1º Congressso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono

Edmilson Varela

A realizar de 22 a 24 de Setembro de 2010, em Lisboa, no Centro de Congressos do ISCTE – IUL, o 1.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono – CIHEL será antecedido, no mesmo local, de 20 a 22 de Setembro, por um Workshop sobre o tema.

A ideia deste 1.º CIHEL, é discutir, em português, aspectos ligados aos problemas habitacionais, tendo bem presente, por um lado, que as realidades e as problemáticas do espaço lusófono são muito diversificadas, mas que é possível e, julgamos, desejável, começar a falar sistematicamente, aproveitando sermos tantos os que falam em português, sobre os aspectos do nosso habitar que se caracterizem, até, por alguma identidade de ideias e objectivos. Desta forma surgiu a ideia de um CIHEL01, agora centrado na escala do pequeno bairro e da vizinhança e nesta primeira edição numa relação mais aproximada às matérias da arquitectura residencial, embora com uma clara faceta tecnológica o que não implicará que outros CIHEL tenham outros tipos de temáticas e facetas dominantes.

Com o CIHEL01 pretende-se alargar o debate sobre a Habitação, em sentido amplo, a outras realidades sociais fisicamente distantes mas afectivamente próximas, em que se destaca o mundo dos países lusófonos em geral e os de África em particular, incluindo-se uma reflexão sobre soluções muito económicas para situações especiais.

A abordagem através de um evento amplo sobre tais desafios recomenda realismo, humildade e sentido prático, mas também ambição. Estes desafios têm diversas vertentes disciplinares, científicas, sociais, políticas, económicas, mas entre elas avulta a da concretização do habitat, nomeadamente do habitat residencial, a do desenho e realização dos bairros para populações com baixos rendimentos. É sobre este tema central, que é, ou deve ser, concretizado através da arquitectura e do projecto urbano, envolvendo o desenho do espaço público, das habitações e dos equipamentos colectivos de proximidade, que se pretende desenvolver o CIHEL01.

Esta temática geral será, naturalmente, estruturada numa abordagem de quatro temas mais específicos: políticas e programas;  infraestruturas e equipamentos; soluções habitacionais e modos de vida;  materiais e tecnologias. Temas estes explicitados no “capítulo” do site do CIHEL01 intitulado: Call for Papers.

O CIHEL01, terá lugar no maior auditório do Centro de Congressos do ISCTE – IUL, em Lisboa bem perto do Campo Grande, de 22 a 24 de Setembro de 2010, numa acção conjunta do Grupo Habitar – Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, que tem sede no Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do LNEC e o Departamento de Arquitectura e Urbanismo (DAU) do ISCTE – IUL.

É também fundamental referir, desde já, os apoios do NAU do Laboratório Nacional de Engenharia Civil e do Centro de Investigação em Arquitectura e Áreas Metropolitanas (CIAAM) do Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE-IUL, entre outras instituições cujos apoios constam do site do CIHEL01, mas, naturalmente, outros apoios irão sendo revelados, ao longo do desenvolvimento da organização.

Queremos também salientar que a Comissão Científica, que está ainda em formação, conta com a coordenação do Professor Arq.º António Reis Cabrita e com a participação fundamental e muito honrosa da Professora Arqª Ana Vaz Milheiro do DAU do ISCTE-IUL e da Professora Titular Arq.ª Sheila Walbe Ornstein, da prestigiada Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP).

A Comissão Organizadora
António Baptista Coelho e Paulo Tormenta Pinto

Coordenador da Comissão Científica
António Reis Cabrita

2 comentários

  • Contraracismo diz:

    Caríssimos
    Gilson Alves é um médico Cabo-Verdiano, que por o ser, africano e preto, tem sido vítima de racismo no Hospital de S. João no Porto. O mesmo vem travando uma longa batalha com as autoridades, para poder prosseguir a sua especialidade que foi travada, sobretudo pela conspiração de dois médicos racistas.
    Gostaríamos que esta carta fosse tratada com destaque, trabalhada como notícia e enxertada na página principal, como forma de pressionar as autoridades a resolverem o problema.
    Segue em baixo a troca das missivas entre os dois médicos racistas portugueses catedráticos da universidade do Porto: Portugal. Conspiraram para prejudicar Gilson Alves na continuação dos seus estudos, por ser preto, não obstante ser um excelente profissional, admitido pelos próprios médicos racistas, ter terminado o curso com 18 valores e ter conseguido entrar na especialidade mais difícil de aceder na medicina:
    Eis a primeira missiva

    “Porto, 2 de Janeiro de 2009
    Exmo Sr,
    Director Clínico do Hospital de S. João
    Dr. António Oliveira Silva

    Assunto Reintegração do Dr. Gilson João dos Santos Alves

    Após várias tentativas de contacto telefónico, tomei a liberdade de lhe escrever esta missiva, que lhe será entregue por alguém de confiança.
    Como é do seu conhecimento, o Dr. Gilson Alves interrompeu o internato de cirurgia Torácia em Julho de 2008 por um período de 5 meses.
    No dia de hoje, após o término de interrupção do internato, o Dr. Gilson regressou ao Serviço.
    A minha posição é a de que o Dr Gilson deve ser readmitido no Serviço e proponho que sejam tomadas as seguintes medidas:
    1. Como sabe o Dr. Gilson é Cabo-Verdiano. Embora tenha entrado para o internato com uma nota alta (18 valores), é evidente para mim que podemos estar a investir seis anos na sua formação, para depois o vermos sair para o seu país de origem. Na minha opinião, se concordar, deve ser feita uma selecção de internos, de modo a que internos africanos não façam o internato neste serviço de todo o país, sejam eles de Cirurgia Torácia ou não;
    2. Desde o dia em que o Dr. Glson Alves foi admitido no Serviço que reparei que estava na presença de um individuo dotado e de um profissional com uma maturidade clínica invulgar, para o seu estágio de formação. Porém, também desde o primeiro dia estive convicto de que ele teria que ser removido o mais breve possível, o mais tardar no final do seu primeiro ano de internato, fosse através de não atribuição de aproveitamento para o primeiro ano, ou por sugestão directa ao próprio pelos profissionais de serviço. Esta prática, aliais, já foi posta em prática noutras ocasiões, com outros internos, com resultados positivos;
    3. Soube, através de amigos e da consulta do seu processo clínico que o Dr. Gilson teve alguns problemas psicológicos enquanto aluno, situação que podemos aproveitar, quer para o dissuadir de insistir em ficar, quer para liquidar a sua credibilidade, se a sua insistência continuar no futuro;
    4. Nesta fase tomei a liberdade de o impedir de entrar no Serviço. Decorre, porém, que essa situação carece de uma comunicação oficial do Hospital, o que pode ser conseguido, por exemplo, com o pedido de uma junta médica. Tal junta, preferencialmente, terá de ser feita por alguém da nossa confiança no hospital, que terá de o dar como inapto. Desta forma teremos dado o assunto por resolvido e teremos destruído a sua credibilidade:

    Aguardo uma resposta da sua parte e sugestões para a resolução do problema.

    Os melhores cumprimentos
    Paulo Pinho
    (Directos do Serviço de Cirurgia Cardio – Torácica, Hospital de S. João)”

    O original pode ser consultado aqui:
    http://grevedefomeemdirecto.blogspot.com/

    Pedíamos que contactassem a vítima no endereço supra e concertassem formas de noticiarem o sucedido dando sempre relevância a carta racista, que por ser facto, acaba por ter um enorme peso e funcionar como arma de pressão eficaz. Esta será a arma mais poderosa que pode ser usada com o mesmo propósito para que foi criada: descredibilizar os médicos racistas, desgastá-los e ridicularizar as clubistas decisões tendenciosas que aquela unidade hospital tem tomado ou venha a faze-lo acerca do caso.

    Acreditamos que o combate ao racismo é universal, intemporal.

    Ajudemos essa vítima, a mesma tem idade para ser um filho nosso (nalguns casos: se pretos) e podia estar a acontecer com um nosso ente querido e próximo: porque preto.

    Saudações

  • Contraracismo diz:

    Eis a segunda missiva racista, aonde António Oliveira e Silva, médico, professor, catedrático e racista, afirma claramente que não gosta de pretos e que uma das missões da sua vida é evitar que eles façam especialidades no Hospital de S. João no Porto.

    “Exmo Sr. Dr. Paulo Pinho
    Assunto: Reintegração do Dr. Gilson João dos Santos Alves
    Obrigado por me pôr a par dos acontecimentos. Embora tenha tido conhecimento do manifesto do Dr Gilson Alves já em Agosto de 2008, nessa altura já transparecia que o Dr. Gilson Alves não voltaria ao serviço e o problema estaria resolvido. Porém, com o seu regresso, teremos de lidar com o problema de uma outra forma.
    Além dos pontos que o Dr. Paulo Pinto propõe, eis o que eu gostaria de acrescentar:
    Dei ainda hoje instruções ao Director de Saúde Ocupacional para iniciar o processo de pedido de junta médica para o Dr. Gilson Alves. Faremos tudo ao nosso alcance para que o processo seja o mais moroso possível, o que além de nos dar tempo, o desgastará ainda mais . Falei também com alguém da minha confiança de Serviço de Psiquiatria, para saber se seria possível ele próprio presidir à junta e obter e obter a conclusão que desejamos. Adiantou-me ele que , neste momento, a presidente da junta, muito provavelmente, será a Dra. Manuela Moura, profissional esta que não poderei abordar para discutir o tema, visto que não faz parte do nosso circulo. Porém, mesmo que a junta nos seja desfavorável, o que é muito provável dado o carisma do Dr. Gilson, não teremos de o readmitir. Aqui fazemos o que quisermos, como quisermos e não haverá justiça que o valha.
    A providência cautelar do Dr Gilson também não o valera de nada. Mesmo que seja diferida, não o deixaremos prosseguir o seu internato.
    Dei instruções para se iniciar um processo disciplinar, com vista ao seu despedimento, utilizando como base o manifesto e, o mais importante, o testemunho do Dr. Paulo, processo que também podemos retardar o mais possível para o desgastar.
    Uma queixa-crime por difamação também será feita contra o Dr. Gilson utilizando outra vez o manifesto com principal prova.
    Nesta fase, só teremos que esperar pelo resultado da junta e logo veremos o que podemos fazer, caso ele seja dado como apto. Nesse caso, a solução mais simples seria esvazia-lo de quaisquer funções clínicas e deixa-lo no gabinete o dia todo. Isto o desgastará ainda mais e mais cedo ou mais tarde ele sairá e escolherá outra especialidade.
    Como sabe, não tenho nenhuma simpatia por pretos. Embora seja muito difícil, uma das minhas missões tem sido fazer tudo para que não façam o internato neste hospital. Concordo consigo quando diz que não vale a pena investir em africanos que depois deixarão o hospital pelos países de origem. Embora a informação que obtive dos seus antigos tutores foi de que o Dr. Gilson é um excelente médico e profissional, o seu lugar não é no Hospital de S. João e já é altura de o removermos de uma vez por todas.
    Asseguro-lhe que tem toda a minha confiança e o meu apoio para todas as decisões que vier a tomar relativamente a este caso,

    Atentamente,
    António Oliveira e Silva

    Director Clínico Hospital de S. João
    Porto, 5 de Janeiro de 2009”
    O original pode ser consultado aqui:
    http://grevedefomeemdirecto.blogspot.com/

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