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	<title>Comentários em: Associativismo Migrante: Da Mobilização Política à Política da Consciência</title>
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	<description>Um espaço de discussão e opinião</description>
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		<title>Por: Suzano Costa</title>
		<link>http://tertuliacrioula.com/2009/08/associativismo-migrante/comment-page-2/#comment-1510</link>
		<dc:creator>Suzano Costa</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 10:52:17 +0000</pubDate>
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		<description>Caro João Miranda, 

Obrigado pela leitura do texto e por trazer da sua experiência associativa um acréscimo ao debate.

O fervor da juventude imbui-me a ser crítico e interventivo da própria realidade que me circunda, mas reconhecer que as pontes para a construção de um futuro melhor se forja na complementaridade entre a juventude e aqueles que já estão no outono da vida revela-se impreterível. Além de metafórico, o meu artigo constitui um repto, um desafio e um exercício de autocrítica, inclusive para a minha geração, sem a qual se torna suicidário projectarmos na nossa acção no futuro. 

Concordo plenamente consigo: existe uma discrepência descomunal entre o discurso e a prática, entre o exercício crítico e o &quot;meter a mão na massa&quot;, o que não invalida levantar o &quot;véu da ignorância&quot; (John Rawls) e discorrer sobre questões &quot;pertinentes&quot; para a nossa diáspora e o movimento associativo que o suporta.

O João Miranda, pela sua experiência associativa, concorda comigo de que a inoperância tem sido a nota dominante e que algum retrocesso se tem verificado no movimento associativo, quando comparado com alguns dos ganhos que este mesmo movimento teve no passado, é mais que evidente.

É necessário sim, ousar, sonhar e abraçar um ideário inovador, pró-activa e anti-sistémico para o bem e para a emancipação social e política da comunidade migrante. Outras lutas se avizinham, e a construção de um cidadão mais pró-activo e crítico se revela um imperativo categórico. 

A ousadia começa pela crítica sistémica, doseado de bom senso e de um realismo que nos possibilita construir, passa a passo, os pilares desse &quot;aranha-céus de loucura&quot;, lapidarmente coligido pelo poeta Osvaldo Osório. 

Ainda há espaço para ousar fazer, sonhar e criticar, e se não o fazer na irreverência da minha juventude, o mais provável é hipotecar-mos o nosso futuro...enquanto nação arquipelágica e diasporizada que somos...

Bem haja,

Abraços
Suzano</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Miranda, </p>
<p>Obrigado pela leitura do texto e por trazer da sua experiência associativa um acréscimo ao debate.</p>
<p>O fervor da juventude imbui-me a ser crítico e interventivo da própria realidade que me circunda, mas reconhecer que as pontes para a construção de um futuro melhor se forja na complementaridade entre a juventude e aqueles que já estão no outono da vida revela-se impreterível. Além de metafórico, o meu artigo constitui um repto, um desafio e um exercício de autocrítica, inclusive para a minha geração, sem a qual se torna suicidário projectarmos na nossa acção no futuro. </p>
<p>Concordo plenamente consigo: existe uma discrepência descomunal entre o discurso e a prática, entre o exercício crítico e o &#8220;meter a mão na massa&#8221;, o que não invalida levantar o &#8220;véu da ignorância&#8221; (John Rawls) e discorrer sobre questões &#8220;pertinentes&#8221; para a nossa diáspora e o movimento associativo que o suporta.</p>
<p>O João Miranda, pela sua experiência associativa, concorda comigo de que a inoperância tem sido a nota dominante e que algum retrocesso se tem verificado no movimento associativo, quando comparado com alguns dos ganhos que este mesmo movimento teve no passado, é mais que evidente.</p>
<p>É necessário sim, ousar, sonhar e abraçar um ideário inovador, pró-activa e anti-sistémico para o bem e para a emancipação social e política da comunidade migrante. Outras lutas se avizinham, e a construção de um cidadão mais pró-activo e crítico se revela um imperativo categórico. </p>
<p>A ousadia começa pela crítica sistémica, doseado de bom senso e de um realismo que nos possibilita construir, passa a passo, os pilares desse &#8220;aranha-céus de loucura&#8221;, lapidarmente coligido pelo poeta Osvaldo Osório. </p>
<p>Ainda há espaço para ousar fazer, sonhar e criticar, e se não o fazer na irreverência da minha juventude, o mais provável é hipotecar-mos o nosso futuro&#8230;enquanto nação arquipelágica e diasporizada que somos&#8230;</p>
<p>Bem haja,</p>
<p>Abraços<br />
Suzano</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: joão miranda</title>
		<link>http://tertuliacrioula.com/2009/08/associativismo-migrante/comment-page-1/#comment-1502</link>
		<dc:creator>joão miranda</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 23:07:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://tertuliacrioula.com/?p=74#comment-1502</guid>
		<description>É engraçado a opinação  própria  do fervor da  juventude. Á organização social nos seus diferentes níveis é outra coisa. Entendo-a como um xadres com toda a sua teia, em que cada um coze a sua, dele malha. A vida não é o que se quer que seja, é o que é. O levantar as questões é sempre pertinente, mas meter a mão na massa é outra coisa. Aconselho ão Suzano  a ouzar fazer.  Dum povo acrítico  &quot;salvaguardando as excessões&quot; fez-se o país que hoje somos dentro e fora do território. As questões sócio-culturais que nos aportam á cidadania ainda tem um longo caminho a percorrer. Faz-se fazendo. Como dizia o poeta Osvaldo Osório &quot;Agora que temos a independência flor não nos venha exigir aranhacéus de loucura&quot;. Para um melhor entendimento da nossa comunidade em qualquer país europeu,descodifica a DG5 , o pilar dos assuntos sociais, doseia-o  com a capacidade de organização e de liderança, mais a vontade de fazer, bem assim o seu suporte financeiro, com uma pitada de tempo, lá chegaremos, queimado as etapas necessárias. Como dizia Jorge Barbosa :«Pitrinha toca o clarim novamente»
João Miranda   
ex dirigente associativo</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>É engraçado a opinação  própria  do fervor da  juventude. Á organização social nos seus diferentes níveis é outra coisa. Entendo-a como um xadres com toda a sua teia, em que cada um coze a sua, dele malha. A vida não é o que se quer que seja, é o que é. O levantar as questões é sempre pertinente, mas meter a mão na massa é outra coisa. Aconselho ão Suzano  a ouzar fazer.  Dum povo acrítico  &#8220;salvaguardando as excessões&#8221; fez-se o país que hoje somos dentro e fora do território. As questões sócio-culturais que nos aportam á cidadania ainda tem um longo caminho a percorrer. Faz-se fazendo. Como dizia o poeta Osvaldo Osório &#8220;Agora que temos a independência flor não nos venha exigir aranhacéus de loucura&#8221;. Para um melhor entendimento da nossa comunidade em qualquer país europeu,descodifica a DG5 , o pilar dos assuntos sociais, doseia-o  com a capacidade de organização e de liderança, mais a vontade de fazer, bem assim o seu suporte financeiro, com uma pitada de tempo, lá chegaremos, queimado as etapas necessárias. Como dizia Jorge Barbosa :«Pitrinha toca o clarim novamente»<br />
João Miranda<br />
ex dirigente associativo</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Suzano Costa</title>
		<link>http://tertuliacrioula.com/2009/08/associativismo-migrante/comment-page-1/#comment-1499</link>
		<dc:creator>Suzano Costa</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 17:23:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://tertuliacrioula.com/?p=74#comment-1499</guid>
		<description>Caro Ulisses Vieira, 

Antes de mais obrigado pela leitura do texto, pelo comentário e por, apesar da visão acutilante, pretender ir mais longe com os teus comentários à temática em discussão.

Subscrevo as tuas preocupações mas é ainda mais gritante o silêncio dos &quot;intelectuais orgânicos&quot; do sistema, para utilizar a sugestiva expressão de António Gramsci. Várias são as circunstâncias e situações que carecem de denúncia imediata por parte das pseudo elites cabo-verdianas que estão exclusivamente preocupadas com o seu umbigo e só utilizam a bandeira &quot;Cabo Verde&quot; como retaguarda e respaldo para promover os seus interesses pessoais e de carreirismo individual.

Outrossim, é impreterível que os imigrantes individualmente considerados e as estruturas associativas colectivamente organizadas encetem as devidas diligências para uma melhor consciencialização dos direitos e deveres das comunidades migrantes, sem a qual a sua integração na sociedade portuguesa continuará a ser deficiente, a sua incorporação no mercado de trabalho permancerá precário e o reconhecimento da sua mais valia para a sociedade portuguesa secundarizado. 

Urge um combate de ideias dinâmico e confrontacional para que se possa produzir a necessária mudança de atitudes, de mentalidades e nas práticas...

Um abraço
Suzano</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Ulisses Vieira, </p>
<p>Antes de mais obrigado pela leitura do texto, pelo comentário e por, apesar da visão acutilante, pretender ir mais longe com os teus comentários à temática em discussão.</p>
<p>Subscrevo as tuas preocupações mas é ainda mais gritante o silêncio dos &#8220;intelectuais orgânicos&#8221; do sistema, para utilizar a sugestiva expressão de António Gramsci. Várias são as circunstâncias e situações que carecem de denúncia imediata por parte das pseudo elites cabo-verdianas que estão exclusivamente preocupadas com o seu umbigo e só utilizam a bandeira &#8220;Cabo Verde&#8221; como retaguarda e respaldo para promover os seus interesses pessoais e de carreirismo individual.</p>
<p>Outrossim, é impreterível que os imigrantes individualmente considerados e as estruturas associativas colectivamente organizadas encetem as devidas diligências para uma melhor consciencialização dos direitos e deveres das comunidades migrantes, sem a qual a sua integração na sociedade portuguesa continuará a ser deficiente, a sua incorporação no mercado de trabalho permancerá precário e o reconhecimento da sua mais valia para a sociedade portuguesa secundarizado. </p>
<p>Urge um combate de ideias dinâmico e confrontacional para que se possa produzir a necessária mudança de atitudes, de mentalidades e nas práticas&#8230;</p>
<p>Um abraço<br />
Suzano</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Ulisses Vieira</title>
		<link>http://tertuliacrioula.com/2009/08/associativismo-migrante/comment-page-1/#comment-1449</link>
		<dc:creator>Ulisses Vieira</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 00:44:40 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://tertuliacrioula.com/?p=74#comment-1449</guid>
		<description>Caro Suzano 
Primeiramente, felicito-lhe pela sua visão acutilante e doseado duma retórica reformista do status quo do momento, continue assim porque mui longa é a tua caminhada.No entanto eu vou mais longe, em relação á sua prespectiva  idelógico-filosófica dos factos presentes.
Destarte face ás infímas injustiças e incompreenções políticas em matéria da imigração nas suas multíplas variantes, como sendo o acesso indeferencidado á Educação, á Justiça, á Saúde e ao Trabalho  e somando a hipocrisia sentimental colectiva desse povo, vai aquí solta algumas notas os quais deverão estar na mente de todos imigrantes e cuja aplicabilidade prática depende do Bom Senso de cada um.
Sendo assim:
*O que me preocupa não é o grito da injustiça, e o fervor do apelo ao nacionalismo exarcerbado relegando para o segundo plano as sub-culturas que também fazem parte desse todo organizacional que se chama Portugal, o que  me preocupa é o silencio das vozes dos &quot;gigantes adormecidos&quot; imigrantes que assistem a toda essa injustiça, amovíveis na inconsciência do medo, e da repressão dos actores do sistema.
* Infelizmente esta geração tem um vácuo de mentes inquietantes, prontos para a peleja da batalha para mudança da mentalidade coletiva do Governo e do Povo Português para com os Imigrantes. Não se pode mudar o coração ou a mente das pessoas, mas pode-se imprimir nelas um sentido de mudança para melhor porque tudo é possivel ao que crê.
* É necessário sim, homens  eticamente irreprenssiveis, moralmente capacitados e militarmente equipados com o capacete da compreenção do bem e da prática do mesmo , cingido os lombos com a verdade, moldados com o colete a prova de bala contra o racismo e o ódio da infancia do sentimento para com o próximo, independente da cor, raça, credo religioso ou estrato social, calçados com os pés com o calçado do Bom Senso, da Ética, da Moral e da Justiça.Em fim, Portugal somente mudará as políticas que prefiguram atingir um fim benéfico ás comunidades imigrantes, mas que não passam dum meio para encapotar a triste realidade vivenciada pelos imigrantes aquí em Portugal.



Sendo assim urge, necessidade  do despertamento colectivo da população imigrante, não só na luta pró-activa pelos seus  direitos no campo político, mas também contra o racismo escondido,  o neocolonialismo liberalizado no mercado de trabalho, a apatia colectiva contra a imigração, a intoterância da alma, o tratamento desumano das autoridades, isto é, é necessário que surja aqui, um novo Martin Luther King mais  sofisticado, que apela a não violência do racismo encapotado, a não hipocrisia sentimental, e a não neoescravização imigrante, tendo por base isso:



Pequenas atitudes, produzem grandes desafios de mudanças do status quo presente.



O:B.S A MINHA LUTA NÃO É CONTRA A COR DOS HOMENS, MAS SIM CONTRA A COR DA MALIGNIDADE QUE HABITA NOS SEUS CORAÇÕES, POIS A MALDADE É A RAIZ DA DEVASSIDÃO DO SENTIMENTO.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Suzano<br />
Primeiramente, felicito-lhe pela sua visão acutilante e doseado duma retórica reformista do status quo do momento, continue assim porque mui longa é a tua caminhada.No entanto eu vou mais longe, em relação á sua prespectiva  idelógico-filosófica dos factos presentes.<br />
Destarte face ás infímas injustiças e incompreenções políticas em matéria da imigração nas suas multíplas variantes, como sendo o acesso indeferencidado á Educação, á Justiça, á Saúde e ao Trabalho  e somando a hipocrisia sentimental colectiva desse povo, vai aquí solta algumas notas os quais deverão estar na mente de todos imigrantes e cuja aplicabilidade prática depende do Bom Senso de cada um.<br />
Sendo assim:<br />
*O que me preocupa não é o grito da injustiça, e o fervor do apelo ao nacionalismo exarcerbado relegando para o segundo plano as sub-culturas que também fazem parte desse todo organizacional que se chama Portugal, o que  me preocupa é o silencio das vozes dos &#8220;gigantes adormecidos&#8221; imigrantes que assistem a toda essa injustiça, amovíveis na inconsciência do medo, e da repressão dos actores do sistema.<br />
* Infelizmente esta geração tem um vácuo de mentes inquietantes, prontos para a peleja da batalha para mudança da mentalidade coletiva do Governo e do Povo Português para com os Imigrantes. Não se pode mudar o coração ou a mente das pessoas, mas pode-se imprimir nelas um sentido de mudança para melhor porque tudo é possivel ao que crê.<br />
* É necessário sim, homens  eticamente irreprenssiveis, moralmente capacitados e militarmente equipados com o capacete da compreenção do bem e da prática do mesmo , cingido os lombos com a verdade, moldados com o colete a prova de bala contra o racismo e o ódio da infancia do sentimento para com o próximo, independente da cor, raça, credo religioso ou estrato social, calçados com os pés com o calçado do Bom Senso, da Ética, da Moral e da Justiça.Em fim, Portugal somente mudará as políticas que prefiguram atingir um fim benéfico ás comunidades imigrantes, mas que não passam dum meio para encapotar a triste realidade vivenciada pelos imigrantes aquí em Portugal.</p>
<p>Sendo assim urge, necessidade  do despertamento colectivo da população imigrante, não só na luta pró-activa pelos seus  direitos no campo político, mas também contra o racismo escondido,  o neocolonialismo liberalizado no mercado de trabalho, a apatia colectiva contra a imigração, a intoterância da alma, o tratamento desumano das autoridades, isto é, é necessário que surja aqui, um novo Martin Luther King mais  sofisticado, que apela a não violência do racismo encapotado, a não hipocrisia sentimental, e a não neoescravização imigrante, tendo por base isso:</p>
<p>Pequenas atitudes, produzem grandes desafios de mudanças do status quo presente.</p>
<p>O:B.S A MINHA LUTA NÃO É CONTRA A COR DOS HOMENS, MAS SIM CONTRA A COR DA MALIGNIDADE QUE HABITA NOS SEUS CORAÇÕES, POIS A MALDADE É A RAIZ DA DEVASSIDÃO DO SENTIMENTO.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Suzano Costa</title>
		<link>http://tertuliacrioula.com/2009/08/associativismo-migrante/comment-page-1/#comment-1361</link>
		<dc:creator>Suzano Costa</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 09:26:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://tertuliacrioula.com/?p=74#comment-1361</guid>
		<description>Cara Karin,

Obrigado pela leitura do texto, pelo comentário e o valor acrescentado que o encerra para o debate, porquanto nos interpela sobre os circunstancialismos e condicionamentos do movimento associativo nas diferentes paragens. 

1. De facto, o contexto de recepção e os seus dispositivos institucionais condicionam, em diferentes sentidos, a intervenção e integração dos migrantes. A salvaguarda das demais gerações de direitos cívicos, políticos e sociais de que fala T. H. Marshall, aparece, por exemplo, no contexto português, de forma invertida e com distanciamento temporal alargado, e isso explica, em parte, a percepção peculiar que a comunidade migrante em Portugal tem da noção de cidadania e participação nos assuntos públicos, por oposição a outros contextos de recepção, pese embora, acredito, que as diferenças não sejam assim tão acentuadas, se ponderarmos outras matizes históricas como a fraca participação e envolvimento cívico que os cabo-verdianos denotam (mesmo em Cabo Verde).

2. É natural que em países com uma tradição migratória mais antiga o movimento associativo esteja mais consolidado, mas mais do que isso, a sua robustez depende única e exclusivamente do envolvimento cívico dos indivíduos. Ademais, podemos verificar tímicas iniciativas de lobbies mas a verdade é que não estão devidamente institucionalizadas... e as acções não tem sido muito consequentes com a retórica discursiva de alguns líderes associativos. Outrossim, trata-se de uma dimensão da política externa cabo-verdiana ainda não muito explorada ...

3. A questão do princípio de reciprocidade é fundamental em qualquer plataforma de negociação política e é líquido que assim seja porquanto releva-se imperioso garantir os mesmos direitos, liberdades e garantias aos portugueses que se encontram nos contextos abrangidos pelos respectivos acordos. Confesso que neste tópico sou bastante institucionalista, por viés disciplinar, porque trata-se de um princípio fundamental da cooperação política bilateral...

Em suma, vários são os factores explicativos da fraca participação cívica e envolvimento político...mas, mais adiante e em outros textos, coligiremos um conjunto de argumentos explicativos da apatia cívica que paira entre nós...Concordo. A multidisciplinaridade, a equidistância e a imparcialidade são valores fundamentais que deverão presidir qualquer análise, seja ela do movimento associativo, ou de outra temática qualquer...

Obrigado pelo seu comentário e válido contributo para este fórum

Um abraço, 

Suzano</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Cara Karin,</p>
<p>Obrigado pela leitura do texto, pelo comentário e o valor acrescentado que o encerra para o debate, porquanto nos interpela sobre os circunstancialismos e condicionamentos do movimento associativo nas diferentes paragens. </p>
<p>1. De facto, o contexto de recepção e os seus dispositivos institucionais condicionam, em diferentes sentidos, a intervenção e integração dos migrantes. A salvaguarda das demais gerações de direitos cívicos, políticos e sociais de que fala T. H. Marshall, aparece, por exemplo, no contexto português, de forma invertida e com distanciamento temporal alargado, e isso explica, em parte, a percepção peculiar que a comunidade migrante em Portugal tem da noção de cidadania e participação nos assuntos públicos, por oposição a outros contextos de recepção, pese embora, acredito, que as diferenças não sejam assim tão acentuadas, se ponderarmos outras matizes históricas como a fraca participação e envolvimento cívico que os cabo-verdianos denotam (mesmo em Cabo Verde).</p>
<p>2. É natural que em países com uma tradição migratória mais antiga o movimento associativo esteja mais consolidado, mas mais do que isso, a sua robustez depende única e exclusivamente do envolvimento cívico dos indivíduos. Ademais, podemos verificar tímicas iniciativas de lobbies mas a verdade é que não estão devidamente institucionalizadas&#8230; e as acções não tem sido muito consequentes com a retórica discursiva de alguns líderes associativos. Outrossim, trata-se de uma dimensão da política externa cabo-verdiana ainda não muito explorada &#8230;</p>
<p>3. A questão do princípio de reciprocidade é fundamental em qualquer plataforma de negociação política e é líquido que assim seja porquanto releva-se imperioso garantir os mesmos direitos, liberdades e garantias aos portugueses que se encontram nos contextos abrangidos pelos respectivos acordos. Confesso que neste tópico sou bastante institucionalista, por viés disciplinar, porque trata-se de um princípio fundamental da cooperação política bilateral&#8230;</p>
<p>Em suma, vários são os factores explicativos da fraca participação cívica e envolvimento político&#8230;mas, mais adiante e em outros textos, coligiremos um conjunto de argumentos explicativos da apatia cívica que paira entre nós&#8230;Concordo. A multidisciplinaridade, a equidistância e a imparcialidade são valores fundamentais que deverão presidir qualquer análise, seja ela do movimento associativo, ou de outra temática qualquer&#8230;</p>
<p>Obrigado pelo seu comentário e válido contributo para este fórum</p>
<p>Um abraço, </p>
<p>Suzano</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Karin</title>
		<link>http://tertuliacrioula.com/2009/08/associativismo-migrante/comment-page-1/#comment-1358</link>
		<dc:creator>Karin</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 21:05:25 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://tertuliacrioula.com/?p=74#comment-1358</guid>
		<description>Caro Suzano,

Depois da minha leitura ao seu artigo e da vista de olhos na diagonal aos comentarios,tenho a frizar de forma sucinta dois pontos que poderao ser considerados perguntas para reflexao:
- primeiro acredito que o pais de acolhimento e as suas estruturas instucionais influencia de forma positiva ou negativa a forma de intervencao dos migrantes nos proprios;
- segundo acredito q pais que uma tradicao migratoria mais antiga como os Estados do Unidos de America(mesmo com todos os pontos fracos e fortes,pq nao &#039;e preto ou branco,temos que pensar nas matizes de cinza) ou a Franca,etc, os migrantes tem tempo para criar lobbies economicos e consequentemente de acesso aos niveis intermedios,medios e superiores de poder, e isso reflecte no mundo associativo e a sua forca;
- terceiro acredito que enquanto Portugal como pais de acolhimento nao alterar leis importantes como a Lei da Reciprocidade,todas os migrantes que vivem aqui nao vao poder ter um direito que seria de esperar o de &quot;votar e ser votado&quot;;

a esses tres pontos ou questoes ou desabafos podemos acrescenta-los aos pontos que tao bem anunciaste no teu artigo; assim sendo acho que a ausencia de projecto politico no associativismo caboverdiano acredito que &#039;e necessario analisar n factores sociais que estao em parte por detras dessa mesma ausencia: a lenta mobilizacao social entre outros factores sociais-economicos.

acho que a analise devera ser feito de forma multidisciplinar e de preferencia com um distanciamento do objecto de estudo.

assim encerro o meu modesto comentario.

atenciosamente

saudacoes cordiais,

Karin</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Suzano,</p>
<p>Depois da minha leitura ao seu artigo e da vista de olhos na diagonal aos comentarios,tenho a frizar de forma sucinta dois pontos que poderao ser considerados perguntas para reflexao:<br />
- primeiro acredito que o pais de acolhimento e as suas estruturas instucionais influencia de forma positiva ou negativa a forma de intervencao dos migrantes nos proprios;<br />
- segundo acredito q pais que uma tradicao migratoria mais antiga como os Estados do Unidos de America(mesmo com todos os pontos fracos e fortes,pq nao &#8216;e preto ou branco,temos que pensar nas matizes de cinza) ou a Franca,etc, os migrantes tem tempo para criar lobbies economicos e consequentemente de acesso aos niveis intermedios,medios e superiores de poder, e isso reflecte no mundo associativo e a sua forca;<br />
- terceiro acredito que enquanto Portugal como pais de acolhimento nao alterar leis importantes como a Lei da Reciprocidade,todas os migrantes que vivem aqui nao vao poder ter um direito que seria de esperar o de &#8220;votar e ser votado&#8221;;</p>
<p>a esses tres pontos ou questoes ou desabafos podemos acrescenta-los aos pontos que tao bem anunciaste no teu artigo; assim sendo acho que a ausencia de projecto politico no associativismo caboverdiano acredito que &#8216;e necessario analisar n factores sociais que estao em parte por detras dessa mesma ausencia: a lenta mobilizacao social entre outros factores sociais-economicos.</p>
<p>acho que a analise devera ser feito de forma multidisciplinar e de preferencia com um distanciamento do objecto de estudo.</p>
<p>assim encerro o meu modesto comentario.</p>
<p>atenciosamente</p>
<p>saudacoes cordiais,</p>
<p>Karin</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Suzano Costa</title>
		<link>http://tertuliacrioula.com/2009/08/associativismo-migrante/comment-page-1/#comment-990</link>
		<dc:creator>Suzano Costa</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 17:57:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://tertuliacrioula.com/?p=74#comment-990</guid>
		<description>Caríssimo Martin,

Antes de mais cordiais saudações e obrigado pela leitura do meu texto e por subscreveres o argumento exposto. 

Muito me apraz partilhar consigo ideias para a elaboração do seu texto e eventuais sugestões, porquanto comungamos da mesma opinião sobre o espectro do movimento associativo migrante em Portugal, pese embora ainda existam mais tópicos susceptíveis de serem abordados e aprofundados que ultrapassariam um artigo de opinião ou um texto de reduzidas laudas.

Aproveito, também, para lhe deixar o meu contacto (96 913 1 599, suzanocosta@yahoo.com.br), por isso não hesite em me contactar para o efeito. 

Um abraço, Suzano</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caríssimo Martin,</p>
<p>Antes de mais cordiais saudações e obrigado pela leitura do meu texto e por subscreveres o argumento exposto. </p>
<p>Muito me apraz partilhar consigo ideias para a elaboração do seu texto e eventuais sugestões, porquanto comungamos da mesma opinião sobre o espectro do movimento associativo migrante em Portugal, pese embora ainda existam mais tópicos susceptíveis de serem abordados e aprofundados que ultrapassariam um artigo de opinião ou um texto de reduzidas laudas.</p>
<p>Aproveito, também, para lhe deixar o meu contacto (96 913 1 599, <a href="mailto:suzanocosta@yahoo.com.br">suzanocosta@yahoo.com.br</a>), por isso não hesite em me contactar para o efeito. </p>
<p>Um abraço, Suzano</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Martin</title>
		<link>http://tertuliacrioula.com/2009/08/associativismo-migrante/comment-page-1/#comment-985</link>
		<dc:creator>Martin</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 10:14:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://tertuliacrioula.com/?p=74#comment-985</guid>
		<description>Meu caro Suzano,

Brilhante reflexao , Os meus parabens!!!!

Precisamente numa altura em que estou preparando um artigo cujo titulo será: &quot;Um novo paradigma para o movimento associativo cabo-verdiano em Portugal&quot; eis que numa perquisa na net encontro o teu artigo que frisa precisamente os assuntos que tenciono abordar.
Assim, entendi antes de começar o meu texto entrar em contacto contigo para ouvir algumas sugetoes tuas.
Escusado será dizer-te que comungo em absoluto com as tuas ideias embora ache que ainda existem mais questoes que temos que abordar sem nenhum tipo de preconceito.
Aguardo o teu contacto.
967879232.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Meu caro Suzano,</p>
<p>Brilhante reflexao , Os meus parabens!!!!</p>
<p>Precisamente numa altura em que estou preparando um artigo cujo titulo será: &#8220;Um novo paradigma para o movimento associativo cabo-verdiano em Portugal&#8221; eis que numa perquisa na net encontro o teu artigo que frisa precisamente os assuntos que tenciono abordar.<br />
Assim, entendi antes de começar o meu texto entrar em contacto contigo para ouvir algumas sugetoes tuas.<br />
Escusado será dizer-te que comungo em absoluto com as tuas ideias embora ache que ainda existem mais questoes que temos que abordar sem nenhum tipo de preconceito.<br />
Aguardo o teu contacto.<br />
967879232.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Suzano Costa</title>
		<link>http://tertuliacrioula.com/2009/08/associativismo-migrante/comment-page-1/#comment-224</link>
		<dc:creator>Suzano Costa</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2009 23:16:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://tertuliacrioula.com/?p=74#comment-224</guid>
		<description>Caro Underdôglas, 

Apraz-me a sua concordância a propósito da clássico de Alexis de Tocqueville e prometo reler as suas teses acerca do direito e liberdade de associação e a pujança do movimento associativo norte-americano.

Grande Jean François Revel...Relativamente ao Hubert Védrine, aquando da leitura dos seus escritos denotei, nas entrelinhas, uma certa sagacidade para não dizer sarcasmo e cinismo, sobretudo se compararmos a leitura que faz do fenómeno político em momentos históricos distintos.

O pensamento geopolítico e a cultura estratégica francesa tem muito disso e as variações no posicionamento face aos EUA é notório. Nesta sequência o próprio Joseph Nye, grande teórico do soft power e smart power americano, recorre a Védrine, citando-o, para veicular o discurso legimitador a propósito da capacidade de atracção cultural, identitária e ideológica americana no mundo.

Caro Underdôglas, é uma pena que esteja de partida mas ansiámos pelo seu regresso. Até lá vou me dedicando aos livros. Também eu gostei imenso de ter trocado duas humildes palavrinhas contigo (&quot;velho cacquético, que gosta de debater, ler e tem ainda muito para dar&quot;) e vou tentar não deixar os créditos em mãos alheias. 

Obrigado pelos votos de êxitos académicos mas, como bem disseste, dependerá exclusivamente de muita dedicação...as vezes mais de dedicação do que inteligência...e abundam entre nós casos do género.

Um grande abraço e que o regresso seja para breve...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Underdôglas, </p>
<p>Apraz-me a sua concordância a propósito da clássico de Alexis de Tocqueville e prometo reler as suas teses acerca do direito e liberdade de associação e a pujança do movimento associativo norte-americano.</p>
<p>Grande Jean François Revel&#8230;Relativamente ao Hubert Védrine, aquando da leitura dos seus escritos denotei, nas entrelinhas, uma certa sagacidade para não dizer sarcasmo e cinismo, sobretudo se compararmos a leitura que faz do fenómeno político em momentos históricos distintos.</p>
<p>O pensamento geopolítico e a cultura estratégica francesa tem muito disso e as variações no posicionamento face aos EUA é notório. Nesta sequência o próprio Joseph Nye, grande teórico do soft power e smart power americano, recorre a Védrine, citando-o, para veicular o discurso legimitador a propósito da capacidade de atracção cultural, identitária e ideológica americana no mundo.</p>
<p>Caro Underdôglas, é uma pena que esteja de partida mas ansiámos pelo seu regresso. Até lá vou me dedicando aos livros. Também eu gostei imenso de ter trocado duas humildes palavrinhas contigo (&#8220;velho cacquético, que gosta de debater, ler e tem ainda muito para dar&#8221;) e vou tentar não deixar os créditos em mãos alheias. </p>
<p>Obrigado pelos votos de êxitos académicos mas, como bem disseste, dependerá exclusivamente de muita dedicação&#8230;as vezes mais de dedicação do que inteligência&#8230;e abundam entre nós casos do género.</p>
<p>Um grande abraço e que o regresso seja para breve&#8230;</p>
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	<item>
		<title>Por: Underdôglas</title>
		<link>http://tertuliacrioula.com/2009/08/associativismo-migrante/comment-page-1/#comment-222</link>
		<dc:creator>Underdôglas</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2009 15:35:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://tertuliacrioula.com/?p=74#comment-222</guid>
		<description>Totalmente de acordo com a tua espreitadela pelo classico de Tocqueville! A proposito espero que voltes a reler a tese dele sobre o direito de associaçao e a pujança do movimento associativo americano que ele tao bem compreendeu. Serve para o teu tema!

Quando a Furet ele tem um outro colega dessas teses e que infelizmente como ele nos deixaram deste para o outro mundo e estou a referir ao filosofo Jean-françois Revel, mestre na analise comparativa das duas sociedades. 

Que dizer enfim de Védrine?! Um grande cinico da escola cinica e da realpolitik francesa. Nunca a gente sabe quando é que ele está a dizer verdade ou se está a pensar verdadeiramente o que diz e escreve. Quando ele afirma uma verdade do género que citas é para ele desancar nos americanos logo na frase seguinte. 

Nao, esse é profundamente francês, o francês tipico que odeia e tem ciumes da América que tirou duas vezes  a França da merda em que os alemaes deixaram essa terra. Védrine odeia a América porque nao digere o facto de os americanos terem vindo humilhar a França libertando os franceses. Para ele é uma grande afronta, uma grande humilhaçao. Por isso sempre que vê os States em dificuldades ele da gritos de satisfaçao.

Tens pois que ter cuidado ao que lês e ouves. Ha varios niveis de leitura e às vezes o que estamos a ler e pensamos compreender tem de facto outra leitura e outra compreensao, dixit Leo Strauss. Ou entao a escrita hermética e esotérica de Maquiavel; alias so os leitores de pacotilha se gabam de ter compreendido o florentino que pelo contario até ha bem pouco tempo dava dores de cabeça aos maiores especialistas universais que se debruçaram sobre a sua obra e que num coloquio internacional recente admitiam isso.

Enfim, meu caro, é tempo de eu partir! Gostei de ter trocado duas palavrinhas com um jovem promissor, humilde e dedicado aos livros. Bem-vindo, mas cuidado que isto é um autêntico sofrimento sem fim e nao ganharemos nunca (sei la!) 500 contos, quer dizer 1000 contos portugueses, na nossa terra como esses arautos de bolsas de valores que aposto de certeza nao sabem o que é a axiologia!

Mais uma vez, gostei imenso e sucessos nos teus estudos até onde a tua inteligência e dedicaçao te conduzirem!

Um abraço deste velho caquético que gosta de debater e é um drogado de grandes livros!

Underdôglas</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Totalmente de acordo com a tua espreitadela pelo classico de Tocqueville! A proposito espero que voltes a reler a tese dele sobre o direito de associaçao e a pujança do movimento associativo americano que ele tao bem compreendeu. Serve para o teu tema!</p>
<p>Quando a Furet ele tem um outro colega dessas teses e que infelizmente como ele nos deixaram deste para o outro mundo e estou a referir ao filosofo Jean-françois Revel, mestre na analise comparativa das duas sociedades. </p>
<p>Que dizer enfim de Védrine?! Um grande cinico da escola cinica e da realpolitik francesa. Nunca a gente sabe quando é que ele está a dizer verdade ou se está a pensar verdadeiramente o que diz e escreve. Quando ele afirma uma verdade do género que citas é para ele desancar nos americanos logo na frase seguinte. </p>
<p>Nao, esse é profundamente francês, o francês tipico que odeia e tem ciumes da América que tirou duas vezes  a França da merda em que os alemaes deixaram essa terra. Védrine odeia a América porque nao digere o facto de os americanos terem vindo humilhar a França libertando os franceses. Para ele é uma grande afronta, uma grande humilhaçao. Por isso sempre que vê os States em dificuldades ele da gritos de satisfaçao.</p>
<p>Tens pois que ter cuidado ao que lês e ouves. Ha varios niveis de leitura e às vezes o que estamos a ler e pensamos compreender tem de facto outra leitura e outra compreensao, dixit Leo Strauss. Ou entao a escrita hermética e esotérica de Maquiavel; alias so os leitores de pacotilha se gabam de ter compreendido o florentino que pelo contario até ha bem pouco tempo dava dores de cabeça aos maiores especialistas universais que se debruçaram sobre a sua obra e que num coloquio internacional recente admitiam isso.</p>
<p>Enfim, meu caro, é tempo de eu partir! Gostei de ter trocado duas palavrinhas com um jovem promissor, humilde e dedicado aos livros. Bem-vindo, mas cuidado que isto é um autêntico sofrimento sem fim e nao ganharemos nunca (sei la!) 500 contos, quer dizer 1000 contos portugueses, na nossa terra como esses arautos de bolsas de valores que aposto de certeza nao sabem o que é a axiologia!</p>
<p>Mais uma vez, gostei imenso e sucessos nos teus estudos até onde a tua inteligência e dedicaçao te conduzirem!</p>
<p>Um abraço deste velho caquético que gosta de debater e é um drogado de grandes livros!</p>
<p>Underdôglas</p>
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