A Violência Doméstica na Primeira Pessoa, continuação…

Helena Fontes

“Quem ama, efectivamente, abre mais as asas a ou de quem ama, para a vida e para a felicidade…”

Leta
Lisboa 4/12/2009

Ouvindo, lendo, analisando e perscrutando (como é meu mau vício… ;) ) as reacções, o que se diz, o que se faz, e o que não se faz pelos poderes públicos e outras entidades, reparo, na minha ignorância, que a abordagem que é feita sobre a tal da violência doméstica, (VD) em Cabo Verde, em particular, peca por ser míope e/ou limitada, salvo o devido e merecido respeito, ou melhor opinião.

Explicando melhor, a VD não é só o seu início, a vergonha de não dizer e de esconder dos outros, o medo do agressor e da sociedade, o trauma que fica, a dor que se carrega sempre, a ferida que “arde sem se ver”, a mágoa de não saber porquê ter sido e continuar a ser estupidamente ofendida e agredida, em todas as dimensões humanas, mas com dizia, a VD continua de forma subliminar, mesmo depois de dizermos basta, de dizermos não, de dizermos chega!

Ou seja, quando a coragem explode na vítima, e é bem maior que a ofensa bruta e bárbara da agressão, ela continua a persistir de modo continuado, talvez por várias ordens de razões, nomeadamente:

  • A ideia de posse perpétua do “objecto” da agressão, por parte de quem parte, covardemente, para a violência, pelo que mesmo se libertando das garras deste, continua a vítima a ser incomodada, mas desta feita de modo sofisticado, próprio dos bons “psicopatas”, que a sociedade tanto venera, promove como referência moral e intelectual, e respeita…;
  • A chantagem psicológica barata e de terceira categoria em relação aos filhos comuns, do tipo, “olha, besta, aconteceu isto com a tua filha porque és uma vagabunda, uma pu…, uma vaca, és má mãe, não prestas para nada, andas só atrás de homens, etc” (isto aqui até parece um filme que vi algures, não me recordo onde…);
  • O esquecimento deliberado de quem pode decidir e/ou deve tomar medidas que já deviam ter sido tomadas para antes de ontem, (a Assembleia Nacional, o Governo, os Tribunais, os Institutos Públicos vocacionadas para o fenómeno, as Forças Policiais, e a própria sociedade civil), após o decorrer do tempo sobre factos escabrosos que chegam ao conhecimento público. E espantem-se: estas autoridades públicas indignam-se, nessas alturas da ocorrência dos factos, e comentam publicamente que é feio praticar a VD, que é crime, que não bonito, que os direitos humanos devem ser respeitados, e outros discursos de ocasião, para boi, vaca e bezerro dormirem.
  • A indiferença dos familiares próximos e dos que pensamos que são amigos, argumentando que se tem (?) de aguentar, pois que é o nosso companheiro, é o pai dos nossos filhos, é quem nos dá dinheiro para se viver, and so on. Ou, então, dizem, quando se pede refúgio no meio da noite, e o agressor persegue-nos até onde se pede guarida, “olha não quero escândalos na minha casa, vão (?) resolver o vosso problema fora daqui”, isto aqui lembra-me o mesmo filme anterior que até ao fim deste artigo lembrar-me-ei do título;
  • A outra tortura de ouvir da boca de parentes (as), da primeira linha colateral, que fomos eliminadas da sua página do facebook porque andamos para aí a divulgar coisas da nossa intimidade (?)…
  • A não responsabilização disciplinar e criminal dos responsáveis das instituições vocacionadas e pagas pelo erário público, das polícias e dos tribunais (aqui refiro-me quer à Procuradoria da Republica quer aos tribunais propriamente ditos) que não actuam eficazmente, e que possam produzir o tal do efeito útil, perante o primeiro grito de alerta das vítimas, traduzidas nas queixas e denúncias, e que só aparecem quando o caldo entornou-se todo, irreversivelmente, para irem levantar o cadáver ou então lamentar e condenar o facto…;
  • O fardo de se ter de conviver por toda a vida, com a baixa auto-estima, o dedo apontado pela sociedade, ou ter de ser portadora de deficiência mental, devido ao excesso de desgaste emocional vivido durante o casamento, que despoletou estes estados de saúde …;

Enfim, uma eternidade de situações que ocorrem, a posteriori, e que não são tidos em consideração devida, e que vão deixando marcas na vítima.

Pior ainda, para mim, é não se fazer caso dos actos continuados dos agressores pós separação ou divórcio, que fazem sim! principalmente, quando se denuncia nas instâncias próprias (ineficazes) e em praça pública.
Mas estas situações são apenas um lado da questão, a outra, também, importante, tem a ver com a própria sociedade, que como já referi no outro texto, aceita com naturalidade e passividade, qualquer acto de violência, porque criou-se, educou-se, desenvolveu-se num ambiente de agressividade, de violência, de desrespeito pelos direitos dos outros, e num ambiente de machismo, em que a própria mulher tem a sua quota parte de responsabilidade. Este assunto cabe aos sociólogos, historiadores e psicólogos explicar, que terá haver, como causa primeira, com a própria formação da nossa sociedade e Nação.

Para além destes aspectos, há outro que me incomoda há muito, e que tem a ver com a perda ou inexistência de valores e de instituições sociais, como a verdadeira família presente, reduto primeiro da transmissão de valores, e de formação saudável da personalidade dos indivíduos. O apego e a paixão ao trabalho honesto. A solidariedade, a amizade, a camaradagem, o amor, a ética, o valor pela dignidade humana, etc. Perderam-se ou nunca existiram na sociedade cabo-verdiana???

Actualmente, todo mundo anda à volta do parecer e não de ser humano.

Vivemos a época do plástico e da matéria.

Esquecemos que morreremos todos um dia, e à terra e ao pó retornaremos, ricos ou pobres, gordos ou magros, sem bens materiais a transportar para a profundeza da terra.

E depois o que deixamos como herança de vida aos nossos descendentes ou à geração vindoura, em termos de exemplos de vida que devem ser seguidos e perpetuados nas sociedades de e com civilidade?

E a VD é uma ponta do iceberg da violência geral que nos açoita antes de sermos paridos, ao nascer e até morrer.

E a violência, também, tem a ver, para mim, com a própria estruturação social e política da vida laboral e escolar da sociedade, que não nos dá tempo para sermos pais efectivos e presentes, porque temos de produzir muito para empresa, não podemos almoçar em família ou em casa. Não podemos ser irmãos ou amigos a 100%, e só na hora da morte, que temos tempo para parar a rotina e o stress idiota e sem sentido, em que nos entregamos quase inconscientemente, para lá irmos prestar a última homenagem a quem partiu. Não podemos ser homens e mulheres com tempo para nós mesmos, até para amar e sermos amados.

Tenho para mim que o homem gosta de arranjar esquemas complicados de vida, burocracias e regras kafkianas que não o deixam usufruir na plenitude e com intensidade a sua condição de humano, que acredito que é ab initio, sem influências do meio envolvente, boa e saudável.

Acho que devemos criar soluções na vida que nos permitam ser felizes e ter as asas livres para voar e viver a vida com responsabilidade, trabalho honesto, respeito pela liberdade dos outros, moral, amor, evolução e progresso.

A ver vamos. Eu pelo menos é isto que auguro e que quero deixar como herança aos meus filhos.

Helena Fontes

P.S. Este artigo dedico com amizade e carinho aos magistrados judiciais que deixaram mofar nas suas gavetas o meu pedido de divórcio que por lá ficou por bons e valentes quatro anos, e aos meus policias amigos que deixaram prescrever as minhas queixas-crime… Bem hajam! ;) Neste hora gostaria de ser poeta para vos dedicar a mais linda morna de Cabo Verde.

14 comentários

  • elsa fontes diz:

    Eu acho que este artigo, abrange o fenómeno da VD, mas numa fase pós- -agressão. É relevante por si só, mas devemos contudo, prevenir, daí que devemos perceber ou analisar a fase pré-agressão. O porquê da agressão? O que leva ao agressor a praticar este tipo de violência? Aí teremos, que nos reportar à essência do ser caboverdiano, à sua formação numa sociedade como a nossa, os códigos de honra, os valores, enfim teremos que nos inteirar das representações psico-sociais do indviduo agressor e também da vitima, ao corroborar ou não com este tipo de comportamento. O meio envolvente, també é preciso distrinçar, os factores externos, como o alcoolismo, a tocxicodependência, a pobreza, enfim, todos os elementos determinantes para as manifestações deste tipo de fenómeno. E assim, a VD, terá bebido em todas as suas fontes e teremos um trabalhado mais bem acabado…ou começado!

  • Al Binda diz:

    Oh Doutora, em vez de estar a ver fantasmas (refiro-me ao seu comentario a meu respeito aí no debate ao lado) devia deitar uma olhada aoque se diz em matéria de critica agressiva em países mais democraticos e mais desenvolvidos do que Portugal.

    Francamente nao percebo porque é que o que é” permitido na Alemanha, EWstados unidos, França e Inglaterra em termos de debate agressivo, ja nao é permitido em CVerde. A nossa elite nao tem a mania de se comparar ao Ocidente? França nao é mais civilizado e mais democrata do que CVerde? Porque é que é permitido chamar mentiroso ao Presidente francês e nao é permitido chamar analfabeto cultural ao presidente de CVerde?

    Enfim, doutora você pode escrever teses de doutoramento, que nao é por isso que vai estar apta a dominar os conceitos politicos, filosoficos e mesmo juridicos! Primeiro deve aprender a ler, tout court! Sim, ler e para poder aprender a defender a sua propria causa, e refiro-me à violência doméstica.
    Se soubesse ler, ja teria sabido ler a imprensa caboverdiana que ainda ha dias se referia ao Primeiro ministro Neves, que afinal tinha habito de espancar a sua primeira mulher, hoje a viver nos Estados unidos.

    Ora bem tendo em conta que está a analisar a questao da violência nao lhe ficaria nada mal investigar o que a imprensa afirma para poder caso seja verdade, incluir o Neves na sua lista dos homens crioulos que espancam as suas mulheres, como o seu lhe fazia.

    Isso é que é importante, doutora! Denunciar aqueles praticam os crimes, e nao aqueles que denunciam autores dos mesmos crimes. Nao estejamos a inverter a pirâmide. Eu exerço o meu direito de critica, com base no conhecimento e sem pomadinhas. E’ assim numa democracia livre e aberta!

    E claro que estou consigo na denuncia da violência dloméstica, mas essa denuncia nao tem de ser de geometria variável; ela tem de ser o mais completo possivel, consoante o grau de conhecimento que se tem da problematica. Hoje nao podemos saber que fulano bate na mulher, mas amanha se ficarmos a saber, ha que denunciar esse mesmo fulano.

  • Helena Fontes Helena Fontes diz:

    Caro(a) Sr. Al Binda

    Tem toda a razão quando afirma que se deve denunciar os agressores e não deunciar ou estigmatizar os que denunciam os autores desses crimes. Aliás, foi o que aconteceu comigo no artigo, que saiu a semana passada, dia 8 de Janeiro 2010, no jornal “ASEMANA”, formato papel, com o título” A auto-cosimeração a pretexto da violência doméstica”, na qual a autora Helena Leite, sugere, inclusivé, e passo a citar “(…) Auguro achar que seria justo erigir uma estátua e atribuir o grau de mérito da magnanimidade suprema pela postura de indulgência, tolerância e complacência por que se pautará o suposto violentador da autora (eu) do artigo em referência.(…)”

    Como bem sabe, o nosso sistema judicial, exige, em matéria do ónus da prova, que quem alega um facto deve prová-lo – regra geral do ónus da prova -, caso contrário, o denunciante poderá ficar sujeito, mesmo que a razão esteja do seu lado, a ser processado por difamação e litigância de má-fé.

    No caso da VD, é extremamente difícil provar quem foi o autor das ofensas e do crime, por ocorrer entre quatro paredes e ser difícil o flagrante delito. Além de que os agressores regra geral sofrem de perturbações de personalidade e actuam como se tivessem “dupla personalidade”. Em casa, um monstro, e fora de casa, um cidadão simpático, respeitável e educado.

    As situações que denunciei referem-se a factos que directa e indirectamente tomei conhecimento pessoal e pela minha experiência profisional.

    Neste domínio, só poderia denunciar, como o fiz, o que conheci, conheço e posso comprovar. Em relação aos outros que, eventualmente, tenham e continuam a praticar esse crime, caberá às vítimas denunciá-los, sem medo, sem vergonha, com coragem. Foi neste sentido que resolvi denunciar e continuarei a denunciar.

    Por outro lado, procurei com os meus escritos, dizer e afirmar que a VD é praticada por qualquer pessoa, independentemente de ser Dr., Engº, politico, pedreiro, funcionário público, taxista, estudante universitário, poeta, desempregado, etc, e que atinge todas os estratos sociais. Procurei, pois, estimular e fomentar a denúncia pública, dando o exemplo, nomeadamente, quando o sistema da justiça não funciona!

    Porém, infelizmente, as vítimas continuam a ser “qualificadas” como as culpadas e merecedoras desse flagelo, e a renegarem-se como pessoas para salvaguardarem os interesses dos filhos e/ou a sua própria sobrevivência.E o sistema judicial crioulo neste particular não defende quem precisa, para não falar da própria sociedade civil, que o artigo acima referido é um bom exemplo.

    De todo modo, pode ficar descansado que todo o tipo de violência no geral que tiver conhecimento ou que presencie, denunciá-lo-ei na praça pública.

    Obrigada pela sua leitura e contributos.

    Bali

    ;)

    HF

  • bali diz:

    Algures, alguem disse, ”the opposite of simple is wrong”.

    Confesso não gostar muito do bloque pela extrema necessidade dos colunistas em procurar um vocabulário sofisticado, um tanto ao quanto cansativo mesmo para quem está habituado à esfera política.

    No entanto, gostei muito do que acabei de ler, Helena. Mais, acabas de ganhar um admirador/seguidor das suas escritas, pelo menos vou tentar, e vou recomendar este artigo a algumas valentes amigas que não têm essa tal coragem de, sequer, expor os factos aos mais chegados. (Não é uma, não são duas, nem três). Não as vai ajudar muito, mas é sempre bom ver que há crioulas dispostas em não aceitar esta triste realidade, e que encaram sem medo as consequências, embora, no mundo de hoje isso pareça uma atitude mazoquista.

    Helena:
    ”…A solidariedade, a amizade, a camaradagem, o amor, a ética, o valor
    pela dignidade humana, etc. Perderam-se ou nunca existiram na
    sociedade cabo-verdiana???…”

    Cá para mim, no rótulo existe isso tudo, mas depois não se vê na embalagem.

    Nunca vai deixar de haver violência, é a lei do mais forte, infelizmente,
    à mulher resta ter prudência, calma e sorte na escolha dos companheiros que se envolvem e esperar
    que morram mais mulheres vítimas da VD para que se implemente algo
    eficaz, prático e imediato com o fim de prevenir as vítimas e punir os agressores

    Good luck, Helena

    Bali

  • Al Binda diz:

    Nao é apenas violência doméstica que grassa na nossa terra. Ha também violência fisica em geral, caso dos thugs, e violência politica e verbal. A prova está aqui:

    Tem muita lata este nosso Primeiro ministro. Mas nao foi ele que aqui ha tempos declarou que nas proximas eleiçoes haverá muita violência verbal? Nao foi este PM que se refere a politicos da oposiçao como sendo burros na ladeira?

    Nao foi este PM que declarou nas ultimas eleiçoes que o MPD era um partido que tinha ligaçoes à mafia da droga? Nao foi este PM que disse que Tuta roubou 2 milhoes de dolares e até hoje nunca conseguiu provar isso no tribunal?

    Nao foi este chefe do governo caboverdiano que deu luz verde ao presidente da Juventude do PAI para dizer que a violência entre a juventude foi provocada pelos anos da governaçao do MPD?

    Nao foi este PM que ainda a semana passada aconselhava à FORCV a censurar os leitores que fazem anonimamente criticas ao seu governo?.

    Nao é este PM que ataca violentamente os jornais on-line?

    Enfim é preciso lembrar que José Maria Neves, ataca sempre de maneira violenta o MPD e depois afirma que nao era o que queria dizer.

    Conclusao: até quando que o MPD vai aprender a lidar com os terroristas do PAICV, tendo na primeira linha o seu presidente José Maria Neves? A unica linguagem que o PAICV percebe é a linguagem que usa.

    Falar de maneira civilizada com o PAICV é alimentar este partido comunista totalitario a prosseguir na senda que tomou desde 1974 em CVerde.

    O PAIGC é um partido de cultura de violência como todos os partidos comunistas leninistas e marxistas.

    Marx recomendava a eliminaçao da burguesia e da pequeno-burguesia para chegar ao poder.

    Amilcar Cabral nao recomendou outra coisa quando forjou a sua teoria de suícídio da pequena-burguesia”, inspirada nos trabalhos de Marx, Lenine e Mao Tsé Tung!

  • Al Binda diz:

    Eu sei que a doutora ja leu esta noticia no Semana, mas mesmo assim fui busca-la para coloca-la aqui de maneira a merecer uma reflexao e analise. Esta noticia é uma tragédia! Ela deve ser analisada sob varios ângulos:social, poliitico, juridico, psicologico, sociologico… sem esquecer o prisma do racismo;

    Mas por ora fico pela noticia:

    “Cabo-verdiana vítima de violência doméstica mata companheiro depois de uma discussão
    20 Janeiro 2010

    Uma cidadã cabo-verdiana, de 22 anos, matou o companheiro (André, 21 anos) com uma faca de cozinha depois de uma violenta discussão. O assassinato aconteceu em Loures (Portugal) onde o casal vivia em união de facto. Ao que a PJ adiantou, a autora do crime era vítima de violência doméstica e terá sucumbido à pressão de cinco anos de agressões. O Diário de Notícias conta que a gritaria começou por volta da uma da manhã de domingo e durou mais ou menos três quartos de hora. Quando os vizinhos se deram conta do silêncio, a cabo-verdiana tinha acabado de matar o companheiro com uma faca de cozinha após mais uma violenta discussão entre o casal.

    Fonte da Polícia Judiciária (PJ), que deteve a agressora de 22 anos, disse que ela “era vítima de violência doméstica há cinco anos” e que “no decorrer de mais uma discussão conjugal golpeou a vítima [André, de 21 anos] com uma faca de cozinha, vindo-lhe a provocar a morte”. Ao que o DN apurou, André foi atingido no tórax e terá tido morte imediata. Ainda segundo a PJ, Maria trabalha como auxiliar de educação numa escola e André não tinha ocupação profissional.

    A vizinhança divide-se em relação a este casal composto por uma cabo-verdiana e um português. Alguns – e nestes inclui-se o pai de André – consideram que esta tragédia já era previsível e “até é de estranhar isto não ter acontecido mais cedo”.

    A justificação reside no facto de, segundo estes, Maria “apanhar porrada todos os dias” do companheiro. Aliás, os familiares de André que se encontravam no apartamento onde sucedeu o crime aquando da presença da PJ (inclusivamente a filha da vítima, com cinco anos) disseram que a cabo-verdiana “era vítima e violência doméstica há muito, muito tempo”.

    Já uma outra vizinha que ouviu a discussão anterior ao homicídio, disse que a única que gritava era mesmo a mulher que “é uma pessoa bastante trombuda, ao contrário do rapaz que era uma jóia de pessoa”. Na rua, foram vários os populares que teceram elogios a André, segundo os quais, já tinha sido uma vez atingido à facada no braço pela companheira, que já foi presente a tribunal”.

  • Al Binda diz:

    Se o principal politico do MPD no Fogo é espancado pela policia de José Maria Neves, imaginem um pobre coitado sem eira nem beira?!

    E’ este o estado de direito e de democracia de José Maria Neves?!

    O povo ja sabe o que lhe espera se continuar a votar em Zé Maria.

    Eu nao li na imprensa que Zé Maria espancava a sua primeira mulher que vive nos Estados Unidos?

    Para quando uma investigaçao deste jornal on-line, uma entrevista com a dita mulher, para a gente ficar a saber a verdade!

    O povo quer saber se o PM passa a vida a falar nas mulheres, precisamente para esconder o seu lado machista que bate nas mulheres!

    Os psicanalistas conhecem esses individuos!

    Al Binda

  • Filomeno diz:

    TUD DRET?

    Com o pouco tempo que tenho, quero dizer que as nossas revoltas devem ser endereçadas para outro lado, e não aqui.

    Esta página devia ser só para assuntos que interessa e não para propaganda política.

    Ao invés de estarem a perder tempo em escrever aqui a vossa revolta partidária deviam era estar a pesquisar e investir no vosso conhecimento para que possam fazer algo melhor que os que estão no PAICV ou MPD.

    Em fim, sejam mais inteligentes e menos fanáticos pelos partidos.
    Parecem aqueles que se matam nos cafés por causa dos clubes de futebol.

    Sinceramente!

  • Al Binda diz:

    Oh Filomeno escreve algo para eu ver se te investiste de facto no “conhecimento”! Duvido seriamente, mas dou-te o beneficio da duvida. Escreve algo para me desmentires, para contrapores os meus pontos de vista. Isto é que interessa!

  • Nome ADiLCAO diz:

    ola a todos;sou cabo verdiano que vive en suiÇa mas sempre querendo saber de cabo verde,e os progressos,mas porque nao se fz uma manifestacao em cabo verde?porque as pessoas nao vao para as ruas falar,porque ninguem faz nada,publicamente.?porque somos limitados em falar de politica.é este que me da isto e outra que me da este,porque nao qual o partido que nos da a todos?numca pergunterem issso?que seja um primeiro ministro para todos,nao para apenas aqueles que os votou.

  • valdecy diz:

    Leia artigo que escrevi sobre a Lei Maria da Penha. A partir de entrevista da própria Maria da Penha, em 31/01/2010, que defende a existência de uma lei para prender os que ameaçam. ATESTANDO ASSIM A INEFICÁCIA DA LEI QUE LEVA O SEU NOME. Após tanta violência e mortes já em 2010. Vitimando mulheres. MAS A LEI MARIA DA PENHA REALMENTE FRACASSOU? O QUE FAZER? QUAIS E COMO OS ATORES SOCIAIS DEVEM AGIR? Leia, divulgue e comente ARTIGO DO MEU BLOG, clicando em: http://www.valdecyalves.blogspot.com

  • EM MIMORIA DO FALECIDO MANUEL DELGADO

    Aqui Jaz: Vítimas do Governo de Pedro Pires ( E DE SES THUGARISMO)

    “…Os nossos jovens precisam conhecer a verdade pois são todos os dias bombardeados com mentiras preparadas pelos ideólogos do PAICV para esconderem os crimes horrorosos que vêm cometendo desde 5 de Julho de 1975 até agora. Durante a ditadura foram na verdade torturados e assassinados muitos cabo-verdianos que se atreveram a discordar de Pedro Pires e do PAICV. Gostaria de deixar o meu testemunho de apenas alguns casos de pessoas com quem convivi de perto, pois falar de todos os perseguidos, torturados e assassinados pela polícia política de Pedro Pires e do PAICV encheria um espaço muito maior que um livro. Aqui em Cabo Verde toda a gente sabe o que se passou mas os nossos emigrantes e seus filhos são enganados pelos activistas do PAICV e desconhecem a verdade.

    1) – ADRIANO SANTOS foi fuzilado em Santo Antão sob as ordens assassinas de Jota Jota e Pereirona nos incidentes de 31 de Agosto, o corpo dele coberto de moscas foi abandonado na rua e ao sol durante todo o dia, para servir de exemplo, com ordens do Jota Jota para ninguém o retirar dali. Depois de passar anos impunemente a torturar e a matar cabo-verdianos, a embriagar-se e a abusar de raparigas em Santo Antão e no Fogo, Jota Jota hoje é cidadão americano e está na América a fingir-se de vítima da Democracia e a coordenar a lavagem ao cérebro dos emigrantes e das crianças cabo-verdianas nas escolas americanas. Pereirona é novamente Ministro. O malogrado Adriano Santos deixou órfãos e viúva.

    2) – TITINO BOXEUR foi torturado até à morte pela polícia política de Pedro Pires e do PAICV e os seus assassinos estão uns na América como cidadãos e outros no alto comando da Polícia em Cabo Verde. Deixou órfãos e viúva.

    3) – OSVALDO ROCHA, meu colega do Liceu, foi preso sem culpa formada e torturado pela polícia politica do PAICV e de Pedro Pires. A mãe morreu com um ataque cardíaco por causa do sofrimento do filho na prisão. Os primos dele, Agnelo Chantre e o Dr. António Olavo Rocha, ambos militantes do PAICV nessa altura, pediram a Pedro Pires que o autorizasse a acompanhar o enterro da mãe. Foi a pior coisa que podiam ter feito pois Osvaldo Rocha foi ao enterro algemado e acorrentado, cercado por agentes da polícia política armados com a metralhadora russa AK47. A partir daí, ele pedia um médico por causa das dores e em vez de médico davam-lhe mais porrada. Pisaram-lhe o fígado, os rins e o baço, até que o Dr. Dario Dantas mandou que o evacuassem urgente para Lisboa para evitar mais uma morte nos calabouços da Segurança. Acabou de chegar a Lisboa e morreu deixando órfãos e viúva. O seu “crime”, tal como o de todos os outros, foi ter defendido as suas propriedades manifestando-se contra a lei comunista da reforma agrária que tomava a terra dos proprietários para a entregar a militantes do PAICV.

    4) – TOI DE FORRO, um homem de 70 anos de idade, foi desumanamente torturado pela polícia politica de Pedro Pires e do PAICV acabando por morrer nos calabouços da Segurança. Foi torturado de tal modo que Pedro Pires deu ordens para não deixarem a família ver o corpo todo pisado e queimado. Foi enterrado sem que a família pudesse despedir-se dele, deixando órfãos e viúva.

    5) – ANTONIO DUARTE ALMEIDA (TOI DUARTE) foi preso sem culpa formada juntamente com Toi de Forro, torturado pela polícia política de Pedro Pires e do PAICV, manteve-se firme e conseguiu sobreviver às torturas. Quando o libertaram condicionalmente para depois o irem buscar novamente, fugiu para os Estados Unidos salvando, assim, a vida.

    6) – LULU MARQUES DA SILVA foi preso sem culpa formada, torturado impiedosamente pela polícia politica de Pedro Pires e do PAICV, acabando por morrer em casa como consequência das torturas. Deixou órfãos e viúva.

    7) – MARIO LEITE foi preso sem culpa formada e torturado pela polícia política de Pedro Pires e do PAICV. É um dos raros sobreviventes e reside em S. Vicente.

    Cool – JOAOZINHO DE DADAL foi preso e desumanamente torturado pela polícia política de Pedro Pires e do PAICV, ficou estropiado e inutilizado. Vivia em S. Vicente.

    9) – TUA MIRANDA, o mais idoso de todos, preso sem culpa formada e torturado pela policia politica de Pedro Pires e do PAICV. Morreu poucos anos depois.

    10) – MARCOS FORTES foi preso e torturado barbaramente pela polícia política de Pedro Pires e do PAICV, também é um dos sobreviventes e ainda hoje sofre as consequências das torturas. O seu maior desgosto e uma dor maior que as torturas que suportou estoicamente é ver-se a si e à sua família traídos por uma filha que hoje é membro do Governo do PAICV saído da fraude eleitoral de 22 de Janeiro.

    Bastam esses 10 exemplos para mostrar do que Pedro Pires e o PAICV são capazes de fazer para estarem no poder à força e contra a vontade do povo. Recomendo a todos os cabo-verdianos, verdadeiros amantes e defensores da Liberdade e da Democracia, a leitura do livro “A TORTURA EM NOME DO PARTIDO UNICO – O PAICV E SUA POLICIA POLITICA” da autoria de Onésimo Silveira que hoje é militante e deputado do PAICV, escrita logo após a queda da ditadura. Esse livro denuncia, através de entrevistas com as vítimas, os crimes horrorosos cometidos por Pedro Pires e pela sua polícia política.

    Factos são factos e contra factos não há argumentos. Não é possível desmentir que as pessoas foram perseguidas, torturadas e assassinadas, porque algumas estão ainda vivas e os órfãos, viúvas e familiares dos assassinados também estão vivos e à espera de Justiça.”

    Por Manuel Delgado

  • Undertaker diz:

    Há um valente comentário no Artigo de José Luis Neves a responder ao deste de Manuel Underdoglas Delgado. Boas leituras!!!

  • Mikibem diz:

    a questão é tão somente, vilência doméstica. Devíamos centrar o debate na questão e, quando muito, em assuntos conexos

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