Cabo Verde – 35 anos depois
Não podia deixar de assinalar os trinta e cinco anos da independência nacional, comemorado no dia 5 de Julho. Um acontecimento histórico que marca a autonomia política de uma nação e de um território, que até então, a par dos outros países africanos lusófonos, se encontrava sob a tutela colonial portuguesa.
Para obtermos a nossa independência não foi preciso uma guerra armada em Cabo Verde, porque condições naturais (geográficas) não o permitiam, mas isso não nos impediu de participarmos, ao lado dos nossos irmãos africanos, nomeadamente os da Guiné-Bissau, na luta a favor do objectivo primordial – a libertação das então colónias –, que foi alcançada com a revolta militar portuguesa, conhecida como Revolução dos Cravos desencadeada pelo Movimento das Forças Armadas no dia 25 de Abril de 1974, pondo fim ao regime autoritário português, à referida guerra, libertando o povo português e garantindo também a independência das então colónias africanas[1]. Isso demonstra que estamos perante uma data que é simbólica tanto para os países africanos da língua oficial portuguesa como também para os próprios portugueses.
Perante tal acontecimento e analisando a nossa história – a descoberta, o processo de povoamento, a evolução social do arquipélago… –, é importante esclarecer que a nossa independência deve-se fundamentalmente à formação e emancipação prévia da nação cabo-verdiana, assente num conjunto de características e sentimentos de pertenças antropológicas, culturais (linguísticas) e geográficas próprias que veio, no fundo, legitimar a formação do Estado cabo-verdiano. Sem aqueles factos dificilmente seríamos hoje um Estado, porque era preciso um motivo que justificasse o nosso querer de auto-afirmação, tendo em consideração, como aludi anteriormente, a nossa história.
Somos um jovem país, com um percurso relativamente curto, mas recheado de conquistas em todos os níveis: político, económico, social, etc. Seguindo este itinerário permitam-me destacar aqui a nossa jovem democracia, que embora se encontra numa fase de consolidação, tem se revelado eficaz, e, talvez, seja o principal responsável pela nossa própria afirmação tanto na nossa sub-região (África) como no mundo: uma boa integração nalgumas comunidades como a CPLP; mais recentemente estabelecemos um acordo de parceria especial com a UE e uma transição do conjunto dos países menos avançados para o grupo dos países de desenvolvimento médio, que trarão benefícios mas também desafios acrescidos para o arquipélago num mundo cada vez mais globalizado e interdependente. Estes dados colocam o arquipélago como um exemplo paradigmático no continente africano.
Todavia, para chegarmos a o que somos hoje partimos duma situação deveras preocupante, uma vez que após a independência nacional o país encontrava-se com graves carências a nível interno. Na altura da independência nacional, vários observadores e delegações internacionais, inclusive as agências especializadas das Nações Unidas vaticinavam a inviabilidade do Estado cabo-verdiano. Contudo, hoje somos um exemplo e gozamos de enorme prestígio e confiança a nível internacional. Naturalmente que muitos factores contribuíram para tal facto, mas se analisarmos com acuidade o nosso percurso histórico chegaremos facilmente à conclusão de que o nosso país é uma construção nossa, ou seja, é fruto da nossa luta, persistência e abnegação.
Durante esses trinta e cinco anos da independência nacional muita coisa se fez e, certamente, ainda falta muito por se fazer. Contudo, destacando apenas o nível político podemos classificar esse passado em duas etapas distintas – a primeira que começou com a independência nacional, em 1975, sob o regime do partido único, e a segunda que começou em 1990/91 com a conquista da democracia. Portanto, passamos de um sistema político assente num único partido para o multipartidarismo, que é, seguramente, uma das nossas maiores conquistas.
Debruçando sobre o factor económico, sem querendo invadi-lo porque não faz parte da minha área de estudo, merece também uma pequena reflexão, na medida em que apresenta avançados importantes para o bem-estar da sociedade local, e, simultaneamente, apresenta sinais de preocupações. Como sabemos, somos um território sustentado, do ponto de vista económico, essencialmente pelo turismo (que representa aproximadamente 20% de produto interno bruto), pela nossa comunidade de emigrante espalhada pelo mundo – a tal nação-transnacional -, e pela boa capacidade de gerir e empregar bem as ajudas que nos são concedidas. Isto quer dizer que somos um país extremamente dependente da ajuda externa, já que ainda não fomos capazes de dotar a nossa sociedade de meios que nos possibilita garantir, pelo menos, o nosso próprio auto-sustento. Mas também não podemos esquecer que temos apenas 10% de terra arável e durante o ano temos apenas 4 meses de chuva. Esses problemas são ultrapassáveis mas com bons investimentos, por exemplo, no sector agrícola (captação e conservação de água da chuva, técnicos especializados, desenvolvimento de novas tecnologias ligadas ao sector, etc.,) o que, pelo menos, nos possa garantir o auto-sustento.
É preciso aproveitarmos todas as potencialidades internas e transformá-las em oportunidades, investir na formação e divulgação da nossa cultura, por exemplo, aproveitar a recente atribuição do título do património mundial a Cidade Velha pela UNESCO, oficializar e internacionalizar a nossa língua materna, investir na formação, no estudo e na divulgação da nossa música, da nossa gastronomia, etc. Enfim, são apenas potencialidades que podem ser aproveitadas e transformadas em oportunidades que, provavelmente, ajudarão a aliviar a nossa dependência e endividamento público, que ronda actualmente os 80 % do PIB, e amanhã? O que acabei de apontar é apenas um caminho, mas há, evidentemente, outros itinerários a seguir.
Do ponto de vista social conseguimos importantes investimentos como na área da educação e saúde, o que tem revelado de extrema importância para o progresso do país. Talvez, neste sector, a única lacuna a apontar é a questão da segurança, já que a nível interno, sem querendo dramatizar, analisando os dados dos últimos anos revelam insuficiências graves, principalmente nas grandes cidades, o que contrasta com o desenvolvimento conseguidos, praticamente, em todas as sectores da sociedade cabo-verdiana. Neste sentido, pensamos que é urgente investir na educação, não apenas em certificar às crianças e jovens com diplomas, mas educar a emoção e despertar consciências, já que certificar é o caminho que temos vindo a percorrer não a favor do desenvolvimento da sociedade cabo-verdiana mas sim a favor da estatística, o que na prática significa mais alfabetizados, mais diplomas e, por mais paradoxo que isso pode parecer, menos consciência, resultado mais problemas sociais. Como podemos constatar, durante esses anos da autonomia, somamos muitas vitórias, é certo, entretanto temos ainda um longo caminho a percorrer.
Não foi a minha intenção fazer um apanhado geral da história recente de Cabo Verde, nem perspectivar, de modo algum, todas as possibilidades de construirmos um futuro melhor. Não. O meu objectivo foi recordar a nossa história, o passado recente do nosso país e, por outro lado, saudar de forma especial a todos os cabo-verdianos por esta data especial. Foi ontem a nossa autonomia, “hoje” comemorámos esses trinta e cinco anos de liberdade, contudo não podemos esquecer que a liberdade celebra-se todos os dias com actos e gestos que dignificam a nossa pessoa. Portanto, vivam a liberdade, vivam 5 de Julho todos os dias, porque somos nós, fruto do nosso tempo, os verdadeiros artesões dos nossos destinos.
[1] Primeiro na Guiné-Bissau que foi declarada em 1973 e reconhecida no dia 10 de Setembro de 1974; Moçambique 25 de Junho de 1975; Cabo Verde 5 de Julho 1975; S. Tomé e Príncipe 12 de Julho de 1975 e Angola 11 de Novembro de 1975;
Excelente recordação da nossa história!
Só uma correcção: A Independência de São Tomé e Príncipe foi no dia 12 de Julho de 1975.
Abraço
Caríssimos
Gilson Alves é um médico Cabo-Verdiano, que por o ser, africano e preto, tem sido vítima de racismo no Hospital de S. João no Porto. O mesmo vem travando uma longa batalha com as autoridades, para poder prosseguir a sua especialidade que foi travada, sobretudo pela conspiração de dois médicos racistas.
Gostaríamos que esta carta fosse tratada com destaque, trabalhada como notícia e enxertada na página principal, como forma de pressionar as autoridades a resolverem o problema.
Segue em baixo a troca das missivas entre os dois médicos racistas portugueses catedráticos da universidade do Porto: Portugal. Conspiraram para prejudicar Gilson Alves na continuação dos seus estudos, por ser preto, não obstante ser um excelente profissional, admitido pelos próprios médicos racistas, ter terminado o curso com 18 valores e ter conseguido entrar na especialidade mais difícil de aceder na medicina:
Eis a primeira missiva
“Porto, 2 de Janeiro de 2009
Exmo Sr,
Director Clínico do Hospital de S. João
Dr. António Oliveira Silva
Assunto Reintegração do Dr. Gilson João dos Santos Alves
Após várias tentativas de contacto telefónico, tomei a liberdade de lhe escrever esta missiva, que lhe será entregue por alguém de confiança.
Como é do seu conhecimento, o Dr. Gilson Alves interrompeu o internato de cirurgia Torácia em Julho de 2008 por um período de 5 meses.
No dia de hoje, após o término de interrupção do internato, o Dr. Gilson regressou ao Serviço.
A minha posição é a de que o Dr Gilson deve ser readmitido no Serviço e proponho que sejam tomadas as seguintes medidas:
1. Como sabe o Dr. Gilson é Cabo-Verdiano. Embora tenha entrado para o internato com uma nota alta (18 valores), é evidente para mim que podemos estar a investir seis anos na sua formação, para depois o vermos sair para o seu país de origem. Na minha opinião, se concordar, deve ser feita uma selecção de internos, de modo a que internos africanos não façam o internato neste serviço de todo o país, sejam eles de Cirurgia Torácia ou não;
2. Desde o dia em que o Dr. Glson Alves foi admitido no Serviço que reparei que estava na presença de um individuo dotado e de um profissional com uma maturidade clínica invulgar, para o seu estágio de formação. Porém, também desde o primeiro dia estive convicto de que ele teria que ser removido o mais breve possível, o mais tardar no final do seu primeiro ano de internato, fosse através de não atribuição de aproveitamento para o primeiro ano, ou por sugestão directa ao próprio pelos profissionais de serviço. Esta prática, aliais, já foi posta em prática noutras ocasiões, com outros internos, com resultados positivos;
3. Soube, através de amigos e da consulta do seu processo clínico que o Dr. Gilson teve alguns problemas psicológicos enquanto aluno, situação que podemos aproveitar, quer para o dissuadir de insistir em ficar, quer para liquidar a sua credibilidade, se a sua insistência continuar no futuro;
4. Nesta fase tomei a liberdade de o impedir de entrar no Serviço. Decorre, porém, que essa situação carece de uma comunicação oficial do Hospital, o que pode ser conseguido, por exemplo, com o pedido de uma junta médica. Tal junta, preferencialmente, terá de ser feita por alguém da nossa confiança no hospital, que terá de o dar como inapto. Desta forma teremos dado o assunto por resolvido e teremos destruído a sua credibilidade:
Aguardo uma resposta da sua parte e sugestões para a resolução do problema.
Os melhores cumprimentos
Paulo Pinho
(Directos do Serviço de Cirurgia Cardio – Torácica, Hospital de S. João)”
O original pode ser consultado aqui:
http://grevedefomeemdirecto.blogspot.com/
Pedíamos que contactassem a vítima no endereço supra e concertassem formas de noticiarem o sucedido dando sempre relevância a carta racista, que por ser facto, acaba por ter um enorme peso e funcionar como arma de pressão eficaz. Esta será a arma mais poderosa que pode ser usada com o mesmo propósito para que foi criada: descredibilizar os médicos racistas, desgastá-los e ridicularizar as clubistas decisões tendenciosas que aquela unidade hospital tem tomado ou venha a faze-lo acerca do caso.
Acreditamos que o combate ao racismo é universal, intemporal.
Ajudemos essa vítima, a mesma tem idade para ser um filho nosso (nalguns casos: se pretos) e podia estar a acontecer com um nosso ente querido e próximo: porque preto.
Saudações
Eis a segunda missiva racista, aonde António Oliveira e Silva, médico, professor, catedrático e racista, afirma claramente que não gosta de pretos e que uma das missões da sua vida é evitar que eles façam especialidades no Hospital de S. João no Porto.
“Exmo Sr. Dr. Paulo Pinho
Assunto: Reintegração do Dr. Gilson João dos Santos Alves
Obrigado por me pôr a par dos acontecimentos. Embora tenha tido conhecimento do manifesto do Dr Gilson Alves já em Agosto de 2008, nessa altura já transparecia que o Dr. Gilson Alves não voltaria ao serviço e o problema estaria resolvido. Porém, com o seu regresso, teremos de lidar com o problema de uma outra forma.
Além dos pontos que o Dr. Paulo Pinto propõe, eis o que eu gostaria de acrescentar:
Dei ainda hoje instruções ao Director de Saúde Ocupacional para iniciar o processo de pedido de junta médica para o Dr. Gilson Alves. Faremos tudo ao nosso alcance para que o processo seja o mais moroso possível, o que além de nos dar tempo, o desgastará ainda mais . Falei também com alguém da minha confiança de Serviço de Psiquiatria, para saber se seria possível ele próprio presidir à junta e obter e obter a conclusão que desejamos. Adiantou-me ele que , neste momento, a presidente da junta, muito provavelmente, será a Dra. Manuela Moura, profissional esta que não poderei abordar para discutir o tema, visto que não faz parte do nosso circulo. Porém, mesmo que a junta nos seja desfavorável, o que é muito provável dado o carisma do Dr. Gilson, não teremos de o readmitir. Aqui fazemos o que quisermos, como quisermos e não haverá justiça que o valha.
A providência cautelar do Dr Gilson também não o valera de nada. Mesmo que seja diferida, não o deixaremos prosseguir o seu internato.
Dei instruções para se iniciar um processo disciplinar, com vista ao seu despedimento, utilizando como base o manifesto e, o mais importante, o testemunho do Dr. Paulo, processo que também podemos retardar o mais possível para o desgastar.
Uma queixa-crime por difamação também será feita contra o Dr. Gilson utilizando outra vez o manifesto com principal prova.
Nesta fase, só teremos que esperar pelo resultado da junta e logo veremos o que podemos fazer, caso ele seja dado como apto. Nesse caso, a solução mais simples seria esvazia-lo de quaisquer funções clínicas e deixa-lo no gabinete o dia todo. Isto o desgastará ainda mais e mais cedo ou mais tarde ele sairá e escolherá outra especialidade.
Como sabe, não tenho nenhuma simpatia por pretos. Embora seja muito difícil, uma das minhas missões tem sido fazer tudo para que não façam o internato neste hospital. Concordo consigo quando diz que não vale a pena investir em africanos que depois deixarão o hospital pelos países de origem. Embora a informação que obtive dos seus antigos tutores foi de que o Dr. Gilson é um excelente médico e profissional, o seu lugar não é no Hospital de S. João e já é altura de o removermos de uma vez por todas.
Asseguro-lhe que tem toda a minha confiança e o meu apoio para todas as decisões que vier a tomar relativamente a este caso,
Atentamente,
António Oliveira e Silva
Director Clínico Hospital de S. João
Porto, 5 de Janeiro de 2009”
O original pode ser consultado aqui:
http://grevedefomeemdirecto.blogspot.com/
Caro Ivan Santos,
Muito obrigado pela leitura atenta do artigo, o que lhe permitiu fazer a devida emenda. Farei já de seguida a referida rectificação.
Os meus cumprimentos,
Edmilson Varela
Olá Edmilson, Quanto tempo hem companheiro!
Melhoraste muito sua forma de escrever, são de faceis entendimento em bem encorpadas suas análises histórico-antropológicas.
Ainda saio do Brasil pra conhecer este lindo arquipélogo e seu povo que tão bem descreveste.
Abraço
Reverson
parabens pelo artigo,permita-me umas correcções apenas,não são 35 anos de liberdade:de 1975 a 1991 foi libertação,liberdade foi a partir de 1991 com a instauração da democracia.Em cabo verde não é só a segurança que inquieta,a pobreza e a desigualdade sociais tb,a desigualadade a nivel de oportunidades,o dito cunha generalizado que alimenta familias oligarquicas..enfim mas este último sabemos que tanto um partido como outro são especialistas em compadrios.O trajecto de cabo verde merece a homenagem de todos,desde de 1975 começou a construção e até agora continua.Por fim,para próxima procure investigar mais para poder aprofundar mais.Força
O artigo embora longo possui uma bom encadeamento lógico dos factos.Gostava apenas precisar quando diz que as independências das colónias foram alcançadas por causa do revolução dos cravos. Meu caro esta é uma visão eurocentrica dos factos,a independência da Guiné Bissau foi declarada de forma unilateral a 24 de Setembro de 1973 ,depois da morte de A. Cabral e não precisou do reconhecimento de portugal e foi a guerra da Guiné(o desgaste impingido às tropas portuguesas) que mais contribuiu para a revolução dos cravos e a libertação de portugal do jugo fascista e não o contrário.Com o 25 de abril veio simplesmente abrir caminho para negociações pois que a independência das colónias já era inevitável,a tomada de Guilege (o principal quartel das tropas colonialista)foi o golpe duro , através da operação militar com o nome do Líder Amílcar Cabral
Boas,
Sem dúvida, a educação é o caminho, tanto aqui com lá. E não só para as camadas mais jovens. Espero que um dia os PALOPS se tornem muito mais unidos e mais fortes, porque ainda existe muito que mundo precisa descobrir sobre eles. Investir mais em veículos de informação, que cheguem também cá fora, como a Internet, já seria um enorme passo.
Caro Edmilson, também lhe sugeria que escreve os seus artigos tanto em crioulo como português.
Continuação de um excelente trabalho,
Cláudia P.
Caro Djosa Couto,
Tens razão, não é apenas a insegurança que preocupa os cabo-verdianos, como apontaste e muito bem, são inúmeros os problemas que, infelizmente, a nossa sociedade enfrenta no dia-a-dia. Todavia, penso que a insegurança actualmente é um dos que mais atenção tem merecido da parte das autoridades e da sociedade em si… Como aludi no artigo, não foi a minha intenção escrever toda a história recente de Cabo Verde, por isso, tive de fazer uma síntese do nosso passado recente. Consciente de que não podemos resumir os 35 anos de independência, que pode até parecer pouco mas não é, em 5 páginas A4. Impossível.
Muito obrigado pelo comentário.
Cordialmente,
Edmilson Varela
Caro Marco Santos,
“Guiné-Bissau, na luta a favor do objectivo primordial – a libertação das então colónias –, que foi alcançada com a revolta militar portuguesa, conhecida como Revolução dos Cravos desencadeada pelo Movimento das Forças Armadas no dia 25 de Abril de 1974, pondo fim ao regime autoritário português, à referida guerra, libertando o povo português e garantindo também a independência das então colónias africanas”.
Analisando bem o que eu tinha escrito, não me deixa outra saída senão discordar do Sr. quando diz que a minha visão é “eurocêntrica dos factos”. A minha intenção não foi atribuir a Revolução de 25 Abril responsabilidade pela independência das colónias africanas, que até então se encontravam sob a tutela colonial portuguesa; aquilo que eu quis dizer é que a revolução de 25 de Abril está intimamente ligado a independência dos países africanos lusófonos, excepto a Guiné-Bissau, como apontou. Mas, sem querendo entrar em polémicas desnecessárias, não podemos esquecer que em 73, quando daquela declaração do PAIGC, o território não estava totalmente dominado.
Também, a tal revolução possibilitou a queda do regime salazarista. Mostra, no fundo, que é uma data simbólica tanto para Portugal como para os países africanos da língua oficial portuguesa.
Não foi a minha intenção individualizar, nem atribuir autorias. Concordo com o que escreveu sobre a realidade da Guiné-Bissau, acho que tem toda razão, mas, como já disse no início, não tenho nenhuma visão “eurocêntrica dos factos”. Aliás, esse facto da nossa história recente ainda não está bem documentado, não sei porquê, presumo que seja pelo facto de ser recente, porque ainda pode ferir algumas susceptibilidades etc., mas a verdade é que ainda falta muito por dizer.
Muito obrigado pelo comentário.
Os meus melhores cumprimentos,
Edmilson Varela
Cara Cláudia P.,
Antes de mais cordiais saudações pela leitura e comentário do artigo supra. Pelo menos concordamos em algo, que é necessário investir e urgente na Educação, Formação… É o futuro.
Quanto a sugestão de eu escrever em Crioulo, confesso que já tinha pensado no assunto. Aliás, um dos nossos objectivos da criação do “espaço cultura”, divulgar trabalhos dos jovens que queiram escrever em crioulo. Incentivar, escrever, debater, também, sobre a oficialização da nossa língua materna… Muito obrigado pela sugestão.
Já agora, Cláudia, por acaso, não quer partilhar connosco algo – conto, poema, adivinhas, artigos etc., – em crioulo????? Fica o convit.
Os meus cumprimentos,
Edmilson Varela
Amigo Edmilson,
Infelizmente, ainda não tive oportunidade de aprender aprofundadamente crioulo. Ainda assim, espero que um dia a língua se torne oficial, uma vez que já há muito tempo que criou pernas, asas, para andar, deslumbrar e enfeitiçar sozinha. E na minha mera opinião, quanto mais aparecerem artigos escritos em crioulo, mais despertará a atenção das pessoas, de Cabo-Verde ou não, para a importância socio-cultural da língua.
Atenciosamente,
Cláudia P.