias e propostas concretas estas submergem em contextos de fraca participação cívica; por outro lado, muitos são aqueles que utilizam falsos propósitos comunitários como alavanca e retaguarda para resolução de problemas pessoais quando, na verdade, estão-se nas tintas para a “comunidade”.

    Enfim, urge um combate de ideias politicamente dirigido…

    Um abraço

  • Corroboro com esta visao inteligente e “raio X” da condiçao insular do nosso povo. Como diz o ditado popular,” água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. A esperança é a última a morrer! Juntos fazemos a diferença.
    A equipa da tertúlia os meus parabéns pela ousadia da escrita.

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Prezado Manuel Garcia,

    Obrigado pela leitura do texto e por corroborares com o diagnóstico (“visão inteligente e raio x”) que aqui se faz da diáspora e da condição insular do povo das ilhas.

    Esperemos, de facto, que as acções e as práticas venham ao encontro do adágio popular e que a esperança seja de facto a última a morrer…A ver vamos…pese embora as minhas dúvidas persistam.

    Quanto à tertúlia que mantenha a mesma ousadia da escrita…pois o combate de ideias faz-se necessário entre nós (povo das ilhas).

    Um abraço

  • José Luis Neves diz:

    Meu caro Amigo, li com interesse o teu artigo. A tua análise sobre o papel que o fenómeno associativo pode ter no aprofundamento da democracia é muito oportuna e bastante clara. Não vejo outra forma de “as ilhas cabo-verdianas espalhadas pelo mundo” estarem bem integradas no País de acolhimento se os cabo-verdianos da diáspora não se organizare com vista a uma melhor defesa dos seus interesses. E a participação política é um dos eixos fundamentais dessa melhor integração dos cabo-verdianos na comunidade onde vivem. Embora não tendo dados concretos, parece-me que há uma grande proliferação de Associações de Imgrantes nos países de acolhimento. Os Estados Unidos é um exemplo. E a meu ver, em vez de 20 ou 30 associações podiam fundir-se em uma ou duas , no sentido de unirem esforços para uma actuação mais eficiente e eficaz. Um grande abraço.

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caro amigo José Luis,

    Obrigado pela leitura e pelas pistas complementares patentes no teu oportuno comentário sobre o papel do fenómeno associativo no aprofundamento e consolidação da democracia participativa em Cabo Verde e na diáspora.

    De facto, o associativismo introduz uma dimensão inovadora e qualtitativa que é a apelidada participação política heterodoxa ou não convencional. Como sabe as dinâmicas de participação política em Cabo Verde tem se cingido exclusivamente à mera participação eleitoral e ao exercício da cidadania através do sufrágio nos diversos momentos eleitorais (eleições autárquicas, legislativas, presidenciais)…Posto isto há um vazio cívico e participativo enorme o que interpela os partidos políticos e as organizações da sociedade civil para a criação de instâncias de participação política para além dos momentos eleitorais.

    Creio que a organização da diáspora cabo-verdiana em torno da defesa dos seus interesses mais prementes constitui uma instância de empoderamento sem precedentes, com implicações notórias na sua integração no sistema político das sociedades de acolhimento. Urge um debate sobre o alargamento da capacidade eleitoral passiva e activa da comunidade cabo-verdiana além das eleições autárquicas desde que seja assegurada o princípio da reciprocidade.

    A alarmento da capacidade eleitoral activa e passiva às eleições legislativas e presidenciais releva-se incontornável por serem essas as instâncias políticas que legislam e intervêm em questões estruturantes relacionados com as comunidades migrantes. O exercício do sufrágio nas eleições autárquicas é redutor daquilo que é potencial cívico e político, ainda não explorado, das comunidades migrantes.

    Parecendo que não, a participação cívica e política activa dos cabo-verdianos nas sociedades de acolhimento terá uma implicação directa na sociedade de origem, já que somos sobejamente conhecidos como nação global, diasporizada e arquipelágica.

    Por outro lado, defendo, ainda, que seja alargado o número de deputados eleitos pelos círculos eleitorais da diáspora (África, Américas, Europa e Resto do Mundo) caso contrário não colhe o epíteto de nação global e diasporizada…Já que há mais gente fora do que dentro torna-se necessário converter o potencial humano e a sua força eleitoral em termos de representatividade ao nível da casa parlamentar.

    Não me parece, embora partilhe da tua opinião, que as associações venham a fundir-se ou a congregar numa só. Existem lógicas díspares funcionamento, áreas distintas de intervenção e, sobretudo, estratégias individuais obscuras de alguns líderes associativos que impossibilita, de momento, essa conjunção de forças e uma acção colectivamente organizada.

    Um abraço e obrigado pela tua sempre pertinente observação.

  • Edmilson Varela Edmilson diz:

    Meu caro Suzano,

    Em primeiro lugar as milhas felicitações pelo excelente e pertinente artigo, visto que toca numa questão pouco debatida na seio da sociedade imigrante cabo-verdiana. Concordo em pleno com o teu ponto de vista. Contudo, o problema que se põe muitas vezes em relação ao papel que os imigrante tem no país de acolhimento, depende em parte dos próprios imigrantes, ou seja, como sabemos, é bom dize-lo sem nenhum receio, muitos (para não dizer a mioria) imigrantes não fazem a questão de integrarem-se numa determinada sociedade, também, o reverso da medalha é verdade, principalmente no caso português.

    A pergunta que deixo aqui é: será que os imigrantes cabo-verdianos, residentes em Portugal (e não só), preocupam com a sua integração (consequentemente a sua participação na vida social, política etc.)? Estão suficientemente esclarecidos sobre os seus direitos e deveres? …

    Muito obrigado,
    Os meus cumprimentos, Edmilson Varela.

    • Suzano Costa Suzano Costa diz:

      Caro Edmilson,

      Obrigado pela leitura, pelas felicitações e pertinência que o artigo relevou para si e por subscreveres parte do argumento exposto no artigo.

      Concordo contigo. De facto as vicissitudes da integração nas sociedades de acolhimento são de origem diversa e dependem dos dois lados da barricada: por um lado, a integração é dificuldata por uma recusa consciente e manifesta das comunidades migrantes em se incorporam no país de acolhimento, patente numa atitude de auto-exclusão, de guettização sistemática e de marginalização; por outro lado, esta atitude resulta de uma não resposta adequada das instituições das sociedades de acolhimento que se traduza na salvaguarda de condições potenciadoras da integração. A atitude reactiva e confrontacional das comunidades migrantes surge como resposta a lógicas de exlusão e discriminação em função da raça e da cor da pele, que constituem marcadores da diferença que não devem ser subalternizados. O racismo seja ele diliberado ou súbtil como se convenciona por estas bandas (de brandos costumes) é o principal motivo da exclusão, discriminação e das dificuldades na integração. Convém dizer, também, e em abono da verdade, que não há uma atitude recíproca de baixar as guardas e facilitar a integração.

      Quanto à tua pergunta diria, com toda a frontalidade (e com o perigo sempre iminente de ser apelidado de “atrevidote”) que os imigrantes cabo-verdianos ainda não estão manifestamente conscientes e esclarecidos quanto aos seus direitos e deveres, sejam eles políticos, sociais, económicos etc.

      A verdade é que exigimos que respeitem os nossos direitos mas não estamos conscientes dos nossos deveres, sendo imprescindível para uma integração plena o respeito pelo sistema de valores, normas e princípios que norteia a sociedade em que estamos inseridos (ou queremos nos inserir??).

      A participação e o envolvimento político ainda é uma miragem para os cabo-verdianos mas isto tem explicações históricas: a nossa capacidade de envolvimento em actividades cívicas e de consciencialização ainda é reduzida e os imigrantes cabo-verdianos, como é natural, estão mais preocupados com a resolução dos problemas quotidianos (trabalho, dinheiro, familia) porque os imperativos da sobrevivência assim o exigem…compreensível…

      Abraços e mto obrigado

  • Nelcido Barros diz:

    “….as opções estruturantes do sistema político português não têm privilegiado as comunidades migrantes….”(Suzano Costa)
    Caro amigo Suzano Costa. É sempre com prazer que leio os teus textos
    O teu texto é bastante amplo, pelo que possibilita vários pontos de abordagens.
    O associativismo, na sua génese, constitui uma realidade social, cujo exercício pleno permite e assegura aos cidadãos, formas diversas de participação cívica.
    Indubitavelmente, as associações promovem a integração social ao mesmo tempo que assume um papel importante na promoção dos hábitos culturais. Porém a actual conjuntura, impõe dificuldades as pessoas de participarem na vida associativa.
    E a verdade é que todo o processo de associativismo, assenta no querer e na vontade dos indivíduos de se oporem às correntes pré – instaladas. Condições essas que não podem ser compreendidas fora do seu contexto – a sociedade em que vivemos. Daí, a tua citação como título do meu comentário
    Associativismo requer aprendizagem e uma certa cultura de partilha. Que os cabo-verdianos têm capacidade para mobilizar (ainda que pela componente lúdica e recreativa) e serem pró-activos, não restam dúvidas. O que se quer é um feroz confronto de ideias, no sentido de se defender os reais interesses dos cabo-verdianos (de todos).
    Como já foi comentado algures, a esperança é a última a morrer. E como tudo na vida, há que vencer a resistência dos desafios, e seguir firme na caminhada.

    É o espírito do “povo das ilhas”. Está na base do SER cabo-verdeano

    Um abraço

    OBS: A toda equipa da tertúlia, os meus sinceros parabéns

    • Suzano Costa Suzano Costa diz:

      Prezado Nelcido Barros,

      Obrigado pela disponibilidade que dedica á leitura dos meus textos o que me apraz sobremaneira.
      De facto o tema é amplo e múltiplos são os posicionamentos e ângulos de visão susceptíveis de serem abordados, pese embora todos eles igualmente legítimos, desde que se ancorem em argumentos válidos e concretos.

      A pequena citação do meu texto como epígrafe do teu comentário parece resumir contundentemente o carácter subalterno das comunidades migrantes em Portugal. A importância das associações não deve ela ser descurada independemente do seu universo intervenção: umas mais culturais, outras recreativas, desportivas, comunitárias etc…todas elas contribuem para a inserção social diferenciada dos mesmos.
      Concordo contigo que as vicissitudes à participação são múltiplas e tal como disse ao Edmilson Varela, existem imperativos de sobrevivência (trabalho, familia, dinheiro) e problemas da vida quotiadina que impossibilitam uma participação mais plena e desejável.

      Contudo, é necessário fazer mais. Quando digo que “as opções estruturantes do sistema político português não têm previlegiado as comunidades migrantes” é porque, por um lado, persistem lógicas de subalternização da importância histórica dos imigrantes para a sociedade portuguesa e do seu contributo para a estabilidade macroecómica do país já que descontam para a segurança social, pagam impostos etc…, por outro lado, as opções não nos têm privilegiado por pura incapacidade de mobilizarmos e pela nossa passividade pois enquanto não haver uma organização conjunta, um discurso politicamente dirigido de crítica anti-sistémica os imigrantes continuarão a ser o parente pobre desta sociedade.

      É necessário uma liderança pró-activa, a consciência do poder de voto porque só votando podemos fazer a diferença e demonstrar que contamos. Assim, as opções estruturantes passarão a ter em conta a voz dos imigrantes porque só conta quem vota.
      Não é por acaso que nas listas para as eleições autárquicas em alguns círculos eleitorais se vislumbram alguns imigrantes…nem se for, como eu disse algures no texto, com o intuido de COLORIR as listas…

      O caminho faz-se caminhando…

      Obrigado

  • Underdôglas diz:

    Associaçoes, clubes e centros disto e daquilo, sem instrumentos de lobby e de intervençao no debate politico da sociedade do país acolhedor, nao sesrvem para nada… ou melhor servem apenas para alguns amigos se encontrarem para uns copos e jogar bicas e uril..

    Mas entao que isntrumentos sao esses? So uma ideia, porque nao me pagam, digo simplesmente que uma comunidade sem voz nao existe. Entao, fundamentalmente, ha que haver uma, duas e três Radios e TV, um grande jornal e uma empresa de divertimento para coordenar todas as festas e encontros de imagem e musica da comunidade.

    Enquanto nao tivermos esta base minima, nao existiremos. E’ que é so através desses instrumentos de base que teremos uma força de lobbying com força para sermos ouvidos pelos politicos em Portugal, França, Holanda e Estados, e também em CVerde.
    Ser ouvidos, quer dizer exigir, negociar quase em pé de igualdade, porque esses instrumentos ajudar-nos-ia a ter uma elite à altura, seja ela caquética, como diz o jovem ja atrevidote, seja ela jovem. O que interessa é ser competente, e que eu saiba é sempre mais facil encontrar um caquética competente e experiente do que um jovem a sair da Universidade que ainda mal sabe o que é a vida.

    Nada de exageros, mee caro!

    Underdôglas

    • Suzano Costa Suzano Costa diz:

      Caro colega, a.ka. Underdôglas,

      Em primeiro lugar, embora seja agnóstico permita-me uma confissão: o meu texto só foi publicado a cerca de 24 horas mas já estava à espera da sua sempre estimulante, crítica e “incendiária” intervenção porque este espaço só faz sentido num contexto de intersubjectividade comunicante e quando existem posições interessantes como a sua.

      Começo pelo fim: quando utilizo a expressão “caquécticas lideranças actuais” a minha intenção foi caracterizar metaforicamente o espectro e as práticas associativas vigentes e a crítica era transversal a todas as associações (inclusive as que tomei parte) independentemente do perfil etário dos seus constituintes. Empreguei metaforicamente o epíteto caquéctico era para ilustrar a passividade dominante, a ausência de projectos concretos, de um discurso politicamente dirigido e de ideias relevantes para o movimento associativo.

      O que conta, como disse e bem, é a competência e só esta combate o “caquectismo” em termos de ideias e projectos. Os bancos da Universidade me ensinaram que o conflito geracional constitui um dos principais problemas sociais contemporâneos e por viés disciplinar nunca incorreria em tal erro (de palmatória diga-se de passagem). A minha intenção não foi ser de forma alguma pretencioso, nunca o fui e nem serei. Infelizmente, entre nós, a força das convicções, a defesa de ideias e ideais (mais ou menos) arrojados e a crítica intersubjectiva, é confundida com “atrevimento”, mas confesso que tomei aquilo o “atrevidote” como uma mera “provocação” positiva (??) pois a pontes e os projectos se constrõem na complementaridade entre pessoas “experientes e competentes” e “jovens saídos da Universidade que ainda mal sabem o que é a vida” (sic).

      Pelo que li do teu comentário, nas entrelinhas, no texto e no pré-texto, corroboramos da mesma opinião porque de nada vale ter associações, clubes etc. se não exercem lobbying político e influência junto das autoridades onde se inserem. Tal como comentei com o Amilcar Tavares, temos que ir para além “chachupa, kizomba, toresma, cabeça peixe, bisca etc”.

      É verdade. Nada de exageros, mas convenhamos que falta entre nós um certo radicalismo no discurso, na escrita e, sobretudo, nas práticas…porque já basta de conformismo, daquele debate amorfo, apático, retrógada, passadista…etc.

      Um grande abraço

  • Mário Sanches diz:

    Caro Suzano

    Quero antes de mais dar os meus parabéns aos promotores desta iniciativa “Tertúlia Criola” um espaço de troca de opiniões que já se fazia sentir entre os Caboverdianos e que certamente contribuirá para ajudar a esclarecer algumas questões pertinentes, para o nosso Querido Cabo Verde, é na divergência de opiniões que se constrói o consenso.

    Quanto ao assunto propriamente dito, é preciso dizer que ela é oportuna, face à conjuntura actual que vivemos, mas acho que é importante situarmos o surgimento das diferentes Associações e enquadra-las num contexto temporal a que foram criadas.

    Se no passado os nossos Migrantes tinham necessidade de juntarem, simplesmente para conviverem com os amigos, para simplesmente colmatar a solidão, hoje é necessário muito mais que isso, é necessário um espírito de cidadania, cívica e participativa que lhe levará a interferir no processo de Governação do País de acolhimento, com propostas concretas e opiniões fundamentadas; Isto só é possível se tivermos lideres Associativos credíveis, com ideias claras, capazes de fundamentar os seus ideais, na defesa da sua comunidade.

    Parabéns pelo seu artigo!

    Um abraço

    Mário Sanches

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Prezado Mário Sanches,

    Primeiramente gostaria de te agradecer pelo comentário e por complementar alguns dos argumentos do texto.

    É verdade. Por uma questão de rigor é necessário contextualizar temporalmente a emergência do movimento associativo na diáspora, as motivações do seu surgimento e as áreas de intervenção a que se dedicaram para se ter uma visão suficientemente matizada e englobante do processo.

    Esta contextualização revelar-se-à determinante para compreender alguma das debilidades com que se depara o movimento associativo. Senão vejamos: de facto as primeiras associações tinham uma intervenção lúdica, recreativa e uma componente de organização comunitária , de convívio etc.

    A evolução natural das coisas pressupunha uma viragem qualitativa no âmbito da intervenção das associações, mas a verdade é que “paramos no tempo” e não houve uma continuidade necessária susceptível de se adaptar ao “espírito dos tempos”, i.e., como bem disseste “hoje é necessário muito mais que isso, é necessário um espírito de cidadania, cívica e participativa que lhe levará a interferir no processo de Governação do País de acolhimento, com propostas concretas e opiniões fundamentadas; Isto só é possível se tivermos lideres Associativos credíveis, com ideias claras, capazes de fundamentar os seus ideais, na defesa da sua comunidade”.

    Torna-se imperioso que as associações sejam mais pró-activas, críticas, dotadas de um ideário anti-sistémico, de uma agenda própria e politicamente dirigida.

    Obrigado pelo comentário e ainda bem que gostou do artigo

  • Luiz Silva diz:

    As minhas felicitaçoes por este excelente artigo. Prometo voltar trazendo o fruto da minha eperiencia na videa associativa, antes e depois da Independencia.

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caro Luiz Silva,

    Obrigado pela felicitações e por ter dedicado o seu tempo à leitura do artigo.

    Pela sua longa, interessante e conhecida experiência no movimento associativo migrante não tenho dúvidas que o seu contributo sobre o trajecto histórico das associações, suas origens e fundamentos desde a independância até à actualidade política, será uma oportunidade ímpar de aprendizagem para nós.

    Um bem haja e até breve…ficaremos a aguardar

  • Underdôglas diz:

    Suzano, eu introduzi ha muito tempo esse “radicalismo no debate” crioulo como tu dizes. Alias nao é por isso mesmo que que vês nisso palavras “incendiárias”?

    Revolucionei a maneira de debater, com esse tal radicalismo de discurso, que muitos inclusivé jovens teus colegas, como o Emanuel, vêem nisso ofensas e difamaçoes.

    Na verdade a malta nao está habituada a debater e basta uma critica mais azeda para verem nela beliscos na dignidade humana.

    Que dirao esses individuos de livros em França com o titulo (e conteudo claro!) de Mitterrand e os 40 ladroes! Sarkozi, o mentiroso, etc etc…
    Quando os cândidos se aventuram a irem ao tribunal, o maximo que os autores de lviros e artigos apanham de castigo é o tal um euro simbolico como condenaçao.

    Estou verdadeiramente escandalizado com essa incultura da malta de debate em free speech. Nao sabemos o que é a liberdade de expressao, e é por isso que quando criticado, Verissimo presidente da Bols de Valores apresenta queixa-crime por ofesna contra Liberal ao tribunal.

    Essa gente nao sabe de facto o que é a critica da imprensa americana, que chamava Bill Clinton mentiroso, aldrabao, trapaceiro e outros nomes de aves, na altura do caso da estagiaria…

    Enfim!.. mas afinal Suzano acabaste por fazer as pazes com os “caquéticos” como Luiz Silva? Como vês somos nós aqueles que ainda sao mais radicais e sabem mais. Estou à tua espera no debate sobre direito penal aqui ao lado.

    Underdôglas

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caro colega, a.k.a Underdôglas,

    Apraz-me saber que introduziste tal radicalismo e olhar crítico no debate porque entre nós ainda faz escola o pacifismo, a bajulação, a apropriação e subscrição acrítica do magistério dos outros.

    Infelizmente nós os cabo-verdianos temos uma relação temerária com a crítica intersubjectiva e ainda não nos consciencializamos que o espírito crítico dos outros constitui uma oportunidade ímpar para a aprendizagem, fortalecimento e reajustarmos parte dos nossos argumentos e convicções sobre temáticas várias.

    Costumo dizer que os cabo-verdianos não criticam mas sim “falam mal”. A crítica construtiva pressupõe simultaneamente a apresentação de soluções, alternativas e argumentos concretos passíveis de discussão. Uma “crítica” despojada de soluções e alternativas, para mim, não é uma crítica construtiva mas o mero “falar mal”, de que somos especialistas.

    Intervenções críticas, incendiárias e anti-sistémicas só estimulam o intelecto e desencadeiam o sujeito crítico, como diriam os estudiosos de Immanuel Kant, a propósito do confronto entre a emergência do sujeito crítico kantiano por oposição ao sujeito neurótico freudiano.

    A revolução que augura ser o responsável deverá ser acompanhado de práticas abonatórias e convergentes com o discurso. Como disse anteriormente mais de que produzir o radicalismo no discurso, na escrita , torna-se, sobretudo, imperioso converter tal extremismo em práticas concretas como forma de inverter um status quo, ainda, conformista, amorfo, apático, retrógada, passadista que impera entre nós.

    As críticas devem constituir um momento de aprendizagem sem precedentes, mas geralmente desencadeia entre nós, atitudes reactivas e confrontacionais…já que muitos são aqueles que fervem em pouca água…idiossincrasias e temperamentos…

    A tradição jacobina francesa e os princípios orientadores da Revolução de 1789, liberté, égalité et fraternité, estão sempre presentes no ideário de qualquer cidadão françês por isso são sociedades onde a crítica intersubjectiva impera e os líderes políticos estão sobre permanente escrutínio público…daí que os autores do livros que citou não apanham mais do que meras penalizações pecuniárias que a própria venda do título consegue cobrir…tal despesa.

    Não tem que ficar escandalizado com a incultura que impera por estas bastas, mas como um habitué nessas andanças devia estar precavido.

    Caro amigo Underdôglas, eu não fiz as pazes com ninguém porque em momento algum declarei guerra aberta a ninguém em específico. Como salientei o “caquectismo” é uma mera metáfora para ilustrar a ausência ideias, projectos e um programa politicamente dirigido para o movimento associativo e as manifestações, até agora, têm sido de subscrição dos meus argumentos…inclusive o Underdôglas, apesar do “atrevidote”…

    Quanto ao debate sobre o direito penal parece estar aceso mas confesso que não acrescentaria algum valor ao debate e não tenho o hábito de discutir de coisas de que não entendo rigorosamente nada…limito-me a apreender posições doutas…

    Abraços

  • Emilio Borges diz:

    Os meus parabéns. Muito bem estruturado e pensado. Reflecte o sentimento de muita gente. Vou aproveitar o artigo para publicá-lo no http://www.africanidade.com. ahahah. Foça estamos juntos.
    Ah parabéns extensivos a toda equipa da “Tertúlia criola”.
    Abraço

  • Underdôglas diz:

    Suzano, começando do fim para o principio, devo dizer-te que participar no Agora grego, no debate democratico, nao nos obriga forçosamente a ser especialistas. E’ alias o contario! NAO é porque nao percebes de direito penal, que nao possas emitir a tua opiniao, sem entrar em tecnicidades, mas exercendo precisamente o direito de cidadao, aquele que participa na Polis.

    Outro ponto onde nao estou de acordo contigo é quando chamas a revoluçao francesa e os ideais da liberdade, fraternidade e igualdade, para dar molde à critica quotidiana do francês aos seus dirigentes. E’ muito mais profundo, diria é uma questao cultural, do que a simples tonalidade do discurso ideologico veiculado pela revoluçao francesa.

    E’ uma postura politico-ideologica, diria mesmo é uma escolha que ja estás a fazer. Isto quer dizer que concordas com esses ideais, o que é o teu direito claro! Eu costumo opor em termos de postura politico-filosofica as revoluçoes francesa de um lado, que está na origem dos comunismos e totalitarismos e as reoluçoes americana e inglesa de outro, na origem do liberalismo!

    Mas esta questao leva-nos para outras paragens pelo que fico por aqui limitando-se ao eixo associativista do teu artigo.

    E para te criticar um aspecto; dizes que nao basta critica ha que avançar propostas. Nem sempre! A nossa postura de cidadao é de criticar e as soluçoes competem a aqueles que sao pagos para fazer o trablaho. Eu nao sou conselheiro de ninguem e nao me pagam. Ja a minha simples participaçao nos debates nos jornais, foras e blogues, custa-me muito e ninguém me paga.

    Mas bom, mesmo assim se reparaste, logo de entrada no meu comentario, eu critiquei a tua postura de jovem atrevidote,e avancei propsotas. Nunca alias li por outros do movimento associativa as minhas propostas.

    Pelo contrario, no teu artigo, é lugar comum. Desculpa la mas nao tem nem uma unica proposta origianl, daí eu ter-te chamado atrevidote, pois te limitavas a repetir o que outros do movimento associativa ja disseram.

    Bom, mas tenho que admitir e felicitar-te pela tua ultima analise e a abertura de espirito que demonstraste. Na verdade, tenho encontrado poucos jovens com essa tua analise sobre o debate e a critica aberta, azeda e sem compromissos. Mesmo na malta mais graúda! Alias eu costumo dizer que a nossa gente nao sabe debater; e quando digo a nossa gente, falo daqueles com responsabilidade politicas e sociais ao mais alto nivel. E so fita! Mas eles é que mandam na nossa terra desde 1974 quando chegaram e depois passaram a tocha em 1991 continuando a mama, a incompetência e a preguiça mental/

    Decididamente, a nossa terra é uma brincadeira! E porque ela tem um prolongamento para o estrangeiro, digo também que a nossa diaspora é uma pasmaceira.

    Underdôglas

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Estimado Emílio,

    Obrigado pela leitura do texto, por ter gostado e apraz-me ter articulado e estruturado ideias, pensamentos e argumentos que vão de encontro ao sentimento de muita gente. É para isso que aqui estamos…desencadear o debate e a reflexão…

    Obrigado por manifestar o interesse em publicar o artigo no jornal Africanidade e espero que oriente um debate que se quer crítico e participativo.

    Um grande abraço e obrigado pela força…

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caro a.k.a Underdôglas,

    As minhas reservas em participar em tal debate, que se revela aceso e confrontacional, não é decorrência da negação ou desconhecimento dos princípios basilares que orientam a intervenção no espaço público e na Polis. Ao Ágora grego subjaz uma tradição cultural exacerbada, de debate aberto e crítica intersubjectiva, e seria suicidário e intelectualmente pouco emancipador não reconhermos tais postulados.

    Simplesmente não participei ainda no tal debate por causa do meu posicionamento pessoal perante as coisas. Infelizmente, talvez por viés disciplinar e por uma questão de rigor analítico, limito a observar externamente o debate e retirar aprendizagens, porquanto os quadros teóricos de referência em debate não são os meus e não presidem a construção da minha visão do mundo. Acho que não acrescentaria valor mas já que o Underdôglas insiste na minha participação talvez vá tecer algumas considerações, mas sempre com a preocupação de fazer antecipadamente o trabalho de casa.

    Citei os princípios da Revolução Francesa de 1789, na sequência e como complemento às suas considerações sobre a abertura de espírito da sociedade gaulesa. Bem sei que se trata de uma postura cultural e esta não é um dado acidental, mas se estriba em momentos marcantes que determinam a formatação do ideário popular, a sua mundividência e o quadro de referência…e penso que a Revolução de 1789 é um, entre vários momentos datados na história, que contribuíram para a construção dessa “questão cultural” de que fala.

    Este posicionamento político-ideológico é uma postura pessoal e todos nós quando intervimos na Polis a nossa intenção é, pura e simplesmente, produzir um determinado tipo de discurso legitimador e moldar o quadro de referência de outrem…

    O Underdôglas aproveita espaços como estes, intervindo, criticando, para produzir aquilo que chamo de discurso legitimador…que também vai de encontro com aquilo que uma investigadora britânica apelida de “on sofa activism”, ou seja, activismo a partir do sofá…

    Não pretendo com o meu texto vender cubos de gelo a um esquimó…mas tão-somente desencadear o debate sobre temática considerada relevante.

    O espírito de abertura e de crítica deve imperar em todos os segmentos da sociedade e esta é e continuará a ser sempre a minha postura (como jovem, atrevidote, graúdo ou caquéctico…whatever). Ao menos nisso partilhamos da mesma opinião e obrigado pelas felicitações à minha última análise…

    Um abraço

  • Underdôglas diz:

    Desenrascas-te bem Suzano mas a tua dialéctica precisa de mais uma dose de viagra! Ja compreendeste mas ainda ha choques entre a compreensao e a interpretaçao. Ainda nao descobriste o equilibrio entre 0 subtilitas intelligendi e o subtilitas explicanti para entrares com os dois pés no subtilitas applicandi.

    Sim, falei do espirito francês, mas referenciei também o free speech americano e os ataques da imprensa americana contra Bill Clinton. Tu escolheste entre os dois o exemplo francês, o que é o teu direito, como tive também o cuidado de sublinhar. Mas ninguém de impedia, caso assim o teu espirito para la tendesse, de abraçar o first amendment americano.

    Ou nao?! Claro que me compreendes. Dei dois exemplos, mas acho que em matéria de liberdade de expressao o país que conseguiu ir mais longe no dominio, com uma imprensa extremamente livre e critica, é a América da declaraçao da Independência e nao a revoluçao francesa, o que alias o historiador e politologo francês Furet tao bem soube visionar!

    Mas cada um tem as suas quedas filosofico-ideologicas e ha que respeita-las.Mas ha também que as combater com unhas e dentes dentro desse espaço publico que é o Agora. Nem sempre conseguimos porque a nossa dialéctica precisa de combustivel. E quando temos o espirito de geometria nao temos o espirito da fineza. Mas o tempo virá!

    Tu és mais novo, Suzano! Podes ja ter a ferramenta teorica, mas caquético e estudioso desde os 5 anos, sou eu! Levo a vantagem de ser mais velho, de ter aquela experiência que so a idade nos dá! Por mais brilhante que um jovem seja, ele ainda nao teve tempo de ler todos os livros que o velho estudioso teve para ler.

    Mas concluo voltando atras aos tempos do teu precedente post pois ficou-me um aspecto por te responder. Nao me atino à tua frase que começas por “apraz-me saber que o (Underdôlgas) introduziu o radicalismo no discurso.”…

    So agora?! Mas ó Suzano, rapaz, onde tens andado como diria o meu mestre Nho Baltas?! Mas tu lês a Net Crioula? Nao lês Semana?!

    Bom entao deixo-te aqui esta pérola de discurso critico e radical que coloquei nesse semanario:

    “Mas quando é que esta ópera bufa vai acabar? Quando é que esta prostituiçao politica tem um termo nesta terra? Quem disse a esses actores de pacotilha para subirem ao palco?

    Felizmente que começam a acordar algumas vozes que estiveram adormecidas quando eu ja andava nisto! Apraz-me ler a nova critica feita pelo dr Pina nas paginas do Liberal. Foi esse mesmo senhor que eu dei tanta pancada aqui mesmo no Semana e que ficou escandalizado com a minha postura radical de criticar. Um ano depois ele vem escrever coisas que estou a escrever ha muito tempo, indo a ponto de clamar por um novo Nhô Djunga, quando ja ultrapassei o mestre de Mindelo nessa maneira de criticar os poderes publicos instalados.

    De qualquer maneira, mais tarde do que nunca, até porque vi que o doutor Pina trouxe com ele outras vozes como o coronel Adriano, todos a denunciarem esta prostituiçao de caizim que venho denunciando ha que tempos. Estou também a pensar no artigo de Virgilio sobre a democracia rasca em CVerde e os elogios de Hillary. Bem-vindo também, apesar de querer a minha morte pois quer que eu seja Al Binda, que gostaria de ver assassinado! Que grande classe tem esse advogado, arvorado em grande homem de liberdade mas que nao sabe conviver com a critica azeda. Espero, ver mais vozes a denunciar esta pouca vergonha assim como eu e Casimiro (nao disseram que era também o dr Casimiro?!!) temos vindo a fazer ha muitos anos!

    Desde os debates no forum do Expresso das ilhas, no Liberal, quando era liberal. Vozes concordantes e discordantes, todos, mesmo aqueles que como o Jorge Alberto, que afinal descobri nas paginas do blogue do famigerado advogado, é também um pseudonimo, ele que gostaria de me ver crucificado no pelourinho da cidade velha. Todos têm direito à palavra, cada um a defender o seu ponto vista, o seu actor ou seja la o que for. Bem haja ao dr Arsénio, um novo arauto da liberdade. Que venham mais partigos do género, mas aqui deste lado da Semana, donde ele fugiu com medo da minha critica dura e severa! Sim, ha muito que eu tomei o lugar do Nhô Djunga, que está a ser bem recordado!”

    Como vês Suzano levanto-me cedo! Ataco e fujo, como diria Homero! Sou um mistura de Homero e Sun Zi e mais outras estratégias.

    Underdôglas

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caro Underdôglas,

    Vou-me desenrascando já que sou movido pelo impulso orientador do libibo sciendi, e ainda bem que reconheces que já vou compreendendo a dialéctica das coisas e as doses de viagra que ministra só aumentarão a minha performance em direcção à subtilitas applicandi…

    O free speech americano e os valores que presidem a sua democracia também me interessam, e não é por acaso que o próprio françês Alexis de Tocqueville na sua “Da Democracia na América” salienta a sua admiração e reverência para com as virtudes da democracia americana, daí o próprio politólogo e historiador Furet ter destacado as virtualidades da Revolução americana…por oposição à francesa.

    Alías, a própria experiência histórica demonstra quase que uma tentativa de “americanização da cultura europeia” por via dos próprios intelectuais europeus que admiravam o espírito americano, o “american way of life”, os ideais do “self made man” etc…

    Mais contemporaneamente Hubert Védrine, diplomata e ex-ministro dos negócios estrangeiros francês, vaticinou que o poder dos EUA deriva, também, da sua capacidade em “inspirar sonhos e desejos noutrem graças ao poder das imagens globais veiculadas por filmes e televisões, e pelo facto de grande parte dos estudantes de outros países escolherem os EUA para terminarem os seus estudos” , formando, por conseguinte, a “maior sangria de cérebros mundiais…
    Tudo isso confirma os argumentos que avançaste a propósito a atracção ideológica, cultural e identitária que a cultura norte-americana exerce sobre o ideário de qualquer cidadão, e os franceses não são excepção.

    Como já tive a oportunidade de lhe dizer, e o meu espírito livre e de abertura assim o exige, as pontes de conhecimento se constrõem na complementaridade entre jovens e pessoas com mais experiência e não me incorreria no erro de fazer com que o conflito geracional constitua um obstáculo para o diálogo e a crítica intersubjectiva.

    A juventude e as (ainda parcas) ferramentas teóricas com as quais oriento a construção da minha visão do mundo só faz concluir que a margem de progressão é elevada. Contudo, o caminho faz-se caminhando e auguro que a idade me dê sabedoria, experiência e traquejo suficiente, algo que, alias, o Underdôglas transpira pelos poros.

    Infelizmente não vejo as coisas sob o prisma das vantagens e desvantagens da idade, sou mais partidário da complementaridade. Posso já ter as ferramentas teóricas e um pseudo brilhantismo, mas não posso estar mais de acordo consigo porque me falta ainda muita coisa para ler e todos os dias logo de manhã dou-me de caras com o tamanho da minha ignorância e com as coisas que já comprei mas ainda não tive a oportunidade de os ler…mas a pouca idade e o tempo dá me algumas esperanças…
    Como diria o Isaac Nweton, o que sabemos é uma gota e o que ignoramos é um oceano…

    Quando disse “apraz-me saber que introduziu o radicalismo no discurso” não foi por não acompanhar os debates nos fora online existentes na nossa praça já que os conheço bem e o comentário endereçado é prova disso…simplesmente só agora tive oportunidade de conferenciar contigo sobre o facto…

    Um abraço

  • Underdôglas diz:

    Totalmente de acordo com a tua espreitadela pelo classico de Tocqueville! A proposito espero que voltes a reler a tese dele sobre o direito de associaçao e a pujança do movimento associativo americano que ele tao bem compreendeu. Serve para o teu tema!

    Quando a Furet ele tem um outro colega dessas teses e que infelizmente como ele nos deixaram deste para o outro mundo e estou a referir ao filosofo Jean-françois Revel, mestre na analise comparativa das duas sociedades.

    Que dizer enfim de Védrine?! Um grande cinico da escola cinica e da realpolitik francesa. Nunca a gente sabe quando é que ele está a dizer verdade ou se está a pensar verdadeiramente o que diz e escreve. Quando ele afirma uma verdade do género que citas é para ele desancar nos americanos logo na frase seguinte.

    Nao, esse é profundamente francês, o francês tipico que odeia e tem ciumes da América que tirou duas vezes a França da merda em que os alemaes deixaram essa terra. Védrine odeia a América porque nao digere o facto de os americanos terem vindo humilhar a França libertando os franceses. Para ele é uma grande afronta, uma grande humilhaçao. Por isso sempre que vê os States em dificuldades ele da gritos de satisfaçao.

    Tens pois que ter cuidado ao que lês e ouves. Ha varios niveis de leitura e às vezes o que estamos a ler e pensamos compreender tem de facto outra leitura e outra compreensao, dixit Leo Strauss. Ou entao a escrita hermética e esotérica de Maquiavel; alias so os leitores de pacotilha se gabam de ter compreendido o florentino que pelo contario até ha bem pouco tempo dava dores de cabeça aos maiores especialistas universais que se debruçaram sobre a sua obra e que num coloquio internacional recente admitiam isso.

    Enfim, meu caro, é tempo de eu partir! Gostei de ter trocado duas palavrinhas com um jovem promissor, humilde e dedicado aos livros. Bem-vindo, mas cuidado que isto é um autêntico sofrimento sem fim e nao ganharemos nunca (sei la!) 500 contos, quer dizer 1000 contos portugueses, na nossa terra como esses arautos de bolsas de valores que aposto de certeza nao sabem o que é a axiologia!

    Mais uma vez, gostei imenso e sucessos nos teus estudos até onde a tua inteligência e dedicaçao te conduzirem!

    Um abraço deste velho caquético que gosta de debater e é um drogado de grandes livros!

    Underdôglas

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caro Underdôglas,

    Apraz-me a sua concordância a propósito da clássico de Alexis de Tocqueville e prometo reler as suas teses acerca do direito e liberdade de associação e a pujança do movimento associativo norte-americano.

    Grande Jean François Revel…Relativamente ao Hubert Védrine, aquando da leitura dos seus escritos denotei, nas entrelinhas, uma certa sagacidade para não dizer sarcasmo e cinismo, sobretudo se compararmos a leitura que faz do fenómeno político em momentos históricos distintos.

    O pensamento geopolítico e a cultura estratégica francesa tem muito disso e as variações no posicionamento face aos EUA é notório. Nesta sequência o próprio Joseph Nye, grande teórico do soft power e smart power americano, recorre a Védrine, citando-o, para veicular o discurso legimitador a propósito da capacidade de atracção cultural, identitária e ideológica americana no mundo.

    Caro Underdôglas, é uma pena que esteja de partida mas ansiámos pelo seu regresso. Até lá vou me dedicando aos livros. Também eu gostei imenso de ter trocado duas humildes palavrinhas contigo (“velho cacquético, que gosta de debater, ler e tem ainda muito para dar”) e vou tentar não deixar os créditos em mãos alheias.

    Obrigado pelos votos de êxitos académicos mas, como bem disseste, dependerá exclusivamente de muita dedicação…as vezes mais de dedicação do que inteligência…e abundam entre nós casos do género.

    Um grande abraço e que o regresso seja para breve…

  • Martin diz:

    Meu caro Suzano,

    Brilhante reflexao , Os meus parabens!!!!

    Precisamente numa altura em que estou preparando um artigo cujo titulo será: “Um novo paradigma para o movimento associativo cabo-verdiano em Portugal” eis que numa perquisa na net encontro o teu artigo que frisa precisamente os assuntos que tenciono abordar.
    Assim, entendi antes de começar o meu texto entrar em contacto contigo para ouvir algumas sugetoes tuas.
    Escusado será dizer-te que comungo em absoluto com as tuas ideias embora ache que ainda existem mais questoes que temos que abordar sem nenhum tipo de preconceito.
    Aguardo o teu contacto.
    967879232.

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caríssimo Martin,

    Antes de mais cordiais saudações e obrigado pela leitura do meu texto e por subscreveres o argumento exposto.

    Muito me apraz partilhar consigo ideias para a elaboração do seu texto e eventuais sugestões, porquanto comungamos da mesma opinião sobre o espectro do movimento associativo migrante em Portugal, pese embora ainda existam mais tópicos susceptíveis de serem abordados e aprofundados que ultrapassariam um artigo de opinião ou um texto de reduzidas laudas.

    Aproveito, também, para lhe deixar o meu contacto (96 913 1 599, suzanocosta@yahoo.com.br), por isso não hesite em me contactar para o efeito.

    Um abraço, Suzano

  • Karin diz:

    Caro Suzano,

    Depois da minha leitura ao seu artigo e da vista de olhos na diagonal aos comentarios,tenho a frizar de forma sucinta dois pontos que poderao ser considerados perguntas para reflexao:
    - primeiro acredito que o pais de acolhimento e as suas estruturas instucionais influencia de forma positiva ou negativa a forma de intervencao dos migrantes nos proprios;
    - segundo acredito q pais que uma tradicao migratoria mais antiga como os Estados do Unidos de America(mesmo com todos os pontos fracos e fortes,pq nao ‘e preto ou branco,temos que pensar nas matizes de cinza) ou a Franca,etc, os migrantes tem tempo para criar lobbies economicos e consequentemente de acesso aos niveis intermedios,medios e superiores de poder, e isso reflecte no mundo associativo e a sua forca;
    - terceiro acredito que enquanto Portugal como pais de acolhimento nao alterar leis importantes como a Lei da Reciprocidade,todas os migrantes que vivem aqui nao vao poder ter um direito que seria de esperar o de “votar e ser votado”;

    a esses tres pontos ou questoes ou desabafos podemos acrescenta-los aos pontos que tao bem anunciaste no teu artigo; assim sendo acho que a ausencia de projecto politico no associativismo caboverdiano acredito que ‘e necessario analisar n factores sociais que estao em parte por detras dessa mesma ausencia: a lenta mobilizacao social entre outros factores sociais-economicos.

    acho que a analise devera ser feito de forma multidisciplinar e de preferencia com um distanciamento do objecto de estudo.

    assim encerro o meu modesto comentario.

    atenciosamente

    saudacoes cordiais,

    Karin

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Cara Karin,

    Obrigado pela leitura do texto, pelo comentário e o valor acrescentado que o encerra para o debate, porquanto nos interpela sobre os circunstancialismos e condicionamentos do movimento associativo nas diferentes paragens.

    1. De facto, o contexto de recepção e os seus dispositivos institucionais condicionam, em diferentes sentidos, a intervenção e integração dos migrantes. A salvaguarda das demais gerações de direitos cívicos, políticos e sociais de que fala T. H. Marshall, aparece, por exemplo, no contexto português, de forma invertida e com distanciamento temporal alargado, e isso explica, em parte, a percepção peculiar que a comunidade migrante em Portugal tem da noção de cidadania e participação nos assuntos públicos, por oposição a outros contextos de recepção, pese embora, acredito, que as diferenças não sejam assim tão acentuadas, se ponderarmos outras matizes históricas como a fraca participação e envolvimento cívico que os cabo-verdianos denotam (mesmo em Cabo Verde).

    2. É natural que em países com uma tradição migratória mais antiga o movimento associativo esteja mais consolidado, mas mais do que isso, a sua robustez depende única e exclusivamente do envolvimento cívico dos indivíduos. Ademais, podemos verificar tímicas iniciativas de lobbies mas a verdade é que não estão devidamente institucionalizadas… e as acções não tem sido muito consequentes com a retórica discursiva de alguns líderes associativos. Outrossim, trata-se de uma dimensão da política externa cabo-verdiana ainda não muito explorada …

    3. A questão do princípio de reciprocidade é fundamental em qualquer plataforma de negociação política e é líquido que assim seja porquanto releva-se imperioso garantir os mesmos direitos, liberdades e garantias aos portugueses que se encontram nos contextos abrangidos pelos respectivos acordos. Confesso que neste tópico sou bastante institucionalista, por viés disciplinar, porque trata-se de um princípio fundamental da cooperação política bilateral…

    Em suma, vários são os factores explicativos da fraca participação cívica e envolvimento político…mas, mais adiante e em outros textos, coligiremos um conjunto de argumentos explicativos da apatia cívica que paira entre nós…Concordo. A multidisciplinaridade, a equidistância e a imparcialidade são valores fundamentais que deverão presidir qualquer análise, seja ela do movimento associativo, ou de outra temática qualquer…

    Obrigado pelo seu comentário e válido contributo para este fórum

    Um abraço,

    Suzano

  • Ulisses Vieira diz:

    Caro Suzano
    Primeiramente, felicito-lhe pela sua visão acutilante e doseado duma retórica reformista do status quo do momento, continue assim porque mui longa é a tua caminhada.No entanto eu vou mais longe, em relação á sua prespectiva idelógico-filosófica dos factos presentes.
    Destarte face ás infímas injustiças e incompreenções políticas em matéria da imigração nas suas multíplas variantes, como sendo o acesso indeferencidado á Educação, á Justiça, á Saúde e ao Trabalho e somando a hipocrisia sentimental colectiva desse povo, vai aquí solta algumas notas os quais deverão estar na mente de todos imigrantes e cuja aplicabilidade prática depende do Bom Senso de cada um.
    Sendo assim:
    *O que me preocupa não é o grito da injustiça, e o fervor do apelo ao nacionalismo exarcerbado relegando para o segundo plano as sub-culturas que também fazem parte desse todo organizacional que se chama Portugal, o que me preocupa é o silencio das vozes dos “gigantes adormecidos” imigrantes que assistem a toda essa injustiça, amovíveis na inconsciência do medo, e da repressão dos actores do sistema.
    * Infelizmente esta geração tem um vácuo de mentes inquietantes, prontos para a peleja da batalha para mudança da mentalidade coletiva do Governo e do Povo Português para com os Imigrantes. Não se pode mudar o coração ou a mente das pessoas, mas pode-se imprimir nelas um sentido de mudança para melhor porque tudo é possivel ao que crê.
    * É necessário sim, homens eticamente irreprenssiveis, moralmente capacitados e militarmente equipados com o capacete da compreenção do bem e da prática do mesmo , cingido os lombos com a verdade, moldados com o colete a prova de bala contra o racismo e o ódio da infancia do sentimento para com o próximo, independente da cor, raça, credo religioso ou estrato social, calçados com os pés com o calçado do Bom Senso, da Ética, da Moral e da Justiça.Em fim, Portugal somente mudará as políticas que prefiguram atingir um fim benéfico ás comunidades imigrantes, mas que não passam dum meio para encapotar a triste realidade vivenciada pelos imigrantes aquí em Portugal.

    Sendo assim urge, necessidade do despertamento colectivo da população imigrante, não só na luta pró-activa pelos seus direitos no campo político, mas também contra o racismo escondido, o neocolonialismo liberalizado no mercado de trabalho, a apatia colectiva contra a imigração, a intoterância da alma, o tratamento desumano das autoridades, isto é, é necessário que surja aqui, um novo Martin Luther King mais sofisticado, que apela a não violência do racismo encapotado, a não hipocrisia sentimental, e a não neoescravização imigrante, tendo por base isso:

    Pequenas atitudes, produzem grandes desafios de mudanças do status quo presente.

    O:B.S A MINHA LUTA NÃO É CONTRA A COR DOS HOMENS, MAS SIM CONTRA A COR DA MALIGNIDADE QUE HABITA NOS SEUS CORAÇÕES, POIS A MALDADE É A RAIZ DA DEVASSIDÃO DO SENTIMENTO.

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caro Ulisses Vieira,

    Antes de mais obrigado pela leitura do texto, pelo comentário e por, apesar da visão acutilante, pretender ir mais longe com os teus comentários à temática em discussão.

    Subscrevo as tuas preocupações mas é ainda mais gritante o silêncio dos “intelectuais orgânicos” do sistema, para utilizar a sugestiva expressão de António Gramsci. Várias são as circunstâncias e situações que carecem de denúncia imediata por parte das pseudo elites cabo-verdianas que estão exclusivamente preocupadas com o seu umbigo e só utilizam a bandeira “Cabo Verde” como retaguarda e respaldo para promover os seus interesses pessoais e de carreirismo individual.

    Outrossim, é impreterível que os imigrantes individualmente considerados e as estruturas associativas colectivamente organizadas encetem as devidas diligências para uma melhor consciencialização dos direitos e deveres das comunidades migrantes, sem a qual a sua integração na sociedade portuguesa continuará a ser deficiente, a sua incorporação no mercado de trabalho permancerá precário e o reconhecimento da sua mais valia para a sociedade portuguesa secundarizado.

    Urge um combate de ideias dinâmico e confrontacional para que se possa produzir a necessária mudança de atitudes, de mentalidades e nas práticas…

    Um abraço
    Suzano

  • joão miranda diz:

    É engraçado a opinação própria do fervor da juventude. Á organização social nos seus diferentes níveis é outra coisa. Entendo-a como um xadres com toda a sua teia, em que cada um coze a sua, dele malha. A vida não é o que se quer que seja, é o que é. O levantar as questões é sempre pertinente, mas meter a mão na massa é outra coisa. Aconselho ão Suzano a ouzar fazer. Dum povo acrítico “salvaguardando as excessões” fez-se o país que hoje somos dentro e fora do território. As questões sócio-culturais que nos aportam á cidadania ainda tem um longo caminho a percorrer. Faz-se fazendo. Como dizia o poeta Osvaldo Osório “Agora que temos a independência flor não nos venha exigir aranhacéus de loucura”. Para um melhor entendimento da nossa comunidade em qualquer país europeu,descodifica a DG5 , o pilar dos assuntos sociais, doseia-o com a capacidade de organização e de liderança, mais a vontade de fazer, bem assim o seu suporte financeiro, com uma pitada de tempo, lá chegaremos, queimado as etapas necessárias. Como dizia Jorge Barbosa :«Pitrinha toca o clarim novamente»
    João Miranda
    ex dirigente associativo

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