Ética, Valores e Desenvolvimento
Dentro das minhas limitações e influenciado pela leitura de determinados autores de referência que se pronunciaram sobre matérias de direito, filosofia, ética, política, sociologia, economia, etc., entre os quais destacam-se Aristóteles, Thomas Jefferson, Kant, Antony Giddens, Andrew von Hirsch, etc., venho realizando algumas reflexões sobre o impacto que o cultivo da ética e dos valores têm para o desenvolvimento, melhoria do bem-estar e a realização das pessoas e da sociedade em geral.
Em relação a ética, esta palavra é originado do termo grego ethos que significa ser, carácter. Esta palavra deu origem ao termo latino mos, ou mores no plural, que significa costumes, ou seja, a tal prática reiterada com carácter de obrigatoriedade jurídica, sendo por isso admitido em alguns casos como uma das fontes do Direito.
Quanto aos valores, podemos entendê-lo como o Prof. Antony Giddens, como sendo algo cuja prática é considerado bom, importante, útil e desejável, e que como tal deve ser cultivado e prosseguido. Desses valores podemos destacar o trabalho árduo, o respeito pelas regras, a igualdade de oportunidades, a liberdade, etc. Diz o Prof. Antony Giddens:
As ideias que definem o que é importante, útil e desejável são fundamentais em todas as culturas. Essas ideias abstractas, ou valores, atribuem significado e orientam os seres humanos na sua interacção com o mundo. A monogamia – a fidelidade a um único parceiro sexual – é o exemplo de um valor proeminente na maioria das sociedades ocidentais[1].
O desenvolvimento que entendemos como a melhoria do nível de bem-estar económico, social, cultural e intelectual dos indivíduos, o que em suma irá fazer com que as pessoas possam viver com mais dignidade e que alcancem uma melhor realização. Mas para que seja possível este desenvolvimento económico, intelectual, social e cultural é necessário que a sociedade, na sua maioria, ou pelo menos numa parte significativa se empenhe na cultivo e na prossecução de determinados valores, como por exemplo o trabalho árduo e o respeito pelas regras que irão permitir a melhoria e o desenvolvimento do sistema de educação, do sistema de justiça, segurança, etc., e a criação da riqueza necessária para que todos possam viver com mais dignidade e desta forma alcançarem a sua realização pessoal e social.
É necessário a definição objectiva e a prossecução deste conjunto de princípios e de valores positivos – como trabalho árduo e o respeito pelas regras, espírito de sacrifício, disciplina, esforço, rigor, exigência, etc., – e que como já dissemos, que essa prossecução seja realizada pela maioria ou por uma parte significativa dos membros da sociedade. É que como sabemos, se numa equipa de futebol apenas dois ou três atletas tiverem qualidade e que se esforçarem no sentido de desempenharem bem a sua função, mesmo assim, isto será insuficiente se os outros não derem a sua colaboração, e a equipa não irá conseguir obter bons resultados. A obtenção de bons resultados implica que todos, ou pelo menos a maioria ou grande parte dos membros, se empenham e se esforcem, em prol da equipa. Só desta forma será possível a criação dos recursos necessários e a sua justa distribuição entre os membros da sociedade, o que irá permitir a realização pessoal e social dos membros da comunidade.
Da minha análise – que como já referi, reconheço que possa haver algumas limitações – constato que algumas sociedades apresentam um melhor desempenho em relação às outras no cultivo e na prossecução desses valores, e considero que a diferença do nível do desenvolvimento existente entre as sociedades mais desenvolvidas e as menos desenvolvidas, não se prende com qualidades inatas dos indivíduos, mas sim com cultivo e a prossecução desses valores pela maioria ou por uma parte significativa dos membros dessas sociedades. Partilho da ideia do Prof. Antony Giddens, segundo o qual os valores e as normas variam de forma significativa entre as sociedades e as culturas, condicionando assim o seu desenvolvimento. Diz o Prof.
As normas e os valores variam muitíssimo entre as culturas. Algumas valorizam grandemente o individualismo, enquanto outras podem enfatizar as necessidades colectivas. Um simples exemplo ilustra bem tal. A maioria dos alunos britânicos sentir-se-iam indignados se descobrissem um colega a copiar num exame. Na Grã-Bretanha, copiar do colega do lado vai contra os valores fundamentais da realização individual, da igualdade de oportunidades, do trabalho árduo e do respeito pelas regras. No entanto os estudantes russos sentir-se-iam intrigados com esta noção de ultraje dos seus colegas britânicos. A entreajuda entre colegas num exame é reflexo do quanto os russos valorizam a igualdade e a resolução colectiva de problemas face à autoridade.[2]
Neste sentido, considero que aquilo que é importante é a definição dos princípios e dos valores que a sociedade deve cultivar e prosseguir, uma vez que a melhoria do seu nível de bem-estar, do seu sistema de educação, justiça, saúde, segurança, etc., está intimamente ligada aos valores, princípios e regras que são cultivadas e prosseguidas pela maioria dos seus membros.
Dizia o Presidente Norte-americano, Barack Obama, no seu livro Audácia da Esperança, que «o valor fundamental que os pais devem transmitir aos filhos e a sociedade aos mais novos é o valor do trabalho árduo e do respeito pelas regras»[3]. A experiência têm demonstrado que não são as sociedades onde existem mais recursos naturais, aquelas que são mais desenvolvidas e aquelas onde as pessoas vivem com mais dignidade e com mais conhecimentos, mas sim aquelas onde a maioria da população se preocupa, cultiva e prossegue de forma muito razoável, os valores do trabalho árduo e do respeito pelas regras.
Isto deve-nos fazer reflectir e tomar a decisão mais acertada, que do nosso ponto de vista passa por afastar o relativismo ético e de valores, que leva muitas vezes as pessoas a manterem determinados tipos de comportamentos que são negativos e impedem o desenvolvimento, só pelo facto de esses tipos de comportamentos serem práticas reiteradas e normalmente aceites e seguidas pela maioria dos membros da sociedade, apesar de sabermos que ele condiciona o desenvolvimento e condena à pobreza e à indignidade a maioria da população.
Entendemos que é importante considerarmos que todas as culturas têm aspectos positivos e aspectos que são menos positivos e outros que podem mesmo ser considerados como sendo negativos – como por exemplo o excesso de laxismo, a preguiça, a tolerância à corrupção e à violência que infelizmente existe de uma forma exagerada em algumas sociedades. Neste sentido consideramos que deve haver a definição dos aspectos positivos devem ser cultivados e prosseguidos por todos, os menos positivos devem ser melhorados e os aspectos negativos devem ser eliminados, de forma a permitir o desenvolvimento a melhoria da qualidade de vida e o nível cultural das pessoas.
A dignidade da pessoa humana é o valor fundamental que deve ser protegido e salvaguardado por toda a sociedade. E para que possa haver uma defesa e protecção eficaz desse valor, consideramos que é necessária a defesa e a prossecução de determinados princípios e de determinados valores – como o trabalho árduo e o respeito pelas regras. Entendemos que só a defesa e a prossecução desses princípios e desses valores irão permitir a criação e a distribuição justa dos recursos materiais necessários para a satisfação das necessidades humanas básicas, e também a obtenção de conhecimentos e do património cultural e intelectual, que irá permitir às pessoas alcançarem a sua felicidade e a sua realização.
O cultivo desses valores irá permitir que as pessoas possam adquirir conhecimentos para melhor exercerem os seus direitos e também melhor cumprirem com os seus deveres. A falta do cultivo desses valores pode trazer e traz naturalmente consequências negativas, como por exemplo à má qualidade do sistema de educação, justiça, de segurança, etc., e em último caso da própria democracia. Isto porque as pessoas não se encontraram devidamente preparadas para exercer os seus direitos e cumprir com as suas obrigações. É neste sentido que dizia Thomas Jefferson:
I know of no depository of the ultimate powers of the society but the people themselves; and if we think them not enlightened enough to exercice their control with a wholesome discretion, the remedy is not to take it from them, but to inform their discretion.[4]
Thomas Jefferson, que foi o Terceiro Presidente Norte-americano, e autor da Declaração de Independência dos Estados Unidos e um dos grandes intelectuais da sua época, chamou a atenção por este facto fundamental, e com o qual concordamos. A democracia é de facto o melhor sistema de governo, mas ela só funciona de forma saudável e adequada, se o povo que é quem exerce o poder de soberania estiver preparado ética e intelectualmente para exercer a sua função, que é a de escolher os seus melhores representantes e fiscalizar em última instância o seu desempenho. E quanto a nós isto só é possível com o cultivo desses princípios e valores.
Consideramos que o mais importante é aquilo que dizia Aristóteles na sua grande obra, Ética a Nicómaco, «que a excelência está na disposição do meio», ou seja que os extremos são sempre negativos. E quanto a nós, entendemos que a felicidade e a realização humana encontram-se nessa excelência, que só se consegue alcançar com o cultivo e a prossecução desses princípios ou valores positivos – o trabalho árduo e o respeito pelas regras.
[1] Giddens Antony, Sociologia, Calouste Gulbenkian p.22
[2] Giddens, Antony, ob., cit., Ibidem
[3] Obama Barack, Audácia da Esperança.
[4] With Liberty and Justice for All, the story of the bill of rights, Center for the Civic Education.
Parabéns pelo artigo. Está bem.
Falar epautar pela teoria é muito fácil, que conselhos dás ou que perspectivas tens para a prática moral nos dias de hoje? Será que naquilo que se julga ser negativo não existe algo de positivo que se possa tirar dali?
Quando defines a ética e a sua origem eu não percebi em que sentido queres falar se objectivo , subjectivo ou se as duas coisas ao mesmo tempo.
Uma outra questão será que não existe outras formas para se alcance e se entenda a felicidade para além daquelas que mencionaste?
Os grandes cérebros só passaram a ser assim considerados depois de darem ao mundo a conhecer o que pensavam. Não é verdade, Senhor Al Binda?
É lamentável que em vez de encorajar a juventude ao esforço intelectual procura vilmente deitá-los abaixo como se os velhos de hoje não tivessem igualmente experimentado similar irreverência e vontade de romper com a tradição aquando da sua juventude. Ou será apenas porque estes são jovens Africanos?
Haja bom senso!!!
Caro Elvino
Obrigado pelo comentário.
Kant dizia que existem conhecimentos que são adquiridos a priori, ou seja antes e independentemente da experiência. É claro e essencial que não fiquemos apenas no conhecimento teórico, mas que procuremos implementar e executar os princípios e os valores que são fundamentais para o nosso desenvolvimento económico, social e cultural.
Penso que esta deverá ser uma preocupação de todos ou da maioria porque só assim será possivel desenvolvermos a nossa sociedade. Como dizia Antony Giddens devemo-nos concertar na prossecução de determinados valores – como o trabalho árduo e o respeito pelas regras – porque só assim será possivel construirmos um bom sistema de educação, justiça, segurança e combate à corrupção, e desta criar condições para o nosso desenvolvimento.
Não existem sociedades perfeitas, tal como não existem Homens perfeitos. Os Romanos já diziam “errarum humanum est”, mas o que não deve ser considerado humano é não querer corrigir e permanecer no erro. Por outro lado penso que devemos ser pragmáticos e reconhecer que existem sociedades onde de facto existem bons sistemas de educação, justiça, segurança, combate à corrupção, e que em consequência disto, conseguem ter uma melhor economia e proporcionar melhores niveis de bem-estar às suas populações.
Penso que partindo deste pressuposto, através de uma melhor prossecução dos valores – como o trabalho àrduo e respeito pelas regras – podemos também nós melhorar o nosso sistema de educação, justiça, segurança, etc., e através disso alcançar um melhor nível de desenvolvimento.
Emanuel.
A Etica de Giddens foi a de aconselhar Tony a mentir! Forjar por exemplo um memorandum dizendo que havia armas quimicas no Iraque para convencer o parlamento inglês a dar luz verde ao apoio do Reino Unido a Bush para se invadir o Iraque.
Hoje ficou provado que o memorando era falso. Tony mentiu ao seu povo e ao mundo, e certamente que o seu conselheiro, o seu mentor Giddens esteve também por tras.
Conclusao: a ética de mentir giddensiana deve ser uma boa moralidade para ensinar os jovens thugs crioulos.
Enquanto isto so leio futilidades; nao vejo nenhuma teoria, mesmo encostada a Keynes, a Walras ou mesmo a Marx, de criaçao de empregos dos nossos jovens brilhantes. Um deles diz-me que nao incentivo os jovens.
Mas esse lê mesmo o que escrevo? Mas eu passo a vida a dizer aos jovens para primeiro trabalharem e bem na escola, para estudarem, para lerem livros, e vem esse cromo dizer que sou contra jovens?
Esses jovens que passam a vida nas discotecas, e nao fui eu a dizer isso, mas um dos vossos, aqui mesmo neste espaço, que apanham bebedeiras e nao vao às aulas?! Sao os mesmos que querem ir depressa demais.
Vejam so o filho do primeiro ministro que ainda anda na universidade, mas ja é porta voz do PAICV em Portugal; acham isso normal? Que um jovem que ainda nao terminou os estudos, e por ser filho do primeiro inistro ja é porta voz de um partido? Quer dizer ele começa logo pelo topo em vez de terminar os estudos e depois começar pela base?§
Respondam la se isso é normal? Se nao tem um nome? NEPOTISMO no reino de Joséz Maria e familia..
Al Binda
Caro Albinda
O senhor, não passa dum epigno conjuntural, bem queria eu respeitar a sua mensagem opinativa.No entanto, vejo que é um infantíl sentimental.
No dia 27 vou lá no debate tertuliano, se quiser apareça alí.Pela sua, informação, não estou a fazer mestrado, ainda estou acabar, a licenciatura.
Não, preciso, ter mestrado para ser um intelectual nato e muito menos ter uma licenciatura para ser um homem fiel aos bons costumes e ao direito.
Meu caro
Penso que o senhor coloca as questões a nível demasiado baixo que acaba por ser contraproducente continuar este debate. É que sem o respeito pelos direitos fundamentais, como a dignidade da pessoa humana e a integridade moral dos outros não se pode ter um debate construtivo que é o que se pretende aqui, e estaremos apenas a ofender e a insultar os outros, o que é “primitivo”, e como tal deve ser condenado.
Outra questão importante que gostaria de chamar atenção, prende-se com o facto de que como sabemos os Homens são seres limitados, ou seja cometem erros. Como diziam os Romanos “errarum humanum est”, isto para dizer que o ex-primeiro ministro Britânico Tony Blair e Antony Giddens como seres humanos que são certamente cometeram alguns erros, como todos nós cometemos, mas aquilo também que não se pode negar, pois os factos o demonstram, é que são estes senhores um dos principais responsáveis pela reforma e desenvolvimento de um dos melhores sistemas de educação, justiça, segurança, combate à corrupção, etc., do mundo, e o resultado disso é que os Inglaterra é um dos países mais desenvolvidos do mundo.
Portanto aquilo que Antony Giddens dizia, que é fundamental que a maioria da ou uma parte significativa da sociedade deve prosseguir determinados valores – como o trabalho árduo e o respeito pelas regras – para que possa haver desenvolvimento, é demonstrado pelo rigor que os Anglo-Saxónicos colocam no seu sistema de educação, justiça, segurança, combate à corrupção, etc., o que faz com que estejam a um nível de desenvolvimento superior à grande maioria das outras sociedades.
Penso que esta constatação não nos deve entrestecer ou criar ciúmes ou outros sentimentos negativos em relação a eles, mas antes despertar-nos pelo facto de que nós também se atendermos e prosseguirmos mais e melhor a esses valores, que também nón seremos capazes de melhorar o nosso sistema de educação, justiça, segurança, combate á corrupção, etc., e em consequência disso, desenvolvermos a nossa sociedade.
Para terminar volto a apelar ao bom-senso e à elevação do nível do debate.
Emanuel.
Caro Albina
A esquizofrenia sentimental, nos leva a pressupôr, como sendo o monópolio verídico a nossa mesnsagem opinitiva.
No entanto, os mesmos esquiziófrénicos sentimentais, esquecem uma coisa que se chama “relativismo opinativo”, caso contrário, acabaríamos por situar na infância do sentimento e da redicularização do própio “eu”, ou para ir mais longe, sufocar, o primado da constituição que, é o respeito pela liberdade de outrem.
Durante a história da humandidade, existiram homens(Hitler, Estaline, Calígula ou Drácula e.t.c), que tentaram impôr os seus ideias como sendo um monópolio ideológico instraponível, mas não passaram de verdades com faces de mentira.
Destarte, a verdade deve ser imbuída e revistida dum espectro de imparcialidade verossímil, para que cada um de nós possamos desfrutar dum mundo melhor
Mas o Ulisses anda mesmo na Universidade?!Tu és um desastre a ecrever rapaz!
Sobre o relativismo consulta aqui mesmo o que escrevi na matéria.
Meus caros
Penso que podemos fazer progressos significativos nesses debates em prol da melhoria dos nossos conhecimentos, e a partir daí darmos um contributo positivo para o desenvolvimento da nossa sociedade.
O senhor Al Binda que me parece ser um homem com um nível de conhecimento acima da média, o que deve ser realçado, no entanto parece-me que algumas vezes nas suas declarações peca por exagerar nas suas críticas que ultrapassam os parâmetros daquilo que é razoável.
Penso que esses debates devem ser vivos, com trocas de argumentos consistentes e convincentes, porque só a partir daí é que se consegue alcançar o progresso.
Quanto à questão do artigo que está em debate, a minha posição continua a ser muito próxima daquela defendida pelo sociólogo Antony Giddens, ou seja, que o desenvovimento das sociedades depende dos valores que são prosseguidos pela maioria ou por uma parte significativa da população, e que uma sociedade só consegue atingir um bom nível de desenvolvimento, se essa maioria ou parte significativa da sociedade, prosseguir valores como o trabalho árduo e o respeito pelas regras.
Emanuel.
Caro ALBINDA
Ainda, há de me ver como, Primeiro Ministro de Cabo verde.Sente-se, ofendido por lhe chamar epigno conjutural?
Devia era ter vergonha, um homem com a sua idade, ser um conspicuo sentimental, ou melhor um irregenado da vida.
Sabe, uma coisa, lula da silva, nunca teve uma formação académica mas, é mais sensato do que o senhor.
Eu, reconheço, que não sei escrever mas também, reconheço, que pessoas como o senhor nunca vai ser nada na maquica governativa no meu país e se for é porque é um “saco azul”, pré-fabricado.
Não se preocupe, porque eu vou ser juiz e pessoas, como o senhor, que ferem a integridade moral de outrem, vão ter a vossa própia paga.
o debate continua.
Caro Ulisses
Como já tive oportunidade de dizer-te, tenho respeito e estima por ti, e penso que é natural que te sintas ofendido com algumas declarações infelizes de que fostes alvo, tal como eu também fui, e que tens todo o direito de reagir a essas situações.
Mas penso que para o bem do debate e em prol da defesa dos valores mais elevados e dos princípios éticos, não devemos responder na mesma moeda porque senão o debate irá necessariamente descer para níveis irrazoáveis, e deixaremos de ter verdadeiramente um debate académico, que é o que se pretende aqui, e passaremos simplesmente a insultarmos uns aos outros, o que é negativo.
Penso que devemos trabalhar em conjunto para o nosso progresso pessoal e em consequência disso conseguirmos desenvolver a nossa sociedade, e isto passa necessariamente pelo debate de questões como a ética, o direito, a política, a economia, etc., mas dentro de determinados parâmetros.
Emanuel.
Oh Emanuel, tu tens que ser mais honesto e reconhecer que nunca ataquei nem ofendi ninguém em primeiro lugar;limito-me apenas a responder e reconheço sim que nas minhas respostas sou mau.
Reonhece que todos querem aqui medir-se comigo, quando eu no meu caso, me limito a responder aos artigos mas os leitores insistem em dialogar comigo, chamando-me isto e aquilo. Reconhecer isto nao é rebaixar-te.
Vê por exemplo o Ulisses que insiste em meter-se comigo nao sabendo sequer que ele escreve palavras que nao existem. Diz ao rapaz que o que existe é epigono, como acento agudo sobre o i.
Como é que vocês querem debater comigo se nem as palavras se conhecem? Como é que Ulisses quer julgar homens como ele, se ele nao conhece as palavras? Pode ele saber arquitectar uma sentença?
Diz ao menino que me estou nas tintas se ele vai ser ou nao primeiro ministro em CvERDE; tal nao me preocupa. Eu nao sou candidato a nada em Cabo verde.
O que me interesse é o poder do conhecimento, e por favor Emanuel, dizes tu que talvez eu esteja acima da média? Duvidas, rapaz? E essa tua média é de quanto?
Oh menino ainda nao te convenceste que a minha média escolar foi sempre altissima?!!!!
Al Binda
Caro Al Binda
Eu sei que não sou perfeito, e que por vezes cometo alguns exageros, infelizmente isso faz parte da natureza humana. Como os próprios Romanos já diziam “errarum humanum est”. Reconheço que o senhor tem sido alvo de várias críticas, mas o senhor também tem de reconhecer que por vezes excede nas críticas que faz aos seus interlocutores.
Penso que todos nós devemos ser mais moderados, o que não quer dizer que devemos deixar de debater e de provocar algumas vezes, porque caso contrário, sem um diálogo vivo e por vezes mesmo um pouco agressivo, não conseguiremos marcar bem a nossa posição.
Devo dizer-lhe que da minha parte não quero competir consigo, uma vez que o senhor já disse aqui que está no final de uma carrreira internacional, e eu sou ainda apenas um mestrando em direito, e ainda com pouca experiência laboral. Por isso o meu interesse nesse momento é apenas o de debater questões de interesse, no campo do direito, filosofia, ética, economia, etc., porque considero que só desta forma será possivel alcançarmos o progresso.
Do ponto de vista cultural como disse, penso que o senhor Al Binda revela ter uma cultura acima da média, o que é salutar, e confesso que me deixa satisfeito.
Mas se me permite fazer duas observações, penso uma das críticas que se lhe possam apontar tem a ver com o facto de por vezes ser excessivamente vaidoso, e por outro lado, não querer reconhecer que pessoas como Tony Blair e Antony Giddens, que como seres humanos que são, naturalmente não são perfeitos, mas que foram pessoas extraordinárias, responsavéis pelo desenvolvimento de um melhores sistemas de educação, justiça, segurança, combate à corrupção, etc. do mundo, e que como tal deveriamos aprender com os seus exemplos.
Emanuel.
Anda la rapaz leva a bicicleta para a casa e nao te esqueças do tony e do antony!
Sim sou vaidoso! Mas eu nao te disse que sou de Soncente, rapaz?!
Caro Al Binda
Vaidoso também eu sou! Penso que o Al Binda é muito vaidoso! mas como o próprio disse, isso é normal uma vez que é de Soncente.
Deve ser por isso que o tem um certo “ciúmes” do Balir e do Giddens, por eles terem uma notoriedade relativamente superior à sua. Mas deixa estar é que eles são Anglo-Saxónicos, se o Al Binda fosse Anglo-Saxónico ou Germânico certamente estaria à altura deles, em termos de notoriedade. Espero que não leves a mal.
Emanuel.
CARO ALBINDA
É NECSSÁRIO, SERMOS TÃO RELES, PARA EXPORMOS A NOSSA OPINIÃO?
PERGUNTA, O SUZANO, NIVALDO, GAZUZA, ELSIO, ADALBERTO…..
PESSOAS QUE COM TODO, GOSTO VOU FALAR DIPLOMATICAMENTE COM ELES,
MAS , COM O SENHOR NÃO!!!!!!!!!!!!!
O MEU DEBATE TERTMINOU, CONSIGO
QUEM SÃO ????
# Adalgiza Santos
– PAICV(SAL/SÃO VICENTE)
# Démis Lobo Almeida
– PAICV(SAL)
# Emanuel Sousa
– PAICV (FOGO/SAL)
# Helderyse Rendall
– PAICV(…)
# José Luís Neves
– PAICV(SANTIAGO-) FILHO “BASTARDO” PRIMEIRO MINISTRO
# Josiano Nereu
– PAICV(SAL)
# Suzano Costa
– PAICV(SANTIAGO)
ISTO É tertuliaPAICV
obs: Sou Bruxo e quero ajuda das pessoas deste blog para traçar o perfil desses miudos, preciso urgente de fazer um texto sobre “A Ganancia do Pode”
Pelos vistos caiste com os tonys da bicicleta, rapaz! Estou a ver que tu nao és vaidoso, mas sim cultivas uma espécie de complexo de inferioridade em relaçao ao anglo-saxonicos e germanicos.
Porque serà?! Serà que o jovem é desses que pensam que os germanicos de olhos azuis pertencem a uma raça superior por serem brancos?!
Decididamente nao consigo debater com a minha gente, que sim senhor, é muito complexada.
Oh rapazinho, como posso ter ciumes dos Tony e Antony, que so falam inglês? Bem o primeiro arranha pessimamente o francês porque quando jovem foi barman em Paris. Mas o segundo so fala mesmo so inglês.
Oh rapaz, acho que se formos falar em ciumes, olha que os teus deuses sairao a perder!
Eu domino a lingua deles, enquanto eles das minhas nao dizem uma unica palavra. E porque falaste tambem em germanicos, devo dizer-te que também domino a lingua de Goethe. Logo, como posso ter ciumes dessa gente?
Alias quando me encontro com intelectuais europeus, eles ficam sempre atrapalhados frente a este crioulo que nao sabem situar e que fala a lingua deles e lhes serve mesmo de intérprete de borla.
Perguntam-me sempre “mas você é donde, qual é o seu pais, como é que conhece a minha lingua”?
Costumo sempre contar uma anedota veridica que se passou comigo num encontro internacional de filosofia com o grande filosofo alemao Habermas com quem me pus a falar em alemao e às tantas ele perguntou-me “qual era a minha especialidade e onde tinha aprendido alemao”.
Mas o mais anedotico era a bicha de grandes filosofos ingleses, franceses e outros que me viam a falar com Habermas e que estavam cheios de “ciumes” porque uns nao sabiam falar nem alemao nem inglês, que era a lingua que ele tinha feito a sua conferência. Entao no fim eram todos eles a perguntar-me quem era, qual era a minha especialidade, quantas linguas eu falava etc etc…
E eu “vaidoso” respondia com um sorriso de gozo sou crioulo de Soncente!
So que para seres vaidoso tens que ter canela! Olha que os tonys nao têm canela nenhuma, apenas garganta e no caso do giddens algumas teorias sociologicas de pacotilha…
Caro Al Binda
Eu sou vaidoso, não sou é excessivamente vaidoso a ponto de pensar que sou o centro e que tudo gira à minha volta. Sou capaz de reconhecer os méritos dos outros me esforçar para ir mais além.
O senhor Al Binda pelo contrário parece que fica aterrorizado se pensar que existem pessoas com um nível de conhecimento e de notoriedade relativamente superior á sua, e penso que é isto que o leva a não querer reconhecer o mérito dos outros – neste caso do Blair e do Giddens. Devemos ultrapassar esse obstáculo para podermos realizar aquilo que os Romanos já diziam “suum quique tribuere”.
Quanto à questão do complexo de inferioridade, penso que temos que o analisar melhor, porque quem sente o complexo de inferioridade é quem tem vergonha de reconhecer o óbvio. Eu procuro reconhecer os factos e tento dar o meu melhor para chegar aos meus limites. Penso que o meu caro tem alguma dificuldade e sente algum complexo em reconhecer aquilo que é óbvio.
Devo realçar que não estou a falar da dignidade da pessoa humana que defendo que isso é igual para todos, independentemente de ser africano, anglo-saxónico, germanico, asiático, etc., mas sim do esforço e da prossecução dos valores que uns fazem melhor que os outros.
O Al Binda diz que os “tonys” não têm “canela”, mas como sabemos o Balir estudou direito em Oxford, e era considerado um dos advogados mais eloquentes no tempo em que praticou a advocacia e foi também um dos grandes primeiro-ministro que a Inglaterra teve, e o Giddens é neste momento um dos cientistas sociais de maior referência a nível internacional.
Penso que não reconhecer isso é que revela algum complexo, não que eles não tenham cometido alguns erros, mas isso é próprio dos seres humanos. Para terminar, penso que seria importante que o Al Binda nos dissesse qual é a sua formação para um melhor enquadramento do debate.
Emanuel.
Caro Ulisses
Penso que devemos ser mais tolerantes, como já disse aqui num debate académico devem ser respeitadas determinados parâmetros como a dignidade e a integridade moral dos interlocutores, e quando esses parâmtros forem violados devemos chamar atenção e apelar ao bom-senso.
Mas por outro lado, se o interlocutor der sinais de melhoria e apresentar-se em condições de manter o debate dentro desses parâmtros, penso que o debate deve continuar, porque é através do debate e da troca de argumentos que adquirimos e melhoramos os nossos conhecimentos.
E penso que o senhor Al Binda como homem que possui um índice cultural acima da média, como ele já o disse aqui várias vezes, percebe isto muito bem, e está interessado em manter o debate dentro desses parâmetros.
Emanuel.
Mas porque é que o puto insiste em que eu reconheça Giddens e Tony? Sao as tuas referências, rapaz, e nao tenho que reconhecer neles nenhuma especialidade. Nao te chega o Habermas? Achas que Giddens vale mais do que Habermas? Achas que Tony é mais advogado (que ele exerceu pouco tempo) do que Carlos Veiga que exerceu mais de 30 anos, do que tantos outros advogados lusofonos. O nome de Veiga é apenas um indicativo e por ele ter sido também priùeiro ministro como Tony.
Achas que alguém que so fala uma lingua tem mais valor do que alguém que fala uma meia duzia. E quando digo falo, refiro-me melhor dizendo escrever, ler numa lingua e nao covnersa de café com duas ou três palavras.
Pedes-me agora diplomas? Achas que os leitores saberao aquilatar entre diplomas de unviersidades caixote de lixo e um saber constituido em torno da sacrosanctum concilium, o mysterium fidei, humani generis, Habermas e todos as bastas referências e citaçoes que tenho avançado aqui ao longo das minhas contribuiçoes?
Os fundamentais, meu caro, os fundamentais da sacra doctrina,as patrologias todas e filosofias arcaicas, especulativas, eclécticas, historico-positivas e misticas. Sim as misticas todas por tras de teologias e arqueologias dos espiritos deste e dos outros mundos circulares, concentricos, centricos, in fine, holisticos!…
Nao achas que confundes o mens com o intellectus, que me exiges sententiae la onde quero apenas imprimir uma impressao, uma ténue marca?!
E diz-me o menino que tem referências,que sabe o que é glossa e e a uia causalitatis! Continua pois porque ainda nao vi nada chegar.
Intelectual cabo-verdiano que impressiona Habermas! Hummmmm!!? Oh Al Binda, quantos livros já publicou? Quantos artigos em revistas científicas de referência?
Caro Al Binda
Como já tive oportunidade de lhe dizer, penso que o seu nível cultural seja superior à média dos caboverdianos e não só. Devo também dizer-lhe que reconheço que o Habermas é uma das principais, senão a principal referência da sociologia e da filosofia comtemporânea.
Mas não é isso que está em causa, pois nesses pontos estamos todos de acordo.
A questão é que o senhor Al Binda insiste em menosprezar os contributos dados pelo ex-primeiro ministro britânico Tony Blair e pelo sociólogo e também seu conselheiro Antony Giddens para o desenvolvimento de um dos principais sistemas de educação, justiça, segurança, combate à corrupção, etc.
Penso que é este o problema neste momento, e não sei se isto resulta do facto de ter sido eu a chamar à colação esses factos e essas personalidades, ou se o senhor Al Binda sente algum preconceito em reconhecer o mérito dos outros, principalmente quando são Anglo-Saxónicos e não Soncentinos.
Meu caro, penso que nós podemos e devemos aprender muitas coisas com eles, é claro que sem nos alienarmos, porque de facto eles construiram um dos melhores sistemas de educação, justiça, segurança, etc., e é por isso que estão mais desenvolvidos. E sem preconceitos, podemos também contribuir com os aspectos positivos da nossa cultura, para a melhoria dos aspectos menos positivos que como é natural existem nas suas culturas.
Emanuel.
Oh Passarôn, um intelectual nao é necessariamente alguém que publica em revistas cientificas. Um intelectual é um gajo de esquerda que intervem nos debates da sociedade; é quase sempre um tipo de esquerda, um esquerdista, um ecologista, um gajo armado em esperto, em humanista, em paternalista contra coitadinhos!
Eu nao sou de esquerda, nao gosto de palermas de esquerda, deixam-me enguiçado! Mas nao sou também de direita. Tudo o que a ver com enquadramentos politico-ideologicos, todos a marchar de maneira encadeada, chateia-me. E’ por isso que escolhi ser um gajo livre, um homem liberal.
Portanto, nao sou intelectual. E’ uma invençao de latinos pomposos,foram os franceses que inventaaram a figura de intelectual, que depois foi copiado pelos outros latinos, nomeadamente os tugas que copiam tudo da França. Por exemplo o Emanuel que estuda direito sabe que Portugal copiou o codigo Napoleao e todos os tiques juridico-politicos da Frnaça. Portugal nao tem nada em termos de pensamento proprio. Mas teve no passado, mas depois acanalhou-se…
Conclusao, Passarôn, enganaste-te de catalogo! Sou um leitor de excepçao, um gajo que gosta de pensar, de reflectir e de criar polémicas. Foi o que respondi em parte ao Habermas, pois eu disse-lhe que nao era especialista de filosofia, mas sim um “simples” leitor dessas coisas e que por ter lido alguma coisa sua e ter aprendido o alemao na sua terra, sabendo que ele andava pelas paragens fui la vê-lo e ouvi-lo.
Portanto se o gajo ficou “impressionado” (palavra que nao empreguei) comigo foi o de ver um gajo meio mestiço, que podia ser arabe, indiano ou paquistanês, entre uma multidao de brancos, e que pelos vistos falava o inglês pois as conferências foram feitas nessa lingua, falava também alemao e falava como é evidente a propria lingua.
Mas porque o Passarôn parece gostar de ironia de pacotilha, vou entao pôr o homem mais irado; E’ que nesse coloquio, estavam grandes nomes da filosofia mundial, estavam por exemplo o Rorty e Dworkin (conhece, menino?!!) com quem eu falei também, desta vez em inglês.
Alias a anedota que contei tem piada, porque as pessoas me viam a falar com essa gente normalmente, quando gostariam de estar no meu lugar. Mas tinham um problema nao tinham vocabulario suficiente para ter esse tipo de conversa. Nao tinham essa à vontade que eu mostrava ter e porque estavamos num encontro de filosofia, entao o raciocinio que faziam era o de que eu devia ser um monstro dessa disciplina que ainda por cima falava varias linguas com esses outros monstros do pensamento filosofico-juridico.
Mas oh Passarôn ha tantos outros nomes com quem tenho falado em varias latitudes e longitutudes que fico por aqui porque tu és daqueles crioulos pequenininos que pensam que nao haver um caboverdiano à altura de apenas um bom dia a gente que pensam nao fazerem as suas necessidades fecais!
Enfim quanto ao Emanuel, é pena mas o rapaz nao conhece o humor mindelense, a ironia sanvicentina e tem dificuldades de compreensao, de português de base. Sim, rapaz, nao percebes que eu nao sou obrigado a defender as tuas escolhas. La porque gostas de Giddens, nao quer dizer que eu tenha que gostar dele também. Eu respeito as tuas escolhas, mas tu nao queres respeitar as minhas.
Giddens, nao escreveu nada de original em matéria sociologica. E mesmo que escrevesse nao seria nada de especial pois é um gajo de esquerda. A esquerda so diz banalidades. Alias, nao é porque falei com Habermas que eu goste dele também; porque ele também é um gajo de esquerda. Foi apenas uma anedota que se passou comigo e que por acaso é o maior filosofo mundial ainda vivo.
ESpero ter explicado bem a minha posiçao ao Emanuel. Nao tenho que ter as mesmas escolhas politico-sociologicas que o menino tem. E como ja tinha dito antes o menino anda muito mal informado, pois em matéria de ensino, a Inglaterra é um desastre, em termos médios, em termos da sua popumlaçao media escolas. O que existe e repito é uma formaçao de elite altamente excepcional um dos melhores do mundo, mas é o chamado sistema Oxridge e as famosas escolas privadas, que no caso inglês se chama public schools (com os ingleses é tudo ao cotnrario e é por isso que conduzem à esquerda) e que vem desde o ensino primario até ao ensino superior e cientifico.
Mas no geral, quer dizer a maioria da populaçao tem uma formaçao muito mediocre. O inglês médio é muito inculto, por exemplo é incapaz de falar uma lingua estrangeira, o que nao acontece por exemplo com o português e o caboverdiano que sempre arranham um pouco de francês espanhol e ingLES é impossivel.
E’ raro enonctrar-se por exemplo ingleses mesmo com formaçao superior que fale um segunda ou terceira linguas. Rarissimo!….Em contrapartida CVerde que é uma terra pobre nao tem um unico crioulo com um curso superior que nao saiba falar ingles ou frances ou as duas e uma terceira ao mesmo tempo…
Caro Al Binda.
Como já disse anteriormente, como ser humano que sou, é natural que eu tenha algumas limitações, mas devo dizer-lhe que tenho um nível de compreensão e de intelegibilidade razoavelmente bom, e ao contrário daquilo que o senhor possa pensar tenho simpatia pelos mindelenses, que considero serem gente muito simpática, apesar de achar que alguns deles como me parecer ser o caso do senhor Al Binda sofrerem de um certo complexo de superioridade, o que o impede de reconhecer certos factos objectivos.
Quanto à questão de gostar ou não do Giddens, Blair, von Hirsch, Habermas ou outras grandes personalidades do mundo das ciências, políticas, cultura, etc., não é apenas uma questão de gosto pessoal, subjectivo, como se pode gostar ou não de um determinado prato. É mais do isso, e apesar de podermos não ter simpatia pessoal por algum eles, não podemos menosprezar os seus méritos e os grandes contributos que deram nas suas áreas de intervenção.
Em relação à questão da educação inglesa, penso que é uma outra área que demonstra os preconceitos do senhor Al Binda, porque é claro que os Anglo-Saxónicos não são perfeitos, tal como nenhum ser humano o é, mas o que não se pode ignorar é que eles despõem de um dos melhores sistemas de educação, justiça, segurança, combate à corrupção, etc., e é por isso que são uma das sociedades mais desenvolvidas do mundo.
E quanto à questão da lingua, é claro que é importante e que um “homem médio” deve procurar saber pelo menos três linguas. Mas todos nós sabemos que a lingua que neste momento permite o melhor acesso à informação e consequentemente à cultura é o inglês, e é esta a justificação pelo facto de os ingleses não terem a mesma necessidade de aprenderem linguas estrangeiras, porque o que de melhor se produz em termos de ciências e de cultura em geral é feito em inglês e como sabemos alguém que neste momento dispõe de fracos conhecimentos a nível do inglês fica muito mais limitado no acesso à informação e ao conhecimento.
Penso que devemos reconhecer o mérito dos outros e trabalhar para colocarmos os nossos talentos a render, porque provavelmente não temos menos talentos do que os outros, mas o deve estar a acontecer é que temos explorado menos os nossos talentos, e não ficar apenas a querer escrutinar aspectos negativos de sociedades que estão objectivamente mais desenvolvidas.
Emanuel.
Quanto ao facto de não ser um intelectual, então, estamos entendidos. De maneira alguma, sinto-me irado pelo facto de supostamente ter dialogado com um dos melhores pensadores contemporâneos, aliás, ira é algo que sinto pouquíssimas vezes, e, garanto-lhe, é me impossível ser assolado por tal sentimento quando troco uma palavras com deconhecidos na net, quão amargas forem as suas respostas.
O que lhe faz pensar que eu seja menino e cabo-verdiano? Numa coisa tem razão: há tantos “crioulos pequenininos que pensam que nao haver um caboverdiano à altura de apenas um bom dia a gente que pensam nao fazerem as suas necessidades fecais” !(sic), quantos que têm só paleio. Mas não basta afirmar que somos isto, que somos aquilo, sem um outro processo de legitimação, qual seja a produção do conhecimento institucionalizado.
Parece que o Passarôn é daqueles que pensam que ser intelectual é ser tudo! Tipicamente de gente que vive em paises pobres intelectualmente e ja agora impoe-se a expressao. Ele pensa que intelectual é o summum da sabedoria. Tipicamente de intelectuais de pacotilha.
Como eu disse o conceito nasceu em França com o autor do célebre panfleto J’accuse, que li como é evidente e tenho no original na minha biblioteca. Eram outros tempos em que de facto o intelectual era o herdeiro do clérigo do grande escriba que vinha da idade média, diria mesmo do filosofo que vinha mais de tras ainda.
Era aquele que sabia de facto tudo, tenha um saber holistico, global. Mas desde que a filosofia deixou de englobar tudo, que foi dividido em varios outros saberes culturais e cientificos, desde que nasceu de facto o cientista com Galileu e Newton, que esse “intelectual”, esse filosofo esse pensador desapareceu.Portanto mesmo na época do J’accuse esse tal intelectual global ja estava a desaparecer.
Mas ainda era o tipo de pessoa que sabia muito. No entanto com a especializaçao dos saberes com a atomizaçao do conhecimento, o intelectual deixou lugar para o especialista, e hoje em dia em paises a sério, o intelectual caiu em descrédito. Mas isso o Passarôn, que nao gosta de ser crioulo, como se isso fosse importante, dizia isso ele nao sabe. Ele deve ser tuga, logo um limitado pelo que é normal que nao conheça esses debates.
Por exemplo o Emanuel que muito parece adorar os anglo-saxonicos devem saber que a figura de intelectual nao tem muita cota nesses paises, onde alias eles preferem dizer scholars ou académicos.
Curiosamente em França pais que criou a figura do intelectual, hoje em dia, o intelectual é gozado. Aquele que vai à radio, à televisao e escreve artigos nos grandes jornais e revistas, ja nao é um intelectual tido como vendedor da banha da cobra, mas sim o especialista de economia, de meio ambiente, de engenharia, de filosofia, de medicina etc etc.
Portanto o Passarôn està desactualizado. Nem falo dos paises mais a norte, como a Alemanha, a Suécia etc e tal, onde chamar intelectual a alguém é gozar com ele, é uma ofensa. Enfim, quem chamou menino ao Passarôn? Nem sabe ler o homem! Sim chamei-lhe o homem.Fico contente por “supostamente” controlar a sua ira. Se eu fosse dizer as pessoas com quem ja falei eu bloquearia a discussao, ou entao iria ler muitos “supostas” infirmaçoes pelo que prefiro ficar pelos nomes que avancei.
E’ como eu disse parece ser uma coisa do outro mundo falar com determinadas pessoas. Oh homem, vou-lhe dar um conselho, uma dica como dizem os nossos primos brasileiros: se alguma vez se encontrar com gente como Habermas, e se sabe falar inglês ou alemao, nao tenha medo de se dirigir a ele e falar com ele sem medo, porque esse tipo de pessoas geralmente é gente humilde. Se na maior parte das vezes endeusamos esse gente, mas sao uns ingénuos do caraças! E’ gente humilde demais, que às tantas ficamos atrapalhados.
Enfim, mas oh Emanuel tens dificudlades de compreensao sim, pois eu nunca disse que poderias nao gostar de mindelenses. Sabes porque é que isso nao me passaria pela cabeça? E’ porque me estou rigorosamente nas tintas. Agora estou como o outro: é que nao tenho esses sentimentos. Quando falei de gostar ou nao de Giddens nao era no sentido afectivo. Era uma maneira de dizer as coisas. O que quero dizer é que ele como sociologo, e estaràs de acordo comigo, nao inventou nada. Tudo o que ele escreveu ja tinha sido tratado por outros. E se digo nao gostar dele tem mais a ver com uma leitura ideologica. E’ que de facto nao gosto mesmo nada de gente de esquerda caviar, armados em grandes humanistas, quando nadam em milhoes de dolares. Ja te falei dos milhoes que Tony ganha para uma simples conferência. E’ ofensivo para as pessoas do povo que dizem defender.
Mais uma vez nao tenho que ter o Giddens como referência, porque para mim ele nao é referênCia nenhuma. Ja avancei aqui varias vezes as minhas referencias: sao os classicos PONTO FINAL.
PS Ja agora toda a gente dialogar comigo mas quem fornece aqui implicita e explicitamente referencias sou eu; e nao é por causa da vaidade crioula ou biblica; E’ para vocês irem mesmo à procura. Espero que consigam encontrar os livros nas bibliotecas.
Caro Perfil,
Se estás interessado em traçar o perfil desses miúdos eu dou-te uma ajudinha…seu brucho…Aproveito, desde já, para te dizer que erraste redondamente nalgumas das suas previsões, embora algumas estão certas. Erraste tb na proviniência e a orientação política dalguns e há outros que integram o grupo mas como investigadores e colunistas. Alguns têm militância partidária e nunca o esconderam. Outros simplesmente não o têm e participam na condição de indivíduos activos e participativos na diáspora universitária.
Abre-te séssamo….
Abraços,
Perfilhado pelo Perfil
Sr(a) Al Binda, eu não penso que ser intelectual, especialista, pensador, etc – apesar de útil, não interessa, agora, a etimologia e a genealogia do conceito (confesso ser um ignorante a este respeito, e não tenho complexo algum em admiti-lo) – seja tudo na vida, não obstante o devido valor que se lhe é reconhecido e que, aliás, subscrevo. Já participei em algumas conferências, onde tive o prazer de ouvir algumas comunicações de especialistas de renome, estou-me a lembrar, por exemplo, do Alvin Tofler, do Bourdieu, Castells, do Morin, só para citar alguns, e pude comprovar, in loco, a humanidade de alguns desses senhores, aparentando mesmo serem uns verdadeiros tótós. Infelizmente, nunca cruzei com o Habermas, mas não perdi a esperança. E olhe que eu sou especialista em tecnologias de informação! Mas, felizmente, tive familiares com formação na área das humanidades, e peguei o gosto pela coisa.
Eu não sou intelectual e nem pretendo sê-lo, aliás, é daquelas coisas que, a meu ver, se aplica o cliché “nasce-se……..”, e, definitivamente, não é o meu caso. Mas, isto não me suscita nenhum sentimento negativo, porquanto adoro a vida que eu levo – boémia e gajas é o meu lema, mas também leio livros (não tantos quantos gostaria, mas leio) – e sou extremamente feliz.
Só mais uma coisa: Hoje, com a net, é possível adquirir livros em qualquer parte do mundo.
Apoiado, perfilhado pelo Perfil. Esses gajos veêm politiquices em tudo. Ambos, quer os do PAICV, quer os do MPD, são uns autênticos parasitas, acéfalos, à procura de oportunidade de sugar os poucos recursos que a nossa terra possui. Shame on You!!!!
Estamos juntos Tunderbird: parece-me que os comentadores dos artigos são so que estão mais interessados em fazer politiquices e não os articulistas porque não vejo nos textos nada de pendor partidário, porque alguns dos jovens ainda mantêm distanciamento crítico e destreza intelectual. Outros nem tanto…mas é a lei da vida. Não achas?
Perfilhado pelo Perfil