Esmiuçar os Partidos Políticos em Cabo Verde

Suzano Costa

As Juventudes Partidárias em Cabo Verde: Alhos & Bugalhos?

A análise do espectro político-ideológico cabo-verdiano, nas suas múltiplas dimensões e modalidades de expressão, tem geralmente prestado a leituras políticas enviesadas tributárias do favoritismo partidário (que envolta a retórica discursiva dos articulistas), produtoras de um discurso legitimador teleológico, i.e., autênticas receitas de tipo ideológico apropriadas e instrumentalizadas pelos partidos políticos para alargar a sua estrutura de oportunidades eleitorais.

Com o propósito analítico de desconstruir o discurso legitimador dos partidos políticos e o seu fraco enraizamento na sociedade civil, concentrar-nos-emos, por agora, sobre o espectro, a acção, a estrutura organizativa e as orientações estratégicas das juventudes partidárias, percepcionadas como um microcosmo político-partidário.

Um olhar holístico, matizado e transversal remete-nos indubitavelmente a um universo multifacetado de interrogações, também elas teleológicas admito, não comummente analisadas por uma abordagem que se quer isenta, imparcial e descomprometida com a cegueira partidária que pulula o imaginário e os mapas mentais de parte significativa dos nossos opinion-makers. Senão vejamos…

Serão as juventudes partidárias meros instrumentos de doutrinação política e formação ideológica dos partidos? Constituem instâncias privilegiadas de socialização política? Ou se afiguram como autênticos mecanismos de instrumentalização pessoal e alavanca propulsora de um carreirismo político futuro? Representarão o reservatório do ideário político-ideológico dos partidos, sua fonte de legitimação ideológica a menor escala ou plataforma de “domesticação política” dos que professam do oportunismo carreirístico como mecanismo de mobilidade social ascendente? Continuarão, ainda hoje, a veicular o discurso panfletário das supra-estruturas partidárias que politicamente as suporta?

Num país onde a participação cívica e política se circunscreve única e exclusivamente aos momentos eleitorais, não constituiria labor das juventudes partidárias ocupar esse vazio através da mobilização de estruturas intermédias de participação e socialização política, consciencializar a juventude para a tarefa de empreenderem um debate crítico, emancipador e mobilizador sobre questões estruturantes, e quiçá fracturantes, do país? Revela-se tarefa hercúlea cumprir na íntegra todos estes pressupostos dada a carência de recursos e estruturas disponíveis para o efeito, mas a experiência prática evidencia comportamentos pouco abonatórios e incongruentes com os propósitos que deveriam presidir a orientação estratégica das jotas partidárias.

Ao invés de uma crítica intersubjectiva, aberta e consequente sobre as questões centrais da governação política, económica, social e cultural da nação, as jotas partidárias, tem reproduzido, em jeito de seguidismo político, o ideário que preside as lutas políticas e disputas ideológicas, sempre inócuas e estéreis, dos respectivos partidos políticos, num arquipélago em que a orientação ideológica não constitui um móbil político-eleitoral.

Outrossim, as juventudes partidárias têm constituído terreno fértil/espaço privilegiado para actualizar e intensificar disputas políticas das diferentes facções intra-partidárias: os alinhamentos políticos que se estruturam durante os pleitos eleitorais que elegem a liderança das jotas partidárias são sintomáticos do facto supracitado e reflectem lógicas clientelares e de cooptação política, consubstanciado o apoio deste ou daquele membro do partido-mor, a esta ou aquela candidatura jota, isto é, velhas disputas políticas e ideológicas perfilam-se sob a égide de um novo respaldo institucional (jotas).

Convenhamos, e admitamos, sem pseudo retóricas políticas, o seguinte: as juventudes partidárias representam autênticas fileiras de recrutamento político e viveiros para o carreirismo político. São sobejamente conhecidos entre nós casos de instrumentalização deliberada do movimento associativo, sindicatos e ordens socioprofissionais para fins de dirigismo político-partidário, promiscuidade política e prostituição intelectual. No entanto, a trajectória política da esmagadora maioria dos indivíduos que trilharam por esse ignóbil percurso tem sido semelhante (um autêntico déjà vu), e em muito dos casos ela tem sido efémera e inglória, apanágio de um trajecto em si mesmo titubeante, edificado sobre bases políticas fragilizadas e presidido por lógicas marcadamente clientelares.

A inoperância das juventudes partidárias tem explicações históricas porque os partidos políticos estão fracamente enraizados na sociedade cabo-verdiana, e não emergiram de clivagens sociais, políticas, económicas e religiosas relevantes e/ou potencialmente fracturantes. Este facto incontornável do espectro político-ideológico nacional explica a enorme volatilidade eleitoral e a acentuada dificuldade em traçar o perfil tradicional do eleitor cabo-verdiano, ele também e como sempre, com as suas especificidades. Afinal de contas somos especiais, como se tornou corriqueiro dizer pelas paragens tropicais, sempre quando não se vislumbram explicações científicas e empiricamente validáveis, perante factos sociais que desafiam a análise política dos opinion-leaders da praça.

O porquê da opção por uma carreira político-partidária? Vários argumentos podem ser coligidos como factores explicativos do móbil político individual, mas a verdade é que ultimamente um segmento considerável de jovens tem se identificado partidariamente porque consciencializaram que esta constitui a única possibilidade de alargarem a sua estrutura de oportunidades profissionais, num país em que a administração pública e os cargos de topo da hierarquia funcional das instituições públicas são, na sua maioria, completamente partidarizados.

Em abono da confiança política (compreensível), e sob artifícios retóricos de ocasião, os dois principais partidos políticos que até então sustentaram o governo tem professado religiosamente essa prática de partidarização generalizada da administração pública. Consequências? As alternâncias políticas e as alterações de governo provocam, como é natural diriam, a substituição em cascata de toda a máquina administrativa começando pelos directores dos liceus, também eles politizados, passando pelos directores gerais, assessores e respectivas secretárias etc…,e em muitos casos, a despromoção daqueles que estão na base da pirâmide societária (motoristas, empregadas de limpeza, guardas nocturnos, porteiros etc.).

Todos vão para a prateleira, com todas as consequências pessoais e de sustentabilidade do orçamento familiar que isso acarreta, para não falar do ritmo de trabalho que a administração pública perde porquanto os newcomers terão, como é natural, o seu tradicional tempo de engrenagem no sistema, juntando a tudo isto os atrasos da praxe, as intermináveis conversas de corredor e intrigas, o sol abrasador, a amena cavaqueira de que o ilhéu não prescinde e o célebre manusear da revista Maria/Ana/Mariana (dependendo da moda) da senhora da recepção, geralmente com mau feitio, que se entretém com a leitura da secção eles & elas onde uns, através de cartas endereçadas ao psicólogo de serviço, debitam os seus desejos, fantasias e frustrações sexuais. Give me a break…

Enfim, esta é uma, entre várias posições existentes sobre as juventudes partidárias em Cabo Verde, todas elas legítimas e plausíveis à luz das lentes com que o articulista e os leitores constroem a sua visão do mundo…Esta é a minha e o texto apenas engaja o seu autor. Agora, como diria o saudoso e malogrado Zeca Afonso, venham mais cinco… armados de pedras, latas e chicotes a este meu, teu e nosso Pelourinho. Parafraseando o a.k.a Underdôglas é o free speech no seu esplendor…o esplendor do caos diria o ensaísta luso Eduardo Lourenço.

O manifesto apartidário continua, e como sempre, subrepticiamente já que a “cegueira política” e o ”carneirismo partidário” insiste categoricamente em ignorá-lo, ostracizá-lo e desprezá-lo, quando tais sinais de descontentamento poderiam constituir uma janela de oportunidades sem precedentes para que os partidos e as suas jotas melhorassem a sua performance política e a relação com os cidadãos.           

Suzano Costa

*suzanocosta@yahoo.com.br

31 comentários

  • Adilson Tavares diz:

    O artigo é bém elucidativo. Problematiza de uma forma clara, transparente e cosistente um dos maiores problemas das sociedades actuais. Assiste – se uma politização e partidarização dos bens publicos, na qual traduz -se na falta de escrúpulos pelo cumprimento das regras de um “Estado de direito e democrático” em detrimento da currupção, atravês de clientelismos políticos, redes de contactos irformais e por conseguinte a falta de transparência na gestão da coisa publica.
    As consequências são sempre claras: um mau desempenho institucional; as políticas publicas bastantes currumpidas, pondo em causa os valores fundamentais de uma sociedade como, o mérito, a igualdade de oportunidades, bém como a falta de rigor quer no que concerne ás políticas sociais de combate á pobreza, no acesso ao emprego, á educação, e de redestribuição de rendimentos. A política existe, e tem a sua relevãncia para uma sociedade, como costuma dizer ” a política é arte de bém governar”, mas para que isso aconteça, não deve ser encarada como meio para alcançar determinados objectivos ilicitos, como a usurpaçâo dos fundos publicos para fins pessoais , favorecimento de familiares proximos, e amigos. Para que haja um verdadeiro desenvolvimento sustentávél e traçar linhas programáticas a ser concretizadas a curto, médio e longo prazo, e por forma a atingir objectivos siginificativos em matéria da uma boa governação, constitui um impertativo o respeito por estes pequenos pormenores que a priori parecem ser irrelevantes, como por exemplo a execução das políticas governamentais, á luz das regras pré – estabelecidas.

  • José Luís neves diz:

    Bem, meu Caro Amigo eu não vejo as coisas como tu vês. As nossas lentes são muito diferentes. É verdade que as Organizações Político-Partidárias tem muitos defeitos assim como todas as Organizações quer sejam empresariais ou religiosas ou outras quaisquer. Não existem Organizações perfeitas. As diversas Organizações também são um pouco o espelho da sociedade onde estão inseridas. Portanto, a meu ver a análise deve ser dos dois lados. E, por isso, aproveito para te lançar uma questão: são os Partidos políticos que instrumentalizam os Jovens e a sociedade em geral ou são os jovens é que vêem nos Partidos uma forma de alcançarem determinados objectivos. Não achas que os Partidos em Cabo-verde também são muito instrumentalizados pelas pessoas que hojem estão num Partido e amanhã estão noutro conforme o vento soprar? Sim, podemos analisar a questão dos dois lados e não ver apenas os Partidos como uns Senhores que criaram uma grande teoria de manipular tudo e todos com o simples intuito de se perpetuarem no poder. Se me permites aqui aproveito para dizer-te que acho a tua visão um pouco enviesada e anti-partidos. Eu acho legítimo que os Partidos tenham a sua estratégia de legitimação política e conquista de poder. Acho legítimo que as Juventudes Partidárias funcionem como escola de formação política. Condeno os Partidos que não olham a meios para conquistarem e perpetuarem no Poder. Mas tu sabes melhor do que eu que os Partidos são um dos pilares fundamentais da Democracia. Todas as Organizações são dinâmicas e evoluem e aperfeiçoam ao longo dos tempos. Em Cabo-Verde temos de lutar para determinadas práticas não assentar arraiais na. Se analisarmos os estatutos das Jotas descobrimos que são Organizações que foram criadas com objectivos nobres. Para terminar, digo-te que quero crer que o estádio da nossa democracia e do nosso desenvolvimento também podem ser as causas de muitos males que enfermam o nosso regime. Muita Pobreza, um Estado que ainda é um grande empregador, muita luta pela sobrevivência etc. A consolidação da Democracia dificilmente se consegue sem uma aposta clara na qualificação e formação das pessoas e no combate à pobreza. O debate continua.

  • Liz Kabêl diz:

    Meter-me num mesmo parágrafo onde está o artista revolucionário de esquerda Zeca Afonso é brincar comigo, não achas Suzano? Ou então é estar a provocar-me para eu aparecer.

    E’ que tu sabes que as minhas referências nõ têm nada a ver com comunistas e socialistas. Fico chateado pois quando descubro o meu nome quase ao lado do de Zeca Afonso.

    Vejo que continuas incorrigivel! E ‘ um mal que apanhou os jovens. As vossas referências politicas e culturais são quase todas desse mundo que eu tão combato e abomino. Esse mundo de esquerda que deu cabo dos nossos horizontes e que continua a monopolizar todo o discurso politico e cultural em Cabo Verde.

    E’ que mesmo o MPD não conseguiu até hoje desenvençilhar-se dessa roupa suja! O PAIGC com a ajuda dos comunistas portugueses invadiram Cabo Verde em 1974 e formatou as mentes daqueles que tinham então 15/20 anos. Assim até hoje temos uma sociedade dominada pelos velhos do mato que tinham então 30/50 anos e nós que tinhamos 15/20 anos.

    Toda uma tropa que ficou arregimentada ao PAIGC à força ou a jeito! Logo era o Partido africano mais a sua juventude africana. Era o PAIGC que constituía a sociedade, o país. Tudo girava à volta dele; logo também a sua invenção juvenil a JAAC! Nada pois de estranhar que as juventudes sejam partidárias, pois quer a JAAC, quer a JPD depois, foram criações dos respectivos partidos PAIGC e MPD.

    Os próprios dirigentes do país ao mais alto nivel José Maria Neves, são invenções dos partidos; Neves, foi dirigente da JAAC. Alias todos os actuais politicos do governo e do PAICV vêm da escola da JAAC.

    A juventude caboverdiana foi assassinada pelo PAIGC, pois todo o jovem que não estivesse inscrito ou não estivesse próximo da esfera da JAAC, era apontado com o dedo, era tido como reaccionário, logo eliminado. Em 1974, quando o PAIGC chegou em Cabo Verde, havia uma forte sociedade civil juvenil em torno dos clubes, grémios e grupos juvenis que dominavam a vida cultural, desportiva e social das cidades e periferias.

    O PAIGC deu cabo de todo esse viveiro transformado à força em JAAC. Foi um crime que se cometeu então em nome do partido único. Com abertura politica, veio o MPD e sua juventude, mas eram filhos do regime de partido único, logo não mudaram as mentalidades.

    Alias o ultimo discurso de Veiga na convenção do MPD é um documento politico importante e histórico pois aborda o aspecto fulcral que tem a ver com o ter deixado intacto todo o aparelho politico-ideológico do regime de partido único inteiro e em acção.

    O MPD foi pois também criminoso, porque não desmantelou o partido de democracia nacional revolucionária, deixando impunes os arquitectos duma filosofia politica que cometeu crimes hediondos em Cabo Verde.

    Conclusão: se temos hoje ainda jovens bem preparados cujas referências continuam a girar à volta duma esquerda balofa e revolucionária é porque Cabo Verde foi assaltado por revolucionários comunistas com os seus slogans de pacotilha como as de Zeca Afonso que endormeceram mentes mais distraídas.

    Graças a Deus nws

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caro Adilson Tavares,

    Obrigado pela leitura do artigo e por corroborares com a problematização que o encerra…

    A partidarização da administração pública, a politização dos cargos de topo da hierarquia funcional das instituições e a permanência de lógicas clientelares no recrutamento político e administrativo em Cabo Verde é evidente. Trata-se de uma prática “secular”, característica do modus operandi do homus politucus berdiano e dominante no modus actuandi dos dois principais partidos que, até então, têm dominado o espectro político-ideológico nacional.

    Não escamotiemos a questão: é sabido que persistem, ainda, lógicas clientelares no recrutamento político e administrativo, e tendências de patronagem política notórias, basta observarmos a ascensão efémera e repentina de muitos aos cargos de topo da administração pública, ou a persistência de critérios duvidosos nos pseudo concursos públicos, onde à partida os critérios de selecção beneficiam previamente uns em detrimento de outros, para não falar de critérios de carácter subjectivo, baseados no género, na cor político-partidária, na proviniência académica, ou no peso do apelido e sobrenome, determinados exclusivamente pelo recrutador à revelia de critérios objectivos.

    Descortinando melhor a persistência critérios subjectivos em concursos públicos: (i) o género poderá funcionar positiva ou negativamente consoante o sexo do recrutador. Quando este tem pretensões outras e segundas intenções, tenderá a recrutar alguém de género diferente (quando não se joga na outra equipa…não excluamos esta possiblidade pois tem sido moda pelas parragens crioulas); (ii) a cor político-partidária, quer queiramos ou não, alarga substancialmente a estrutura de oportunidades profissionais e as possibilidades de recrutamento administrativo de qualquer um, e em Cabo Verde isso é notório, e abudam entre nós exemplos paradigmáticos; (iii) é natural que o recrutador seleccione pessoas que tenham feito o percurso académico na mesma universidade que a dele por critérios de amizade ou por conhecer os meandros da exigência académica da sua universidade em detrimento de outros; (iv) admitamos, sem pseudo retóricas: existem apelidos e sobrenomes com maior capital social do que outros e este constitui, infelizmente, um elemento diferenciador nos concursos mesmo quando alegam ser presididos por critérios de rigor e objectividade. Não vale a pena elencar esses apelidos, nem em os apelidos manifestamente de “filhos de coitados”, pese embora muitos, por via da instrução académica, tenham feito um notável trajecto de mobilidade social ascendente…alargando a sua estrutura de oportunidades comparativamente aos seus pais.

    Enfim, a meritocracia só determina o recrutamento em casos extremos, nos quais o recrutador não tem margens para colocar a instituição “cunha” a operar…e mesmo não tendo, procura inverter os critérios de selecção através de outros mecanismos e expedientes…sobejamente conhecidos.

    Em suma, o primeiro factor de empregabilidade, mais do que a concepção idílica do mérito, é ter uma vasta rede de contactos informais, apostar no marketing pessoal e naquelas verboreias da praxe…Ah…se se tiver um bom jogo de cintura (sabem do que estou a falar) conseguir-se-à contornar qualquer critério objectivo. Como diz aquela música, “Tra rabo tra”… “Poi, poi, poi, poi mó na txon…poi, poi”…

    A verdade é esta…

    Um abraço e obrigado pelo comentário,
    Suzano

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caro José Luís Neves,

    De facto, os nossos quadros teóricos de referência e as lentes sob a quais percepcionamos o status quo e construímos a nossa visão do mundo são marcadamente opostos, mas isso só estimula o debate e a crítica intersubjectiva.

    Por viés disciplinar reconheço que os partidos políticos constituem um dos pilares fundamentais da democracia política, uma esfera privilegiada de socialização política e correias de transmissão das reivindicações e demandas da opinião pública. Os partidos políticos não diferenciam muito das outras organizações societárias porquanto constituem instâncias de intermediação de interesses, pese embora com objectivos de governação ou de influenciação das políticas públicas.

    Sim, as organizações não são perfeitas, mas há umas mais imperfeitas e incipientes do que outras. Isso é um facto. Do meu ponto de vista, os partidos políticos em Cabo Verde e as suas juventudes partidárias não têm desempenhado o seu devido papel e a sua inoperância dec0rre de lógicas outras, que distam marcamente dos objectivos nobres que presidem a sua organização estatutária.

    Convenhamos que a discrepância entre a teoria e a prática é abissal e descomunal. Os partidos políticos em Cabo Verde estão desenraizados da sociedade civil, não constituem verdadeiras correias de transmissão das reivindicações da sociedade e não emergiram de clivagens socio-políticas relevantes, o que explica o desinteresse dos cidadãos pela actividade política. Além disso os partidos deixaram de exercer a função de integração social e política, e as juventudes partidárias são o micro-cosmo desta realidade porque estão de costas voltadas para a juventude e mais preocupadas com o carreirismo político-partidário, enviesando a sua matriz fundacional. Concordo contigo quando dizes que é legítimo que as juventudes partidárias funcionem como escola do partido, porque está na sua génese tal facto, mas admita que é necessário ir mais além e não ser apenas um micro-cosmo partidário, descapitalizado e sem orientação própria. A realidade é esta…

    Quanto à sua questão a minha resposta é categórica: a instrumentalização é mútua e as lógicas clientelares são estimuladas quer pelos jovens, que instrumentalizam os partidos, como pelos líderes partidários que maneatam as jotas para alargarem a sua estrutura de oportunidades eleitorais.

    Casos elucidativos do postulado acima exposto, infelizmente, abudam em Cabo Verde: (i) é evidente, entre nós, a instrumentalização das associações juvenis e académicas, sindicatos e ordens socio-profissionais para fins de dirigismo político-partidário; (ii) por outro lado, as disputas eleitorais para a liderança das juventudes partidárias denotam apoios e alinhamentos políticos diferenciados por parte das figuras principais dos partidos que vêem nas jotas uma janela de oportunidades para a sua ascensão dentro do partido. Isso explica o facto de, no seio das juventudes partidárias, se actualizarem velhas disputas políticas sob um novo respaldo institucional que são as jotas, pese embora os nobres objectivos de que falaste. Enfim, a instrumentalização é mútua.

    As juventudes partidárias, embora tendo um papel bem definido no seio das estruturas partidárias, denotam um poder muito limitado, pouca liberdade de acção e uma margem de manobra condicionada pelo partido. A sua intervenção política tem sido muito presa ao ideário do partido que politicamente as suporta e a sua acção presidida por uma agenda política pouco inovadora e enviesada de conteúdo político.

    Discordo contigo. A minha visão não enviesa os partidos nem pretende ser anti-partidos mas sim apartidária e crítica ao estado das coisas. São coisas distintas mas passíveis de gerar equívocos já que em Cabo Verde as pessoas tem de ser “carne ou peixe”, “verde ou amarelo”, “veitoínha ou tambarina”…

    Demarco-me desses constructos binários e amputadores da liberdade intelectual. É imperioso pensarmos “out of the box”…trata-se de uma linha de pensamento interessante e emancipadora, basta experimentar para se ganhar o gosto pela coisa.

    Lets think out of the box…

    Um abraço e obrigado pela discussão, embora as nossas posições sejam há muito conhecidas e divergentes, neste assunto em particular…mas o debate continua

    Suzano

  • Josiano Nereu JN diz:

    Caro Suzano,

    Deveras, a falta de debate político-partidário, quer entre as jotas quer entre os cotas, sobre questões pregnantes é um mal que desde há muito (excepto em época eleitoral e, mesmo assim, muito timidamente) aflige a sociedade cabo-verdeana.

    No entanto, caro Suzano, quer-me parecer que a tua reacção anti-partidarismo juvenil é algo exagerada. As jotas (qualquer jota em qualquer parte do mundo) funcionam inequivocamente como um trampolim político, como um meio de se conseguir uma carreira política. E isso não constitui algo de necessariamente negativo, como deixas transparecer no teu artigo. As jotas são uma forma natural de renovação política.

    O problema não está necessariamente nas jotas, o problema está, em 1º lugar, na sociedade cabo-verdeana em geral que não exige isso aos seus governantes e respectiva oposição, mas principalmente, a meu ver, na classe jornalística (exceptuando tímidos casos) que (e neste caso é mais grave) não exige isso à classe política.

    Por isso, caro Suzano, a solução para este silêncio gritante (que provoca tantos males, sendo um deles a referida partidarização da adm. púb.) não está no apartidarismo político (os apartidários políticos não são, só por serem apartidários, mais competentes, menos oportunistas, menos apáticos, mais dialogantes, etc.). A solução para este silêncio está sim numa EXIGÊNCIA cada vez mais necessária por parte dos jovens, dos cotas, da sociedade em geral, mas em particular por parte dos JORNALISTAS CABO-VERDEANOS, simplesmente porque esse é o seu principal papel no teatro social de CV.

    Atenciosamente, JN

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caro Liz Kabêl,

    Antes de mais obrigado por reaparecer e pelo seu comentário. Bem sei que as suas referências políticas, históricas, ideológicas e literárias não são as comummente veiculadas pelos discursos de ocasião, com tendências homogeneizantes e de amputação intelectual. O teu ideário é outro e as conheço.

    A construção da minha visão do mundo não é nem será presidida por essas lógicas binárias, sejam elas revolucionárias de esquerda, comunistas, socialistas, conservadoras ou outra corrente qualquer. Enquanto combates e abominas esses argumentos de pacotilha, eu limito-me a pensar “out of the box”. É mais uma provocação do que desafio, afinal de contas o jovem continua “atrevidote”…

    Do meu ponto de vista, as juventudes partidárias estejam sob o epíteto de JAAC-CV, JPAI, JPD ou JUCID (jocoso, não é?) não passam de micro-cosmo partidário, enviesado de poder reivincativo e de uma agenda própria, sendo um autêntico reservatório das orientações programáticas do partido-mor. Outrossim, o vazio ideológico é a nota dominante, embora haja algumas tendências que procuram mitificar este ou aquele partido como sendo, desta ou daquela orientação ideológica, quando o eleitorado orienta o seu sentido de voto com base noutras referências que não as veiculadas pelo discurso dominante. Mas este é um outro debate que discutirei noutros escritos…

    As minhas referências não estão ancoradas em catalogações estanques, redundantes e amputadoras. O fim das ideologias há muito que foi proclamado e seria anacrónico nortear por estes prismas ideológicos…demodé… Desculpa, eu sei que deveria dizer, out of fashion, já que as suas referências são outras e mais próximas do Novo Mundo por oposição às do Velho Continente. Provocação??? Ora essa…

    Um grande abraço e bom regresso…friend
    Suzano

    PS: Muitos da minha e da sua geração continuam, ainda, presos a essas lógicas binárias e a visões do mundo dicotómicas, por mera preguiça mental, acredito. Dizes que foram objecto de uma espécie de arregimentação política e ideológica. Será apenas por isso? E o que é feito dos que se demarcaram dessa lógica? Foram ostracizados? Por onde andam? Andam a operar subrepticiamente através do “on sofa activism”, do free speech? Votados ao anonimato…!?

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caro Josiano Nereu,

    Concordamos nessa advertência propedêutica e preambular quanto à ausência de um debate aberto e reflexivo sobre questões estruturantes atinentes à vida social e política cabo-verdiana. Os períodos eleitorais não constituem uma amostra significativa até porque o momento é caracterizado por uma éspecie de “frenesin eleitoral”.

    Discordo. Caro Josiano, não me parece que a posição coligida no artigo seja exagerada e empregnada de um anti-partidarismo juvenil, mas, ao invés disso, a constatação de um facto político incontornável. A verdade é que a cegueira política, o carnerismo político-partidário e a visão clubística do espectro político tem amputado, enviesado e impossibilitado a discussão franca e a crítica intersubjectiva de várias temáticas.

    O manifesto apartidário refere-se exactamente à ausência desse espaço de crítica, e quando este existe é enfermado por lógicas e leituras excessivamente partidarizadas e, aqui sim, enviesadas. Outrossim, seria de todo, e deveras pretensioso da minha parte admitir que o apartidarismo político confereria, per si, legitimidade política, autoridade moral e intelectual, para pronunciar sobre assuntos vários. O texto, o pré-texto, as entrelinhas e os comentários subsequentes, penso eu, não dão azo e espaço para esta inferência.

    A minha posição é diametralmente oposta. Ao contrário do articulado por si, infelizmente, não vejo as juventudes partidárias como “trampolim” ou como “um meio para uma carreira política”, tout cour…O que condeno e abomino é a instrumentalização manifesta e deliberada das jotas e doutra forma de associativismo para fins de carreirismo político-partidário reinante. Permita-me, com o devido respeito, de discordar pelas razões supracitadas. É apenas a constatação de um facto e, certamente, concordará comigo que o estado das coisas não é o mais digno e nem credibiliza a juventude cabo-verdiana, seja ela partidária, apartidária, atávica, inconformista ou civicamente apática.

    De facto, concordo, que a sociedade cabo-verdiana é pouco exigente e reivindicativa, e não tem uma cultura de exigência e de escrutínio público permanente da classe dirigente. A participação política em Cabo Verde se circunscreve única e exclusivamente aos momentos eleitorais, o tal momento de euforia e de frenesin eleitoral acima aludido…não existindo, para além disso, momentos intermédios de fiscalização política.

    As juventudes partidárias e os partidos poderiam criar estruturas intermédias de participação, socialização política, e de escrutínio permanente da acção pública governamental, ao invés de se limitar a discussões outras e disputas políticas inóquas e estéreis, que em nada abonam a favor da consciencialização crítica da sociedade cabo-verdiana. As jotas poderão ser uma instância privilegiada de renovação política, mas através de um trabalho árduo, abegnante e meritório, e não pelo mero seguidismo político e balofo.

    Não sou defensor de soluções únicas e extremistas, e confesso que estas poderão não estar no apartidarismo, mas também não vislumbro que estejam nos partidos, na cegueira e no carneirismo partidário dominante, ainda que sejam “mais competentes, dialogantes ou menos apáticos e menos oportunistas” (sic).

    A solução está, e claro, numa cultura de exigência, de escrutínio público permanente e na crítica sistémica. É o exercício que pretendi veicular com o meu artigo…sem pretenciosismos estéreis. Como sempre digo, em jeito de advertência, esta é uma posição entre várias existentes, todas elas legítimas e plausíveis, conforme o quadro teórico de referência e as lentes com que construímos a nossa visão do mundo. Esta é a minha…

    Um abraço e obrigado pela discussão.
    Suzano

  • José Luís Neves diz:

    Suzano, agradeço os esclarecimentos. A minha leitura é apenas uma leitura entre as outras. Mantenho a minha posição. Mas é claro que vamos continuar a discutir este e outros assuntos. Apesar de não concordar contigo devo-te felicitar-te pelo teu artigo e espero poder contar sempre com a tua pena. Abraços.

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caro José Luís,
    Eu é que agradeço a oportunidade para tecer os esclarecimentos necessários sobre a temática e aprofundar os meus argumentos em jeito de intersujectividade comunicante. Continuaremos sempre em lados opostos da barricada mas isso não invalida a discussão aberta, franca e argumentativa das nossas posições. Obrigado pelas felicitações e enquanto tiver discernimento continuarei, como sempre, a afiar a minha pena pelo diapasão crítico. Abraços.

  • Helena Fontes Helena Fontes diz:

    Caro jovem Susano

    Julgo que o que dizes é em parte verdade. Mas falando da minha geração, julgo que eramos mais engajados com as questões do mundo e da cidadania, e claro está com os assuntos políticos.

    Tudo isto, acontece na tua geração e a da minha filha por responsabilidades minhas, talvez, e da própria sociedade que nos oferece produtos de anesntesia geral, tipo, as rádios privadas, e o próprio ensino oficial que desde cedo não estimula a procura do saber e da sabedoria. Apenas ensina-nos a ficar estáticos e receptores.

    E agora, Susano, o que temos de fazer para alterar este status quo e estimular a indignação, a participação e a reivindicação?

    Bali

    ;)

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Cara Helena Fontes,
    Obrigado pela leitura e comentário do artigo. Concordo plenamente consigo e esta inferência analítica que faz tem explicações teóricas interessantes.
    O desinteresse, a insatisfação generalizada e o distanciamento dos jovens em relação às formas ortodoxas ou não convencionais de participação cívica e política constitui um facto incontornável dos regimes democráticos contemporâneos.

    Estudos consagrados sobre as atitudes sociais e os comportamentos políticos, ancorados na teoria do efeito de ciclo de vida, apontam para a existência de variações significativas no que tange ao engajamento cívico e, à la limite, à participação política dos jovens, e outros segmentos etários, na vida política.

    Explicações sobre o efeito das fases “start-up” (jovens) e “slow down” (velhos) de envolvimento político são convencionalmente mobilizadas como variáveis explicativas destas variações: os jovens (15-25) por motivos relacionados com a mobilidade social e a instabilidade profissional (p. ex: integração precária no mercado de trabalho ou por mero desinteresse), e os mais envelhecidos (mais de 65 anos) por razões fisiológicas (imbilização, fadiga, doenças próprias desta fase da vida) tendencialmente participam menos na vida política.

    A diferença abissal que a Helena Fontes denota nos níveis de participação e de engajamento cívico em relação aos seus filhos tem que ver, outrossim, com a alteração das esferas de socialização política. Durante a sua juventude, as associações comunitárias, recreativas, os clubes desportivos e mesmo os partidos políticos (através das suas estruturas juvenis, ex. JAAC-CV), constituíam instâncias previlegiadas de integração social e de socialização política, daí as discrepâncias geracionais. Na actual contextura social, â incidência dessas instâncias como espaços de socialização, integração social e política tem diluído significativamente, tendo sido substituídos por outras formas não convencionais de participação.

    Concordo consigo e com a inferência que faz. De facto, a sociedade oferece uma parafernália de produtos e serviços que contribuem para essa “anestesia geral”, mas por outro lado, a preguiça mental e intelectual dos jovens, faz com que muitos se desinteressem para as causas cívicas e participativas, em parte, por manifesta mea culpa dos pais.

    Estas diferenças geracionais contribuem comummente para veicular a fácil acepção de que a sociedade está em crise de valores e que os jovens são uns alienados. O que se evidencia, sim, é uma inversão no sistema de valores e uma hierarquização diferenciada das prioridades que desenboca no conflito geracional que pulula as nossas sociedades, e se consubstancia na ideia de que “esta” ou “aquela” geração é civicamente mais engajada ou intelectualmente mais preparada. Os jovens tendem a abraçar outras formas de participação que não as convencionais… (in) felizmente…

    Muito há ainda por se fazer para alterar o status quo e o estado das coisas é resultado do desaparecimento ou descrédito das tradicionais instâncias de integração social e de socialização política. As associações juvenis, cívicas e comunitárias não tem adoptado estratégias e metodologias suficientemente apetecíveis de engajamento cívico, daí que os jovens prescindam dessas instâncias em detrimento de outras mais mecânicas e que instigam a preguiça intelectual…
    Daí que critico e lanço o repto às juventudes partidárias para cumprirem esse vazio cívico e participativo, ao invés de se dedicarem ao carreirismo partidário, a lutas políticas e a disputas ideológicas estéreis…penso eu de que…

    Um abraço e obrigado pelo pertinente questionamento,
    Suzano

  • Underdôglas diz:

    Suzano, afinal acabaste mais por esmiuçar os jotas do que os partidos politicos que vêm no teu titulo!

    Acho que confundes organizaçoes juvenis da sociedade civil com organizaçao juvenis de partidos. Tens que separar as aguas.

    Enfim, onde estao os jovens universitarios para debaterem? Nao tens amigos e colegas de curso?

    Os jovens caboverdianos têm de tirar este medo de debater. E’ normal que a gente apanhe porrada no principio. E olha que vocês têm mais sorte do que nós ‘os caquéticos” porque no nosso tempo de jovens de 20/25 anos ouviamos caladinhos e em sentido. Nao tinhamos direito à palavra e os tempos eram outros.

    Hoje vocês têm liberdade e espaços para debater, mas ou nao debatem com medo de dizer asneiras e serem chamados à pedra, ou entao armam-se em espertinhos atrevidotes quando nao em moralistas invertendo as funçoes; aqui estou-me a lembrar num tal jovem que volta e meia dá conselhos de boas maneiras aos mais velhos, como se… enfim força, rapaz!

    Underdôglas

    • Suzano Costa Suzano Costa diz:

      Caro a.k.a. Underdôglas,
      Welcome back man. Fazes falta por estas bandas…Há quem tenha medo de si, mas não sou o caso lol, e sabes bem disso.

      O meu artigo vem na sequência de um conjunto de escritos sobre estas temáticas que pretendo publicar futuramente (se tiver tempo), e como coligido na nota preambular do texto, a intenção é esmuiçar os partidos políticos, começando pelas juventudes partidárias como micro-cosmo político-partidário, porquanto algumas inferências podem ser, inclusivamente, extrapoladas para o universo dos partidos políticos. O título principal é “Esmiuçar os Partidos Políticos em Cabo Verde”, mas o subtítulo é sobre “As Juventudes Partidárias em Cabo Verde: Alhos e Bugalhos?”. Procurei aqui subdividir os níveis de análise, aludindo a uma abordagem comparativa, mas o intuito é recolher subsídios iniciais para analisar a estrutura e modus operandi dos partidos políticos.

      Acredito ter separado oportunamente os dois níveis de análise, e no artigo faço alusão exclusiva às juventudes partidárias que são estruturas bem diferentes, como disseste, das organizações juvenis da sociedade civil.

      Quanto aos jovens universitários, e aonde estão, como hoje é domingo, eu diria, jocosamente, que alguns estão a curtir uma “baita da ressaca”, outros a recuperar da “overdose alcoolica” ou num centro de recuperação/purificação a retirar os níveis de sangue no alcool (e não alcool no sangue).
      Outros não estão aqui porque estão a marrar a sério (porque há quem estude e investigue a sério), outros estão no Centro Comercial Colombo (ou outro qualquer da moda) a passear com a dama ou a tentar “engatar” a dama dos outros com o domjuanismo à berdiana, outros estão no messenger a falar da vida de outrem, e outros estão agora a trabalhar para poderem arcar com as despesas dos estudos. Outros (como eu) estão lá, no continente a comprar o pão e o pacote de leite para o café de amanhã cedo, ou na FNAC a ler um livro à borla porque nem sempre hà dinheiro para comprar todos os títulos.
      Enfim, caro amigo Underdôglas, no universo académico cabo-verdiano há de tudo. Do bom, do pior, e do melhor, e muitos podres também. E quanto às meninas e filhas de muito boa gente…nem digo o que estão a fazer agora…Oh k sabim…Cabo Verd é sabe pa caga…

      Por acaso tenho poucos e bons amigos da faculdade, e muitos deles têm passado por cá. Aliás há muita gente que passa por cá e não comenta…idiossincracias. Mas digo que poucos dos meus amigos e colegas, estão agora a marrar agora e no duro.

      A esmagadora maioria não debate e não participa nos fora de discussão público por medo manifesto, porque debater implica simultaneamente, veicular um discurso legitimador, demarcar as nossas posições ideológicas (ideias) e, muito importante, expor as nossas fraquesas e debilidades retóricas e argumentativas. Muitos optam pela conversa de café e por discussões restritas porque ali não estão sujeitos ao escrutínio público e permanente dos outros…Resumindo, muitos não debatem porque têm medo de evidenciar as suas fraquesas e debilidades, mas isso deve-se ao facto de vivermos numa sociedade onde o free speech não é e nunca foi cultural.

      Na sua geração muitos só ouviam e não tinham direito à opinião. Vivemos outros tempos, mas agora os que fazem uso desse direito incorrem no risco de serem considerados “atrevidores”, seja em tónica de provocação ou brincadeira. Essa cultura de temor à participação e ao debate aberto e intersubjectivo é, em muitos casos, provocado pela atitude condenatória daqueles que, em tempos, não tiveram direito á opinião…Concordo contigo: muitos não debatem porque têm medo de expor as suas debilidades e fraquesas, mas o processo de aprendizagem requer cometer algumas incorrecções e reaver as nossas posições iniciais e pré-conceitos sobre assuntos vários…sempre num contexto de intersubjectividade comunicante…

      Já agora, para ir contra a corrente, e porque ainda existe um grupo de jovens que querem promover esse espírito de debate, estou a Coordenar o Ciclo de Tertúlias “Cabo Verde em Debate” que terá uma periodicidade mensal numa livraria em Lisboa e gostaria de contar com a tua presença. Alinhas? Aparece meu caro. O espaço é aberto a jovens atrevidotes, a velhos caquéticos e todos os que não se enquadram nessas duas categorizações de ocasião, porque o conflito de gerações ainda é um dos problemas sociais contemporâneos. Come on?

      O tema da primeira sessão do Ciclo de Tertulias Cabo Verde em Debate, será sobre “Os Jovens e a Participação Política em Cabo Verde”. Será este sábado, 19 de Dezembro, às 18Horas na Livraria Trama. Teremos um facilitador, um relator e pessoal para debate. O clima é informal.

      É na Livraria Trama, um local de eleição. Morada: Rua São Filipe Nery, n.º 25B, 1250-225 LISBOA, à saída do Metro Rato (Linha Amarela), na Rua dos CTT/Correios de Portugal e perto da Sede do Partido Socialista (PS). Autocarros: 727, 706, 738, 758, 709, 720.
      Sites: http://www.atrama.blogspot.com/www.tertuliacrioula.com

      Há temas para todos os gostos, e alguns contestáveis, mas a crítica só nos engrandece e o processo de aprendizagem assim exige. Deixe aqui o teu mail que te envio o programa completo??? Ou mande-me um email para suzanocosta@yahoo.com.br ou ciclodetertulias@gmail.com, caso não queira perder o seu anonimato. Força…Underdôglas…

      Eu estou a fazer parte que me cabe, agora espero que os colegas apareçam…em massa para debatermos Cabo Verde e não só. Ainda há uma réstia de esperança que os jovens invertam esta tendência…

      Um grande abraço,

      Suzano

  • Underdôglas diz:

    Malandreco! Tu saíste-me ca um grande maroto! Mas eu sei que sabes que a nuance é grande entre preconceito e pré-conceito. Sim eu sei que sabes. Tu sabes que nós sabemos que se pode aquilatar do nivel intelectual e cultural de alguém a partir de apenas uma palavra, uma frase!

    Continua a trabalhar, continua investigar rapaz! Estuda porque é sempre melhor do que andar pelas discotecas e cheio de alcooL. Mas CUIDADO que temos que nos mergulharmos sempre entre uma boas pernas porque um homem culto sem uma boa gaja nao serve para grande coisa. Junta sempre o util ao agradavel.

    Eu sei que é complicado e que ha que fazer escolhas! Mas bom, eu pertenço a uma raça de génios, logo, consigo dar conta do recado entre livros e entre pernas e pinos!

    Infelizmente nao vou passar agora por Lisboa! Estive la no Verao e olha que como sempre visitei as minhas livrarias e biliotecas do costume, mas cabeças pretas de crioulos contavam-se pelos dedos de uma mao. Eu sei, eu sei, que temos de tudo; mas bons bons, olha que é so garganta. Mas bom ha que deixar a malta cultivar esta bazófia bem nossa!

    Malandro, pedes-me e.mail? Para quê?! Mas quem sabe?! Tudo tem seu tempo!

    Boas leituras!

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Caro a.k.a Underdôglas,
    Malandreco és tu que foges, jocosa e inteligentemente, às minhas solicitações, pelo que pressinto, com alguma dose de certeza, que estás mais perto do que é expectável e imaginável.

    A nuance entre preconceito e pré-conceito é notória e ainda bem que reconheces o facto de eu ter diferenciado os dois conceitos. O temor da exposição pública das ideias afronta miúdos e graúdos, daí que muitos prescindem do poder das palavras e do seu carácter transformador…mesmo os da sua geração…e dos atrevidotes.

    Vou continuar a trabalhar e a previlegiar a imersão cultural, mas nada melhor que a contrabalançar com um bom jogo de cintura lolol. Olha que há muitos que se perderam por não saberem conciliar as duas coisas, mas estou certo que o a.k.a Underdôglas não é um dos, já que habilidades nao lhe faltam…

    Tu é que es o malandreco e muito esguio. Foges do mundo real, da confrontação tridimensional e escondes-te nessa personagem dos partidários do “on sofa activism”. Apareça no Ciclo de Tertúlias que acrescentarás valor à iniciativa. Olha que tenho convidado jovens da tua geração, por isso não fiques com medo de ser identificado porque não serás o único sénior presente no debate. Come on? Afinal és ou não um homem de luta e confronto?…nem que seja entre pernas.

    Arranje um mail nem que seja fictício ok. Senão perderás a oportunidade de tomar parte do debate…

    Grande Abraço,
    Suzano

  • Underdôglas diz:

    Fugir para ganhar sempre nao é para qualquer um, meu caro! Sun Zi e a Arte da Guerra! A minha vida é um autêntico tratado de estratégia. Nao so a chinesa! Mas o objectivo é ganhar sempre!

    Quanto ao temor, ja te demonstrei que domino ha anos a fio tudo o que Net crioula! Coisa impossivel para medrosos! Aqui também ha estratégias!

    Estratégia também quanto ao que é real e ficticio! Portanto, vais ter que fazer a tua tertulia com os outros. E’ que construo personagens virtuais! Na Net tudo é virtual, mesmo a existência de pessoas que têm nomes como Underdôglas. Personagens que foram criadas para a Net e nao para espaços fisicos apertados de livrarias. Prefiro pois a ubiquidade. Estou e nao estou em Lisboa, mas fisicamente estive la no ultimo Verao…

    Enfim tens que Emilio de Rousseau, pois aqui o professor sou e o aluno és tu! Logo a força está do meu lado e a fraqueza do teu!

    E esta?! Mais uma… e ja desapareci!

    Kakói

  • Underdôglas diz:

    Corrigir la onde escrevi errado..

    …..tudo o que é Net Crioula…. e

    …tens que ler Emilio de…

    Feita a correcçao,

    Até sempre!

    NB:Kakói é para confundir as personagens!

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    O estrategista aka Underdôglas, leitor assíduo dos grandes mestres da estratégia mundial Sun Tzu, Clausewitz, Tucídides, Maquiavel e outros, opta por atacar e fugir para poder ganhar, estratégia legitima, mas confesse que foste traído pelas novas tecnologias de informação e acabaste, sem querer, por baralhar as personagens como a Margarida Rebelo Pinto, cuja escrita foi descontruída por João Pedro George em “Couves & Alforecas” lol. Os teclados do computador pregaram-te uma partida e, ao invês de assinar Underdoglas, assinaste Kakói lol. Shame on on you, constructor primário de personagens fictícias. Just joking. Afinal o jovem “atrevidote” anda a apreender da sabedoria do velho “caquéctico”, provocando-o…lol

    Como dizia o outro a propósito do processo de aprendizagem intersubjectivo, o temor ao mestre é fundamental mas nem sempre as relações de poder são assim tão assimétricas como julgamos, até envolver, como no “O Banquete” de Platão, outras incursões para os prazer carnais…mas há gostos para tudo.

    Quanto ao ciclo de tertúlias, hás de aparecer porque todo grande estrategista que se preze tem que conhecer bem o inimigo (embora não seja o caso) e o treatro de operações para perfilar a estratégia adequada.

    Ah…sou aluno de todos os que se contentam e queiram augurar o estatuto de Professor meu…e o meu espírito de abertura, aprendizagem e intersujectividade comunicante assim o exige…Dar-te-ei essa honra e sei que o prazer será todo teu my dear…

    Abraços,
    Suzano

  • Gungunhana diz:

    Qualquer pessoa pode copiar o estilo de a, b ou c e assinar no fim com o seu nome ou de outra qualquer pessoa. Alinhar nomes próprios nao quer dizer nada! Posso mesmo roubar-te por alguns minutos o teu nome. Queres ver? Mas o nome que assino nao coincide com o e.mail. A NET é um ninho de víboras! Cuidado que nao sou aquele que tu pensas! E olha que é verdade!

    Suzano

    • Suzano Costa Suzano Costa diz:

      Caro (a) a.k.a Gungunhana,
      De facto, as novas tecnologias de informação permitem a construção de personagens fictícias e mirabolantes, mesmo recorrendo a nomes próprios, como bem disseste. Infelizmente os mecanismos de controlo não são tão eficazes como a facilidade de se forjar personagens com propósitos diversos. Eu já vi de tudo. Inclusive colunistas da praça a comentarem os seus próprios artigos, regozijando e elogiando a sua própria pessoa. Têm o ego do tamanho do mundo… What a shame.
      Abraços,
      Suzano

  • radar diz:

    you da um vista de olhos na kel link la e bu tcheka kel foto la.
    parcem me el.

    http://asemana.sapo.cv/spip.php?article47419&ak=1#ancre_comm

  • radar diz:

    le alguns comentarios e bu ta odja kel kakoi

    • Suzano Costa Suzano Costa diz:

      Caro Radar,
      Os comentários dão perfeitamente para construir o enredo de uma telenovela mexicana, de péssimo gosto diga-se de passagem. É o esplendor do caos…
      Abraços,
      Suzano

  • eu disse diz:

    What kind of shame?! On you?! Who is you? Someone or somebody? Me or myself? Is it me this on you, or is it you that on you?

    Pascal!, Pascal, homem! Who is this man here?! A man, or someone?!. Um ente, esse ente impessoal ou o ens latino? Pascal, homem, o do pensamento que é homem. O homem que pensa! Mas existe o homem que pensa? O ens que nao tem pensamento nao existe. Existensia, homem, o latino.

    Nao, o grego, o de Parmênides! tô gàr auto nôin esstin te ké íné! (infelizmente nao tenho teclado com alfabeto grego)!Continuo com tradiçao crioula ou estamos conversados? Sim, continuo para dizer que nô ta pra li btód na munde, largóde, móda Deus krê! Es capaz de interpretar esta filosofia profunda da frase dita por uma analfabeta que me criou, porque minha criada?

    Mas quem sou eu, Underdôglas, Suzano, Suzano o outro, ou Nobody? What a hell!, man! Nada existe na Net! Tudo é virtual. Presença e existência nao sao a mesma coisa!

    E quem começou este texto, pode nao ser aquele que o está a terminar. Nem os números criptados podem traduzir a essência daquele que começa e deste que termina. Tudo é fumaça! Tudo nao passa de detalhes de bisbilhoteiros que querem saber sempre quem está por trás de a, b ou c! Foutaises! Bullshit, man dogshit, boy! Everything is just everything, nothing more!

    Metáforas, meu caro, fumaça! Sim fumaça!

    eu disse (quem?!)

  • eu disse diz:

    Ah! é verdade os mexicanos nao sabem filosofia! Se insistes em comparar tudo o que escrevo com telenovela mexicana é porque afinal enganei-me a teu respeito! Mas quem nao se engana?Enfim, se esqueceres o lado da telenovela e te debruçares mesmo a sério no ser e na existência do homem, talvez tenhas um futuro… porque dessa juventude rasca és dos melhores..

    • Suzano Costa Suzano Costa diz:

      Não me referia a ninguém em particular mas aos constantes ataques e apropriação abusiva, por outros, de personagens fictícias (inclusiva as suas), apanágio de que nada existe de facto. Não, não comparei coisas tão distintas distintas…houve aqui um ruído de comunicação
      Afinal, ainda há uma réstia de esperança nessa juventude…ainda que continuem a ser “atrevidotes”…Apraz-me saber que, embora me inclua nessa categoria, ainda se deposita alguma esperança no “jovem atrevidote”, apesar do sempre eminente o perigo de defraudação…porque muitos se perderam…

  • radar II diz:

    O certo é que o individuo que multiplica essas personagens provoca debate.
    Confirmar aqui
    http://kriolradio.blogspot.com/2009/12/liberdade-de-expressao.html#comments

  • Santos diz:

    Eu penso o contrario ao articulista Suzano.
    Os Partidos Políticos em Cabo verde tem sido autênticos viveiros de liberdade e cidadania.Quantos Jovens é que vieram do nada ou melhor dizendo, sairam do anonimato através das Jotas?
    Nôs não podemos apenas julgar no sobreposto da máxima “ou é oito,ou é oitenta”.
    Claro haverá sempre os “aproveitadores” como em qualquer aréas, e os Partidos Políticos como uma das varias Instituições do Estado não fogem as regras.
    Temos sim que criar outras alternativas para esses Jovens, mas urge também, ” re-educar” a Sociedade Caboverdeana dando a todos as mesmas oportunidades.

    Isto é irônico, enquanto que em muitos Países Europeus, entre os quais Portugal, queixa-se da pouca participação cívica dos Jovens na vida partidária, em Cabo verde queixamo-nos pelo excesso.

    “Resumindo e concluindo”:

    Penso que o autor do artigo quis apenas criticar a excessiva “Partidarização” do Estado…mas temos também por obrigação Cívica de apontar soluções ou alternativas, porque Europa não serve de modelo!

    Quais as soluções, Suzano?

  • Suzano Costa Suzano Costa diz:

    Prezado Santos,
    Antes de mais cordiais saudações, obrigado pela leitura e comentário que teceu ao artigo, contribuindo para alargar o debate sobre a temática em apreço.

    De facto, apraz-me registar a existência de posições diferenciadas, todas elas, naturalmente legítimas e plausíveis à luz das lentes sob as quais orientamos a construção social da realidade e as nossas mundividências. O articulista não pretendeu inviabilizar e menusprezar o contributo sem precedente que os partidos políticos tem conferido à construção de uma participação cidadã e ancorada nos valores da liberdade. Aliás, admito, por viés disciplinar, que os partidos políticos constituem um dos pilares das democracias contemporâneas.

    No entanto, apesar do postulado acima exposto, nós os cabo-verdianos tendencialmente apreendemos o nosso contexto político e societário de forma a-acrítica e enviesada de uma desconstrução perspectivista da realidade. Procedi por esta linha orientadora, daí a tonalidade crítica. Alinhavando a minha contra-argumentação por este mesmo diaspasão, e respondendo à sua questão, que legitima, per si, o alinhamento deste artigo, a verdade é que as juventudes partidárias tem servido, sim, retirar determinados jovens do “anonimato”, como bem referes. Just it…

    Do ponto de vista sistémico e orientador, não vislumbro no ideário das jotas uma defesa intransigente e abegnante dos interesses da juventude cabo-verdiana (no seu todo e não interesses particularistas instalados). Concordará comigo que pouco tem sido feito neste capítulo e que, ao invês disso, as juventudes partidárias tem sido espaço privilegiado para actualizar disputas intrapartidarias e ideológicas estéreis, reproduzir mimeticamente o discurso dos partidos políticos, sendo de registar a ausência de uma agenda própria, independente e inovadora? Há sim uma procura desenfreada de visibilidade pública e uma sede de carreirismo político, não estribado em trabalho árduo e abenegação.

    O posicionamento coligido não subscreve a máxima do “8 0u 80″, mas recusa categoricamente uma atitude a-crítica e legitimadora do status quo. Não se critica aqui o excesso de participação dos jovens na vida cívica e partidária mas exactamente o contrário. A participação cívica, política e partidária em Cabo Verde é diminuta e se circunscreve única e exclusivamente aos momentos eleitorais porque os partidos políticos precisam de activos e sangue novo para veicular o seu programa eleitoral, fazer as campanhas porta a porta e encher os comícios-festa. Advogamos sim, uma participação de qualidade ancorada na meritocracia e no “hard work”, mais do que uma participação animada pelo acriticismo, pelo carneirismo partidário e pelo clubismo político típico dos momentos eleitorais. Não acha?

    A minha posição é diametralmente oposta ao veiculado pelo status quo, e a crítica dirigida é transversal, inclusivamente à excessiva partidarização do Estado e dos cargos de topo e intermédios da administração pública. A obrigação cívica instiga-nos, primeiro, a denunciar uma situação. Segundo, a crítica construtiva, incisiva e civicamente responsável, deverá orientar-se pela apresentação de soluções, que foi o coligi no texto. Só para citar alguns, num país onde a participação cívica e política se circunscreve única e exclusivamente aos momentos eleitorais, constituiria labor das juventudes partidárias ocupar esse vazio através da mobilização de estruturas intermédias de participação e socialização política, consciencializar a juventude para a tarefa de empreenderem um debate crítico, emancipador e mobilizador sobre questões estruturantes, e quiçá fracturantes, do país.
    Como pode denotar, algumas soluções estão implícitas na própria crítica coligida, basta inverter o sentido da leitura.

    Por outro lado, a excessiva partidarização da admistração pública e dos cargos de topo da hierarquia funcional das instituições combate-se através de uma aposta sistemática e consequente na meritocracia como valor incontornável do processo de recrutamento, e não na mera militância partidária. A competência e o mérito deverão presidir o recrutamento administrativo, e não o facto militarmos no clube “tambarina” ou “ventoínha” como faz escola entre as nossas gentes…os binarismos enviesados de substracto imperam entre nós e aqueles que não são “nem carne nem peixe” são votamos a um percurso marginal, lateral e ostracizante, sobretudo quando não militam nessas lógicas binárias e amputadoras da liberdade do pensar e do agir.

    O debate continua…e o meu exercício é sempre de autocrítica sobre a realidade cabo-verdiana, para contrabalançar os registos dominantes de auto-elogio.

    Um abraço e obrigado pelo contraditório,
    Suzano

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