Geração perdida?
A menos de um lustro da terceira década de vida, amparado no conforto social que confere uma licenciatura, contemplo o meu percurso.
Filho de cabo-verdianos nascido em Portugal… mais uma semente do arquipélago plantada no mundo na saga da diáspora.
Recusei-me a ser português de segunda, pugnando pelos direitos e assumindo-me como cidadão de plenos direitos quando me mandavam “ir para a minha terra”… esquecendo-se de que a nossa existência é demasiado efémera para que possamos reclamar uma terra como nossa. E ignorando que o maior legado herdado dos nossos egrégios avós foi uma diversidade cultural e étnica que se funde numa única língua.
A vida obrigou-me a ultrapassar o ostracismo gerado pela minha tez morena, afirmando-me em virtude das minhas qualidades, tentando não conceder veleidades que permitissem a discriminação em função da minha ascendência.
A vida é uma constante batalha. Por vezes não sabemos para onde ir; urge por isso a necessidade de saber de onde viemos.
Recordo com nostalgia todos aqueles que viviam entre dois mundos como eu… tantos se perderam!
Terá sido uma geração perdida?
Não me refugio na xenofobia para justificar os erros da minha geração. Não acredito que estejamos predeterminados — ou que a circunstância (adversa) nos empurre inexoravelmente — para o fracasso.
Subscrevo Ortega y Gasset: “Eu sou eu e a minha circunstância”, mas cada Homem constrói a sua história.
Hoje assumo-me feliz e orgulhosamente como luso-cabo-verdiano — não navego entre duas realidades antagónicas. Sou um ente único, como todos, mas que tem na sua génese duas culturas que se fundem e se complementam, e tento abarcar o melhor de ambas.
Plagiando Sócrates, afirmo que mais que português ou cabo-verdiano, europeu ou africano… sou um cidadão do mundo.
O cabo-verdiano é um povo nómada — “esse destino cigano que Deus dá-me”, como cantava o saudoso Ildo; compete-nos a integração ao país onde estamos e disseminar o nosso espólio cultural, de modo a promover um futuro sólido às gerações vindouras.
Nota do autor
Este artigo visa desvelar uma realidade que os cabo-verdianos nascidos nas Ilhas não enfrentam. Não pretendo transmitir uma realidade hostil, generalista ou redutivista da sociedade onde me edifiquei como homem, porque tal não corresponde à verdade.
O racismo existiu, existe e existirá enquanto o homem continuar a abordar o que lhe é desconhecido com receio e desconfiança em vez de o aceitar com curiosidade e de braços abertos.
O racismo não é uma questão social ou cultural, senão ignorância pessoal.
Ai é, uma licenciatura em Portugal confere um “amparado no conforto social”? Mesmo para um filho de caboverdiano nascido em terras lusas?
Honestamente não tenho esta percepção das coisas nem em Portugal nem na Europa mais globalmente.
O que se vê na televisão e se lê em estudos sociológicos é precisamente o contrário, e não apenas para os jovens imigrantes na Europa mas para toda a juventude europeia, branca, árabe ou negra.
Enfim, já agora porque é que se assume como luso-caboverdiano e não como cabo-português. Como luso-caboverdianos tem a certeza de que os nossos avós, nós os caboverdianos, eram egrégios, como canta o Hino Nacional português?
Kakói
Você volta aos insultos. Não traz nada de positivo, é só desrespeito, arrogância e complexos de superioridade. Afinal quem será você? O seu objectivo é afugentar as pessoas?
Onde está o teu valor acrescentado aqui, Pipiri?! Tudo o que escreveste aqui já tinha sido abordado por outros leitores; Tudo!!
Sim, sou arrogante, onde está o problema?! Sim, sou-te superior intelectualmente, onde te dói?!
Sim, pago sempre na mesma moeda. Foste tu a insultar-me; limitei-me a dar-te o teu troco! E se me provocares outra vez, arraso-te! Já te disse que não gosto de analfabetos culturais.
Se quiseres de facto debater, então traz lá matéria com referências.
Não basta redacções do antigo quinto ano dos liceus. E não sou eu a pôr as regras; elas foram ditadas por esses jovens donos deste portal que nos dizem terem o grau de Mestrado. Logo, isto aqui não é para iletrados nem par vendedores da banha da cobra!
Como Caboverdiano assumido e tendo também vivido sobre o domínio colonial portugues, e também ter feito a transição cortural patriarco e ao mesmo tempo ter sofrido a descriminação de toda a espécie em Portugal apó o 25 de abril.
É por essa e por por outras que vim me descobrir como cidadão universal mas em primeiro lugar, como Caboverdeano que é o que realmente sou. nada de Luso-Caboverdeano. Não pretendo ser algo que convem o momento.
Um abraço Francisco Silva-Rotterdão
Sou também cidadã do mundo. Nasci nas ilhas, cresci em Luanda e Portugal, mas tive essa necessidade de regressar à terra onde está o meu umbigo, em parte pela exclusão que os portugueses faziam-nos na década de 70/80. Queria ter referências…
Mas como diz a Marise sou da colheita de 1964 apurada em muitos verões e primaveras… mas sinto-me parte da lusofonia, tenho de estar pelas partes do mundo onde estive.
Bali
HF