Em Portugal: e agora?
A integração dos estudantes cabo-verdianos em Portugal
Existe uma longa tradição de os estudantes cabo-verdianos se aventurarem por terras lusas a fim de continuarem os seus estudos a nível superior. O período de preparação para esta aventura, digo-o com conhecimento de causa, é carregado de excitação e de expectativas relativamente à experiência de viver e estudar num país diferente. Mas concretamente, qual é a realidade que se apresenta aos estudantes quando chegados a Portugal? Quais as dificuldades que enfrentam para se integrarem no meio universitário e na sociedade portuguesa? Este artigo pretende responder em parte estas duas questões esperando que os leitores possam reflectir sobre este tema, tanto partilhando as suas experiências, como apresentando propostas para acções concretas que possam contribuir para que este processo de integração seja mais rápido e com menos percalços.
A primeira preocupação é sempre o alojamento. O aluno caloiro é quase sempre recebido por familiares ou amigos, uma situação que poderá ser ela transitória ou não. Quando o é, o estudante tem duas opções, ou divide um apartamento com outros estudantes (quase sempre também cabo-verdianos) ou então solicita o alojamento numa residência estudantil dos serviços sociais da universidade. A escolha por uma destas opções nem sempre depende da vontade do estudante mas sim da situação financeira em que se encontra e o local onde estuda. Algumas escolas têm gabinetes de apoio a alunos de fora, nomeadamente aos que estão à procura da primeira casa. No entanto, o aluno só tem acesso a essas informações quando chega efectivamente à Universidade, já que não existe comunicação entre esses gabinetes/núcleos estudantis e um dos maiores intervenientes na recepção dos alunos, que é a embaixada de Cabo Verde, o primeiro local aonde os estudantes se dirigem quando chegam em Portugal. Ora, quando os alunos vão para uma cidade que não seja Lisboa e onde não existe um grande número de estudantes cabo-verdianos, esta falta de comunicação pode tornar-se um verdadeiro problema para o estudante que poderá ter de ir para a cidade da sua universidade completamente às escuras sem ter ninguém para o receber e o ajudar a instalar-se. Patrícia, uma estudante que reside em Faro, diz “Só fiquei a saber do núcleo dos estudantes africanos quando fui à faculdade. Ajudaram-me a procurar casa, a inscrever-me na faculdade e orientaram-me no primeiro dia de aulas” e acrescenta que, se assim não fosse, iria sentir-se completamente perdida tendo em conta que era a primeira vez que ia estar totalmente por sua conta.
O alojamento não só é importante porque é o primeiro passo para se estabilizar num país novo, mas também porque determina, em grande medida, a integração no seio dos estudantes cabo-verdianos, portugueses e da comunidade cabo-verdiana residente em Portugal. Os alunos que partilham um apartamento com outros alunos cabo-verdianos facilmente integram-se na comunidade estudantil cabo-verdiana em Portugal, já que esta se torna parte do círculo mais próximo do estudante. A desvantagem é que nesses casos a interacção com alunos portugueses fica muitas vezes condicionada à faculdade, retirando assim parte da oportunidade de integração num meio completamente diferente daquele que deixamos para trás. A situação é diferente quando o aluno instala-se numa residência estudantil onde normalmente os residentes vêm de todos os cantos de Portugal e não só. Se o aluno opta por ficar com algum familiar, fora as amizades que estabelece no meio escolar tem a oportunidade de conviver com a população cabo-verdiana não estudantil, e inteirar-se de uma realidade completamente diferente da do ambiente universitário.
Relativamente ao processo de adaptação nas universidades, este depende de vários factores, como por exemplo, a correspondência do curso às expectativas criadas. Quando o curso não vai de encontro às ambições dos estudantes tende a gerar um sentimento de frustração que tem como consequência o mau aproveitamento escolar. Carla, estudante em Lisboa, diz “Desiludi-me com o curso. O conteúdo não era nada do que estava à espera. Afastei-me da faculdade, não tinha motivação para ir às aulas. Isolei-me completamente. Acabei por chumbar. Mas insisti e já estou no fim”. Contudo, isso nem sempre acontece, alguns acabam mesmo por desistir como é o caso da Ana: “Ir às aulas tornou-se uma tortura. A verdade é que não estava disposta a empenhar-me num curso que não me dizia nada. Desisti, fiz um curso técnico em turismo, e como gostei, tenciono formar-me nessa área”. Porém, mesmo que não se tenha de enfrentar problemas quanto às expectativas relativas ao curso, os estudantes têm que lidar com a adaptação a um sistema de ensino novo, mais exigente, ao mesmo tempo que aprendem a gerir o seu dinheiro e a estar totalmente por conta própria. Se a isso se acrescentar a ausência dos pais, e, grande parte das vezes, dos amigos mais próximos, para proporcionarem o suporte emocional, a pressão que pesa sobre o aluno é ainda superior. “Eu fui para Faro e os meus amigos ficaram em Lisboa. Adaptar-me à cidade, à faculdade e ao mesmo tempo preocupar-me com as contas e a comida sem ter ninguém por perto para me apoiar foi desesperante. Mas, habituei-me e hoje estou prestes a concluir o meu mestrado” desabafa Patrícia.
Contudo, apesar dos problemas que surgem ao longo da estadia em Portugal, a verdade é que findo o curso, os estudantes quando deixam Portugal, mais do que um diploma, levam experiência de vida, caracterizada por uma maior independência, espírito de luta e capacidade de adaptação a vários ambientes.
Revi-me neste post pois apesar de ter vindo a portugal de férias, sair do meu país para vir estudar foi uma grande mudança. não só as saudades de casa, a emoção de começar uma nova fase da minha vida.
Aprendemos a ser independentes, a andarmos pelos nossos pés e se estivermos abertos, conhecemos pessoas que vêm de outras realidades. Tudo isso enriquecenos como pessoas se soubermos tirar desta experência tudo o que ela nos pode oferecer.
Atenciosamente
Caro A.C Silva,
obrigada pelo seu comentário. O objectivo do artigo não só é dar a conecer a realidade que se apresenta aos estudantes quando chegam a Portugal mas também fazer com que pessoas como tu se revejam neste artigo e partilhem um pouco da sua experiência.
Atenciosamente
Helderyse mi n ta otxa ke na kestau de sirkulo de estudantes divia izisti nao so pa inteirá kaloiros, das ajuda na alojamento, ma tambem pa mostras kultura purtuguesa, pa maltas abri mente, pas ka fka mut pegod na terra, purke la tem tont pa deskubri, tont gent, i tb é m forma de ranja contactos pro futur. Por is maltas bzot think out of the box
Tertúlia de Estudantes CV em PT
A vida de um estudante cabo-verdiano em Portugal traz como principal exigência uma maior autonomia intelectual, académica e de extra-académica. De certa forma a entrada nas universidades representa para muitos a entrada no mundo adulto, no qual há uma maior liberdade para cuidar do próprio.
O universitário cabo-verdiano não estuda pelo dinheiro, mas pelo conhecimento que mais tarde pode transformar em dinheiro, sendo assim, leva uma vida dura, mas saborosa. Os estudantes CV estão sempre na penúria financeira, “ lisos” “quebród nem Djóza”, tem como alojamento republicas, apartamentos repartidos e raramente vivem em casas familiares, não comem melhor comida do mundo, massa com atum, massa com salsicha, linguiça, chouriço, massa com massa… bebem cerveja, vinho e sumo do barato e só é preciso sentir a fome para cozinhar a qualquer hora do dia ou da noite e transformar a comida num manjar dos deuses. A longa tradição dos universitários cabo-verdianos em Portugal faz com que esses sejam os mais conhecidos dos estudantes estrangeiros no país, considerados simpáticos pelos “compinchas” da faculdade, sofredores e batalhadores pelos docentes, pesadelos dos vizinhos… Há centenas de crónicas caricatas de estudantes CV, malabarismos intermináveis em finanças, lazer, estudos, namoros, festas, companheirismo e um sem número de peripécias ao longo dos anos passados nas universidades. Estar na universidade nem sempre é conhecer o que esta nos livros, mas sim conhecer novas culturas, formas de agir das pessoas, vivencias de um crescimento individual. È impressionante a disposição dos jovens cabo-verdianos nessa fase de vida, empolgante, instrutivo e por vezes muito caricato e com peripécias inesquecíveis de fazer rir os protagonistas e os que ouvem esses relatos.
P.S. Senhorita Helderyse Rendall , só queria realçar as tertúlias dos cabo-verdianos universitários após a chegada e os dissabores mencionadas no texto.
Abraços, Helder Sousa
Olá Helderyse.
Gostei muito do teu artigo e acho que a situação que descreves é comum a todas e todos! Eu costumo dizer, assim como referiste que mais do que os meus certificados e a tal “nacionalidade” que agora temos direito, levo uma experiência única. Hoje sinto-me que sou uma Mulher formada não porque estudei, mas sim porque aprendi a ser alguém. Aprendi a olhar pelo lado positivo da coisa, mesmo quando as situações eram menos boas. Nós em Cabo Verde estudamos, empenhamos para conseguir uma bolsa de estudos, ou então não, mas a verdade é que quando cá chegamos para além do “estudar”, literalmente falando, fazemos N coisas que se calhar não estávamos habituadas(os) a fazer. E gerir isso tudo é sem dúvida uma experiência única!
Eu hoje, sinto que se tivesse ficado em Cabo Verde que não seria a mesma pessoa. O facto de estar longe de tudo e de todos é que nos faz crescer. Ter os nossos pais por perto impede-nos de certa de forma de valorizar as coisas. Nós aqui aprendemos a valorizar coisas que se calhar para nós antes eram insignificantes ou não era assunto para nós como pagar as contas, ir ao supermercado e ter discernimento ao fazer as compras, porque sabemos que directa ou indirectamente se não formos cautelosas (os) seremos os únicos a sofrer as consequências. Isto é sem dúvida aprender a ser alguém. É sem dúvida a melhor experiência que alguém pode viver!
Quando chegarmos à Cabo Verde para começar a exercer a nossa profissão, nada disso será novo. Levamos connosco uma bagagem que ser-nos-há útil para sempre. Aprendemos a pensar duas vezes antes de tomar qualquer decisão, por mais pequena que possa parecer. Pelo menos falo por mim!
No entanto eu tenho uma posição um pouco crítica em relação à forma como a esmagadora maioria dos Cabo-verdianos levam a vida em Portugal. Eu sou contra os estudantes Cabo-verdianos que se fecham no mundinho deles! Eu sou contra os cabo-verdianos que a rotina é: aulas – almoçar com os amigos Cabo-verdianos – biblioteca (à vezes) com os cabo-verdianos – apanhar o transporte para ir para casa com os amigos caboverdianos – chegar a casa com os amigos caboverdianos – voltar no dia seguinte às aulas com os amigos caboverdianos – ir às discotecas com os amigos caboverdianos….enfim podia continuar aqui a descrever N situações em que nós enclausuramos no pequeno Cabo Verde que há cá em Portugal e que nos impede de perceber que lá fora há um mundo diferente que também poderia ser útil para este processo de formação como cidadãos. Infelizmente, esta é a realidade que se vive em Portugal e quiçá noutros países. Os Cabo-verdianos esqueçem-se que estão num país diferente e que há muito para aprender!
Todas as situações que eu descrevi acima já fiz e faço sempre que tenho oportunidade! Mas faço isso e muito mais. Tenho N amigos cabo-verdianos mas não só: Angolanos, Moçambicanos, Itlianos, Gregos, Italianos, Romenos, Ucranianos, Espanhóis e a lista continua…Eu valorizo cada pessoa que passa na minha vida. Porque haveria de valorizar apenas os meus amigos Cabo-verdianos? Porque não “deixar” ser amiga(o) de outras pessoas com culturas diferentes, com experiências de vida diferentes, com um mundo para nos mostrar, assim como nós também temos um mundo para lhes mostrar?
As vezes paro para pensar e sinto-me realizada por não ter ficado presa ao mundo cabo-Verdiano cá em Portugal. Adoro estar com os meus amigos Cabo-verdianos, adoro falar o Caboverdinao, adoro tudo o que é meu! Mas o meu “EU” é muito mais do que isso. O EU é saber dar e receber. O meu EU é saber aceitar o que é diferente do meu. E isso é o que falta a muitos de nós. Há dias uma amiga dizia-me: mas tu até amigas gregas tens? Como é que consegues? Parecs uam tuga! Eu ir para discotecas de brancos nem pensar! Prefiro ir ao Mussulo. … Eu também não me importo de ir ao Mussulo ou outro sítio mais “AFRO” qualquer. Mas quando apetece-me ir a um ambiente diferente dei que posso ir e serei benvinda. Eu não me importo com a raça mas sim com as pessoas, e muitas vezes sinto que nós os Cabo-verdianos só queremos o que é nosso. Ou então temos alguma dificuldade em aceitar o alheio. Há dias entre lágrimas no aeroporto despedía-me de uma amiga erasmus que regressou para Itália e parecia que uma parte de mim ia com ela. Mas depois pensei: porque chorar se ja em Maio vamos estar juntas no Rock in Rio, ou se posso ir ter com ela num fim de semana? O melhor é pensar no que ficou. A amizade que durará para sempre!
Confesso que às vezes fico boqui aberta quando um ou outro Cabo-verdiano abre a boca e começa a falar Português cm alguém…Em casos necessários. Ainda fico impressionada ao ver estudantes universitários que estão cá há mais de 4 anos e não sabem falar o Português minimamente bem! Se calhar é por influência da minha formação académica (Linguìstica), mas ainda fico chocada com certas situações. Como é que se pode dizer que está-se no último ano do curso X quando ainda tens dificuldade em expressar-te em Português a tua língua Oficial? A única explicação que eu encontro para isso está na situação supra descrita por mim! Nós não podemos ficar enclausurados ao que é nosso. Como praticaremos o Português se nós não damos a nós mesmas (os) essa oportunidade? Aponto aqui o caso da língua apenas para mostrar que para além do lado boémio e das amizades, também intelectualmente temos muito a perder se continuarmos fechados ao que é nosso!
E assim vou eu vivendo cada dia de forma diferente, sem nunca me esquecer das minhas raízes! Sem nunca me esquecer que quando aqui em Portugal tenho um pequeno Cabo Verde, mas também um Grande Portugal (ou Europa) por descobrir. Aqui vou eu aventurando por Lisboa, entre uma tese de mestrado…e uma ida ao ondeando… e uma ida ao bairro alto…. e uma ida ao doc´s… e uma semana enclausurada em casa a estudar … e um jantar algures no bairro…e a pensar que vem aí mais uma reunião com as mentoradas feministas de Lx e Porto…e uma tarde perdida na net a procura de bilhetes baratos easy jet para ir ao encontro de estudantes em Mykonos….porque esta é a única oportunidade que eu tenho de ser alguém melhor. Esta é a oprtunidade que eu tenho de viver antes que me afogue em trabalhos sem tempo para respirar ou para ligar aos amigos….esta é a oportunidade que tenho de ser alguém, para além do que eu sou sem nunca me esquecer do meu EU….
Deixo aqui a minha experiência apenas para que possamos juntos reflectir na nossa situação aqui em Portugal…Nós temos muito para dar e há sempre alguém por aí na mesma situação que nós. Basta olhar para o outro sem pensar que se calhar ele é racista. Basta sermos nós próprios, se não funcionar, como costuma-se dizer: Vai um vem mil! Não temos nada a perder!
Olá,
Com agrado li os comentários e consequentemente veio à memória um conjunto de recordações sobre pequenas conversas que tive e continuo a ter com os meus primos que chegam todos os anos de Cabo Verde para estudar em Portugal.
Revejo as imagens sucessivas dos discursos que tinhamos sobre as comparações dos comportamentos e dos modos de vida em Portugal. Com curiosidade pergunto sempre se o que consideram ser problema não será por vezes a incapacidade de aceitar o desconhecido ou se provêm da insegurança promovida por um conjunto de receios que no extremo da experiência própria de cada um podem “alimentar” estigmas.
Penso que todo o estudante deveria ter acesso a uma pequena brochura intitulada “Livro do Caloiro Caboverdiano em Portugal” em que as perguntas frequentes teriam as respostas esclarecidas e numa lista estariam identificados os locais/entidades/contactos úteis que todos devem conhecer quando chegam a Portugal.
Concordo com o descrito nas experiências pessoais retratadas e reforço a questão de que todo o estudante que tenha de deslocar-se da sua “zona de conforto” ou seja, residência habitual e/ou cidade em que vive irá sempre encontrar a diferença retratada no ritmo de vida contudo, a aceitação terá de ser um crescimento interior do próprio quando tenta se integrar na comunidade da qual passa a fazer parte assim sendo, é crucial o apoio dos estudantes residentes para ajudar na adaptação e na integração social para que a vida académica seja um percurso positivo com experiências memoráveis.
A ocupação dos tempos livres e o dia-a-dia são sempre preenchidos por tarefas que passam a ter nova prespectiva porque tudo o que era assumido por parentes (pais, irmãos, amigos…) assume uma nova rotina e terá muitas vezes de ser um período de aprendizagem lento e gradual para lidar com pequenas situações como a organização das tarefas domésticas e a gestão de questões financeiras pessoais.
A predisposição para a aceitar a nova etapa da vida do estudante começa na escolha da continuação dos estudos em Portugal e a preparação para a nova fase da vida é crucial para minimizar as dificuldades e o livro pode ajudar a criar um conjunto de recursos que por vezes não são considerados quando se faz a opção de estudar num país diferente de Cabo Verde.
Em Portugal existem um conjunto de entidades que dão apoio aos estudantes e que não divulgadas da melhor forma como seria de desejar no entanto, já se verificam melhorias no acesso à informação mas, as associações caboverdianas têm um “papel” fundamental porque devem ser os intermediários para que os estudantes possam ultrapassar as pequenas dificuldades que encontram para a sua integração na comunidade portuguesa de forma a, valorizar o conhecimento/descoberta da cultura portuguesa, valores, tradições e costumes. O acesso à informação permite a fácil integração na comunidade no âmbito social e profissional porque os eventos sociais são importantes para desenvolver um conjunto de aptidões como o domínio da língua portuguesa mas, o exercício da profissão em Portugal serve de referência para todos os jovens que muitas vezes estão indecisos e desmotivados com o percurso da sua formação académica.
A comunidade caboverdiana em Portugal tem de ter mais profissionais caboverdianos que sejam vistos pelos jovens como referências de forma a estimulá-los para a conclusão dos cursos e contribuirem para a comunidade de forma positiva e construtiva independentemente da sua área de intervenção.
Volto a reforçar uma frase dita por uma referência da comunidade caboverdiana em Portugal em que: “O cabo-verdiano para ser mesmo cabo-verdiano deve estar integrado!”