Cidade da Ribeira Grande – Património da Humanidade
A sua importância na formação e no desenvolvimento da nação cabo-verdiana
A atribuição do título de Património da Humanidade pela UNESCO1 à Cidade Velha respeita a convenção adoptada em 1972, na conferência de Paris. Esta convenção tem como principal objectivo ajudar os Estados na salvaguarda e valorização das “mais” importantes riquezas do planeta quer elas sejam culturais ou naturais. Neste sentido, foi elaborada uma lista de patrimónios mundiais que aumenta a cada ano, com a adesão/registo de novos Estados com bens culturais e naturais reconhecidos pela organização.
Deste modo, complementando essa lista, a Ribeira Grande foi considerada, no dia 26 Junho de 2009, como Património da Humanidade. Contudo, para compreendermos este reconhecimento temos, obrigatoriamente, de recuar no tempo e perceber realmente a importância que as actuais ruínas da cidade velha (vestígios arqueológicos…) tiveram no desenvolvimento do nosso país em particular e, ainda, para a metrópole.
Portanto, esta consideração veio, uma vez mais, valorizar, por um lado, a importância da Ribeira Grande durante o período da “descoberta” e da “dominação” – exploração portuguesa e, por outro, o seu contributo indispensável na formação e florescimento da nação cabo-verdiana.
Ora, vejamos: a Ilha de Santiago foi a primeira das dez ilhas do Arquipélago de Cabo Verde a ser povoada (sendo que apenas nove é que são habitadas), data de 1462. Todavia, em 1533, a Ribeira Grande foi elevada à categoria de cidade, sendo também a primeira cidade construída na África Ocidental pelos Europeus (portugueses). A partir desta data, até aproximadamente finais do século XVIII, (mais concretamente, em 1776!), aquando da mudança de capital para Cidade da Praia (que na altura se denominava de Santa Maria) a Ribeira Grande foi a capital das ilhas de Cabo Verde e manteve-se, durante aproximadamente 243 anos, como capital do arquipélago – o centro político (administrativo), económico, social e religioso do país.
No entanto, o seu papel no desenvolvimento social, político e religioso do país abrange um campo muito mais vasto; pois ela serviu de ponto de partida para o tão complexo processo de aculturação e miscigenação entre os dois povos (europeus e africanos), que começou no século XV e se perpetuou no tempo – sendo hoje uma das características base da nação cabo-verdiana. Estamos perante o cruzamento de dois povos: europeus (portugueses, espanhóis, italianos, etc.) e africanos, sobretudo os da África Ocidental, nomeadamente as diversas etnias da actual Guiné-Bissau que compunha o leque das etnias presentes no arquipélago. Neste sentido, podemos dizer que nós, os cabo-verdianos, somos o fruto dessa explosão racial e cultural. Não quero entrar em demagogia, mas seguindo o raciocínio daquilo que temos vindo a dizer é lógico afirmarmos que nós somos uma realidade à parte do continente africano, visto que a nossa sociedade, consoante os dados históricos que dispomos, formou-se verdadeiramente a partir da aglutinação dos dois povos supra mencionados, enquanto nos outros territórios africanos, quando os europeus lá chegaram já havia sociedades fortemente estruturadas a nível social, político, religioso e quiçá económico. É um facto, mas isso não significa que não somos africanos e nem devemos utilizar este facto para recusar/rejeitar o nosso continente, o nosso berço. Todavia, esta é uma questão que não vem a caso, pelo que provavelmente a abordaremos numa próxima oportunidade.
A sua importância está ainda indubitavelmente associada à sua posição geográfica privilegiada o que lhe permitiu ter um grande papel a nível comercial, porque servia de entreposto de escravos, que ali eram aculturados e que posteriormente eram enviados – vendidos para as Américas (nomeadamente para o Brasil, ilhas Caribenhas, Antilhas), Europa (especialmente para Portugal) e também para outras possessões na África e Ásia. Auxiliava na transacção dos produtos (agrícolas, manufacturados…) entre os diferentes portos comerciais da época e assumira, ainda, o controlo da chamada rota triangular que ligava América (Brasil…), África (Cabo Verde e outros países) e a Europa (metrópole). Isto é, era um ponto de apoio indispensável à navegação marítima quer no que concerne ao abastecimento (de produtos alimentares, comerciais…), quer no que dizia respeito à segurança dos navios nas rotas para o sul ou para o norte do Atlântico. Enfim, o porto da Ribeira Grande teve grande importância no seio das actividades económicas para a metrópole e igualmente para o desenvolvimento das ilhas de Cabo Verde, com capital destaque para a Ilha de Santiago.
Ribeira Grande é, identicamente, considerada o berço da cabo-verdianidade, porque realmente foi ali que houve o primeiro – e mais profundo – contacto entre os europeus (colonos e degredados) e os africanos (escravos e homens livres) vindos de África – é, evidentemente, desta simbiose que mais tarde nasceu e floresceu na costa ocidental africana essa nação de todos nós – Cabo Verde. Ou seja, nós somos fruto deste complexo processo de miscigenação. Posso afirmar que muito antes das sociedades americanas, nós já éramos uma sociedade multiétnica, pondo em contacto, durante um período de tempo considerável, dois povos: Europeus e Africanos. É, verdadeiramente, deste processo de hibridismo que nasceu uma nova cultura: a cabo-verdiana. A formação daquilo que somos hoje deve-se em boa parte à Cidade Velha.
Como é natural, não podemos estabelecer aqui uma data exacta da formação da nação cabo-verdiana, pelo simples facto de que uma nação, ao contrário de um Estado, não requer obrigatoriamente um determinado espaço geográfico (físico), uma vez que o Estado, este sim, tem essencialmente que contar com um espaço geográfico e a consequente autonomia, ou seja, pressupõe necessariamente uma data exacta para a sua formação – a sua independência ou o seu reconhecimento como Estado e a determinação da sua fronteira geográfica. Neste caso, não é possível estabelecer uma data exacta da formação da nação cabo-verdiana, porque é um processo complexo e moroso, que levou o seu tempo e está em constante mutação e aperfeiçoamento – não é estático. No entanto, a verdade é que foi, efectivamente, deste contacto que adveio a formação da cultura cabo-verdiana, que começou verdadeiramente na Ribeira Grande, a qual hoje tem o nome fictício de Cidade Velha.
Este título é de grande relevância para a valorização e preservação da nossa cultural, da nossa memória – da nossa identidade. Para lutarmos contra os desafios do tempo, principalmente no mundo em que estamos a viver, diga-se perante uma constante e visível perda da memória, da identidade (…), é digno de afirmar que este título veio em boa hora, porque a melhor forma de lutarmos contra o “enfraquecimento”, o desaparecimento e o esquecimento da nossa História é valorizá-lo. Agora sabemos que temos uma parte da nossa história considerado como Património da Humanidade, reconhecido a nível mundial, torna o simultaneamente numa tremenda responsabilidade de todos nós no tocante à preservação e ao consequente divulgação do nosso passado, isto é, aquilo que fomos e que fez de nós quem somos hoje. A nossa essência.
Contudo, este título apresenta ainda mais uma outra vantagem meramente económica, mas que no fundo é igualmente importante para o progresso do país, tendo em conta que a partir de agora vamos entrar num novo circuito mundial de turismo. Se antes o nosso turismo gozava apenas de um menu previamente estabelecido que se resumia apenas as visitas com a intenção de apanhar sol, ir à praia, ou seja, gozar um pouco da nossa simplicidade e da “nossa” natureza, agora vai surgir um novo rumo, uma nova procura que não se limita apenas ao prazer daquilo que a natureza pode oferecer (sol, areia quente, praias etc.), pois também inaugura uma nova Era de turismo que infelizmente ainda é pouco explorado no nosso continente, à procura de sítios históricos. Presentemente vamos incluir no nosso pacote de ofertas o reconhecimento da nossa história: Cidade Velha Património da Humanidade, certamente que vai despertar curiosidade de muitos turistas!
Mas, para que haja um maior aproveitamento deste título é preciso dotar a Cidade Velha de estruturas físicas, materiais, para poder responder condignamente as solicitações e necessidades dos visitantes. Como também munir a sociedade de ferramentas capazes de não apenas servir de guia turístico, pois sensibilizar a sociedade local que está situado num espaço classificado e que deve ter uma vida, uma atitude mais regrada para a preservação do local e para o seu próprio desenvolvimento. Enfim, penso que há um longo trabalho a fazer, envolvendo Governo (s), Câmara Municipal – sociedade civil local e as próprias empresas/entidades privadas no que diz respeito a esta matéria.
Em forma de síntese posso dizer que se abriu uma nova porta para o arquipélago, para a nossa história – paralelamente – para a nossa economia, etc.
Deste modo, a Cidade velha junta-se ao seu historial o título da primeira cidade construída na África Ocidental pelos europeus (portugueses), junta ainda a distinção dada pelos cidadãos da CPLP, espalhados por quatro continentes, o título das sete maravilhas de origem portuguesa espalhados pelo mundo e o mais recente, como é obvio, o título de Património da Humanidade pelo UNESCO.
Meus caros compatriotas, a nossa riqueza é, sem dúvida nenhuma, a nossa história.
- Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. É uma organização especializada das UNU criada em 1946, com o intuito de contribuir para Paz e para a segurança internacional, utilizando a educação, ciência, cultura e, ainda, comunicação/colaboração entre as nações, afim de assegurar o respeito dos direitos do homem e das liberdades fundamentais. Entretanto, alguns países retiraram-se da UNESCO, como é o caso dos EUA, em 1984, a Grã-Bretanha e Singapura em 1985. ^
Obrigadu, Sr. Edmilson Varela pa es sforsu instrutivu i fortalesedor di patriotismu.
Konven realsa ma, na rol di trunfus ki aprezentadu pa defende inskrison di Sidadi Velha na Lista di UNESCO pa Patrimoniu di Umanidadi, sta inkluidu lingua kabuverdianu ki nase nes Bersu di Kabuverdianidadi.
Inkluzon di nos lingua ta justifika non so pabia el e mas antigu lingua konxedu pa kriolu na atualidadi (ku jenezi na finais di sekulu XV), mas tanbe pa razons sientifiku.
Efetivamenti, peranti straordinariu semelhansa, a nivel mundial, entri linguas kiolu di atualidadi di pontu di vista sintaksiku, sientistas labanta 2 ipotezi prinsipal:
a) ma, independentimenti di ses bazi leksikal diversu, es ten mesmu kriolu matris;
b) ma ses semelhansa dekore di esepsionais kondisons sosiolojiku ki permiti plenu realizason di gramatika universal propiu di ser umanu.
Si primeru teoria ben prevalese, nos kriolu e un seriu kandidatu pa ser kriolu matris di tudu linguas konxedu pa kriolu na atualidadi.
Si sugundu teoria ben konfirmadu definitivamenti, vistu relevansia di prosesu di maturason ki ta okore ku tenpu, nos kriolu ta sta na un lugar proeminenti enkuantu kel mas konsolidadu, pabia kel mas antigu, ku mas di 500 anu di afinason.
Di un fidju di Sidadi Velha
Meu caro Marsianu nha Ida padri Nikulau Ferera,
Em primero lugar obrigado pa bu disponibilidade e pa bu tempo e paciência na apreciason d’s artigo.
Bu tem tudo razon. Se no segui kel lógica de ki muto antes de sociedades americanas nos djha era uma realidade, nu ta kaba pa conclui ma realmente nos krioulo é di kes antigo do mundo. Nu ka podeba dexa krioulo de fora, pomodi foi la, verdadeiramente, ki nos krioulo komesa ta da ses primero passo. Apresenta krioulo nes ponto d vista li ta fazi tudo sentido, porki ´s sta intimamente ligado.
Muto obrigado mas um bez, e kualker kumentario ou discussão em relação a tema em questão é bem vindo. Nu sta sempre disponível.
Ku nhas kumprimentos,
Edmilson Varela
Edmilson, es e ka nada!
Sidadi Velha, sima dja bu fla, non so e di fidjus di Sidadi, mas tanbe di fidjus di Santiagu, di Kabu Verdi i di Umanidadi.
Pur isu, nos tudu debe promove-l.
N ta gostaba di ten bu e-mail. Dimeu: marciano_moreira@yahoo.com
Sr. Edmilson Varela,
Li o artigo e achei-o pertinenete. Fez uma leitura historica interressante da Cidade Velha, da sua povoaçao ao estatuto actual. A sua contribuiçao no sentido de alertar as autoridades e a sociedade no seu todo para promover melhorias é util.
Entretanto, ha um aspecto que, salvo erro, esta sendo tratado de forma marginal nas analises sobre a ascençao de Cidade Velha a patrimonio da Humanidade. Trata-se da importancia deste estatuto para a populaçao da Cidade Velha, ou seja, sabemos que este patrimonio pode ser util ao pais para a promoçao do turismo, para ganhar um certo reconhecimento perto da Unesco… mas enquanto caboverdiano (estudante) que vive no estrangeiro ha alguns anos gostaria de saber como é que a populaçao local vem enfrentado esta novidade e quais tem sido as medidas tomadas pelas autoridades para sensibilizar as populaçoes.
Talvez seja um trabalho para sociologos, mas como o Sr Edmilson (sob reserva porque nao sei qual é a sua formaçao) se interessa pelo assunto também podera ter alguma informaçao.
Pelo que tenha lido nos jornais on-line do pais e por ai fora a importancia da Cidade Velha como patrimonio da Humanidade tem sido tratada sobretudo no seu aspecto historico o que tende a valorizar essencialmente o papel da ex-colonia neste processo. E Cabo Verde ? Afinal, apesar de ser uma cidade construida pelos Tugas para defender interesses economicos numa certa altura, o sitio também é considerado como berço da naçao crioula, neste sentido acredito que se podia aproveitar pistas para investigar (se ja houver algo feito ou alguém souber de algo que esta sendo preparado seria bom que me iformasse pois gostaria de ler) e conhecer a real importancia desta Cidade para Cabo Verde.
Obviamente, nao podemos dissociar a historia dos dois paises faz muito pouco sentido, nao é bem isso que estou a defender, apenas gostaria de ver valorizado o aspecto crioulo e neste sentido talvez seria o momento do pais propor outros sitios para patrimonio da humanidade.
Muito Obrigado
Estimado Carlos,
Em primeiro lugar gostaria de o agradecer pela leitura, apreciação e comentário do texto. Foi muito bom e despertou a minha atenção para uma realidade que, assumo completamente, que não passou ao lado da exposição mas teve, talvez, pouco desenvolvimento.
Realmente, a Cidade Velha foi primordial na formação e no desenvolvimento da nossa nação, por motivos que expliquei no texto, mas também, teve a sua importância para a metrópole. É claro que não podemos, de maneira alguma, como o disse e muito bem, desassociar a contribuição/importância que a Cidade Velha teve para a metrópole, como a nível económico, a nível da estratégia na rota quer para o Norte, quer para o Sul do Atlântico, tirando o maior proveito possível da sua situação geográfica privilegiada…
Em relação a sua pergunta, sobre a população local, confesso que, similarmente, apenas posso presumir que foi bem recebida a notícia por parte da população local, visto que, também, vivo no estrangeiro. Contudo, não podemos esquecer que este título, verdadeiramente, não beneficia apenas a população local, mas sim, todo o arquipélago. É um reconhecimento de nível mundial, que terá, certamente, a sua repercussão no desenvolvimento local e nacional.
Ora, se me perguntar se já estão criadas condições para que o Concelho de Ribeira Grande possa receber, condignamente, os visitantes? Ou, como esta a reagir população local em detrimento do título?
sinceramente, não sei responder. Foi neste sentido que fiz o apelo no artigo, para que, de facto, o governo, o concelho e a sociedade local e regional, criassem essas condições, que vai desde criação de infra-estruturas (físicas para acomodar e dar toda a assistência necessária aos visitantes …), dotar a sociedade local de meios e formação/informação necessária para a preservação do espaço classificado e a consequente divulgação. Mas, entretanto, esta não é uma tarefa apenas do Governo, do Concelho municipal ou da sociedade local, mas sim é uma tarefa de todos nós, estudantes, empresários, professores, historiadores, sociólogos etc. Se não estão criadas estás condições, temos de os criar, é, efectivamente, aí temos de entrar… eu como arqueólogo e historiador, sinto-me na obrigação de fazer os possíveis para a preservação, divulgação e, provavelmente, no desenvolvimento da localidade, porque, tenho a certeza que todo o investimento que provavelmente será feito localmente (…) terá, naturalmente, o seu retorno.
Se eu souber de, mais, alguns documentos que tenha alguma informação em relação a pergunta que me colocou, tomarei a liberdade de o informar.
Muito obrigado
Com os melhores cumprimentos,
Edmilson Varela
Sr. Carlos: Foi negrus livri di Sidadi ki finansia konstruson, na finais di sekulu XV, di igreja Nos Sinhora di Rozariu – uniku edifisiu di epoka di Sidadi di Ribeira Grandi ki txiga ti nos intaktu.
Tudu kes otu edifisiu – oji e ruina o rekonstruidu.
Igreja Nos Sinhora di Rozariu e, provavelmenti, mas antigu igreja di Afrika Subsaariana. El e mas antigu edifisiu intaktu di Kabu Verdi.
Sima N fla li di riba, otu elementu konstituinti di Patrimoniu di Umanidadi, e lingua kabuverdianu – un invenson kultural jenuinamenti di Povu di Kabu Verdi.
Bastante coerente suas análises históricas sobre Cabo Verde. Parabéns!!!
Caro jovem Edmilson
Muito pertinente este avivar a nossa memória e a história do nosso berço.
Concordo com tudo que disse. Agora julgo pertinente sublinhar o aspecto da preservação num outro domínio a saber: que o nosso património não continue a ser alvo de furtos pelos turistas, sem escrúpulos, para não falar das riquezas e despojos que se encontram nos navios afundados nas águas de Cabo Verde.
Ainda me doi a alma a venda de um estrolábio, que o governo da década de 90, fez numa casa de leilões em Inglaterra. O produto da venda não sei se foi para a Cidade Velha, para as investigações ou se perdeu no caminho de Cabo Verde…
Sabe que muitos azulejos, peças de canhão, pedras e outros foram levadas por turistas?
Pois é temos de defender e proteger o que é nosso!
Bali
HF
corrijo, astrolábio.
HF
Helena,
Muito obrigado pela atenção e pelo comentário …
Em relação a questão que levantou, confesso que é uma das minhas inquietações a política adoptada ao longo dos anos pelos governos em relação ao nosso património cultural, em particular sobre as nossas riquezas subaquáticas. Segundo dizem o Estado cabo-verdiano não tem possibilidades de recuperar essas riquezas, então a solução passa por permitir que os “piratas subaquáticos”, que supostamente possuem condições, explorem os nossos mares, dividindo com o Estado os lucros adquiridos. Infelizmente, este facto constitui um caso lamentável na nossa cultura.
Revelo que fiquei tremendamente chocado ao ver no programa “Bombordo” da RTP África, os “piratas subaquáticas” a fazerem escavações (sem nenhum método e rigor científico) no nosso mar e depois serem leiloadas (como moedas, peças e artefactos de ouro, prata e bronze, esmeraldas, peças de canhões e outros tipos de materiais escassos e raros, que constituem uma fortuna e que podiam abraçar e aumentar a nossa riqueza cultural) em Inglaterra ou num outro ponto qualquer, enriquecendo os seus museus nacionais em detrimento do nosso próprio beneficio. Sem falarmos nas peças roubadas e traficadas pelos turistas.
É preciso lutar, denunciar e juntamente com organismos competentes arranjar uma solução para este mal que afecta o nosso mundo actual – tráfico de património cultural -, fundamentalmente, no nosso caso que a única riqueza que temos é a nossa cultura.
É um assunto actual e pertinente, que requer muita reflexão e debate.
Muito obrigado pela sua pergunta.
Com os melhores cumprimentos,
Edmilson Varela