Sugestão Cinematográfica
Filme: Ilhéu de Contenda
É uma adaptação à sétima arte, em 1994!, do romance Ilhéu de Contenda de Henrique Teixeira de Sousa, publicado em 1978.
Realizador: Leão Lopes;
Argumento: José Farinha, Leão Lopes (adaptação do romance de Henrique Teixeira de Sousa);
Origem: Cabo Verde;
Produtor: Paulo de Sousa;
Produção: Vermédia, Saga Film;
Colaboração/Co-Produção: Cabo Verde/Portugal/França;
Ficha Técnica: Bitú Alves (pintor), Leão Lopes, Vasco Martins (musico), Tchalê Figueira (pintor) (e muitos outros nomes conhecidos da cultura cabo-verdiana);
Actores: João Lourenço, Camacho Costa, Isabel de Castro, Filipe Ferrer, Luísa Cruz, Teresa Madruga;
Língua: Crioulo e Português;
Contexto: Adaptação do romance de Teixeira de Sousa, Ilhéu de Contenda (1994);
A personagem principal: João Lourenço = Eusébio (um dos herdeiros da família Medina da Veiga);
Duração: 110 mm;
Espaço e Tempo: O Espaço envolvente: a Ilha do Fogo, envolvendo o espaço rural (Ilhéu de Contenda, Mosteiro,) e a cidade (São Filipe) – 1960-70.
Sinopse:
O filme retrata a situação social e política de Cabo Verde, em particular da ilha do fogo, em meados do século XX, marcado pelo declínio da tradicional família aristocrática “foguense” (famílias ricas e poderosas, fazendeiros, comerciantes…, que detinham o monopólio em todos os sectores da ilha) que paulatinamente vai perdendo o seu poderio em função do surgimento de uma nova classe local, composto maioritariamente por mulatos/mestiços. Essa nova ordem social e local foi aparecendo com a chegada dos imigrantes, em particular dos imigrantes de Estados Unidos da América.
Contudo, essa nova realidade social não foi de fácil aceitação pelas tradicionais famílias aristocratas “foguense” e foi gerando “conflitos” identitários no seio dessas famílias, marcado pela dificuldade de perceber e aceitar a nova realidade – intolerância –, contestando-a e rejeitando-a resolutamente. Esse facto é representado no desenrolar do filme pela família “Medina da Veiga”, tendo como personagem principal Eusébio um dos filhos da família.
Este filme, assim como a obra original, mostra todo o panorama social (tradições locais, dificuldades agrícolas, emigração: E.U.A e S. Tomé e Príncipe etc.) e política (não ignorando por exemplo a presença da PIDE, no panorama nacional e a época em questão – Estado Novo). É um retrato bem assente na – terra – realidade social cabo-verdiana.
Notas biográficas do realizador:
Leão Lopes nasceu em Cabo Verde em 1948; Formado em Artes Plásticas pela Escola Superior de Belas de Lisboa. Professor diplomado em Educação Visual e doutor em Letras pela Universidade de Rennes II, França.Artista Plástico e Cineasta, realizou a primeira longa-metragem cabo-verdiana Ilhéu da Contenda (1994).