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	<title>Tertúlia Crioula &#187; Helderyse Rendall</title>
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		<title>Em Portugal: e agora?</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 22:16:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Helderyse Rendall</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Estudantes Portugal Integração]]></category>

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		<description><![CDATA[A integração dos estudantes cabo-verdianos em Portugal
Existe uma longa tradição de os estudantes cabo-verdianos se aventurarem por terras lusas a fim de continuarem  os seus estudos a nível superior. O período de preparação para esta aventura, digo-o com conhecimento de causa, é carregado de excitação e de expectativas relativamente à experiência de viver e estudar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>A integração dos estudantes cabo-verdianos em Portugal</em></p>
<p>Existe uma longa tradição de os estudantes cabo-verdianos se aventurarem por terras lusas a fim de continuarem  os seus estudos a nível superior. O período de preparação para esta aventura, digo-o com conhecimento de causa, é carregado de excitação e de expectativas relativamente à experiência de viver e estudar num país diferente. Mas concretamente, qual é a realidade que se apresenta aos estudantes quando chegados a Portugal? Quais as dificuldades que enfrentam para se integrarem no meio universitário e na sociedade portuguesa? Este artigo pretende responder em parte estas duas questões esperando que os leitores possam reflectir sobre este tema, tanto partilhando as suas experiências, como apresentando propostas para acções concretas que possam contribuir para que este processo de integração seja mais rápido e com menos percalços.</p>
<p>A primeira preocupação é sempre o alojamento. O aluno caloiro é quase sempre recebido por familiares ou amigos, uma situação que poderá ser ela transitória ou não. Quando o é, o estudante tem duas opções, ou divide um apartamento com outros estudantes (quase sempre também cabo-verdianos) ou então solicita o alojamento numa residência estudantil dos serviços sociais da universidade. A escolha por uma destas opções nem sempre depende da vontade do estudante mas sim da situação financeira em que se encontra e o local onde estuda. Algumas escolas têm gabinetes de apoio a alunos de fora, nomeadamente aos que estão à procura da primeira casa. No entanto, o aluno só tem acesso a essas informações quando chega efectivamente à Universidade, já que não existe comunicação entre esses gabinetes/núcleos estudantis e um dos maiores intervenientes na recepção dos alunos, que é a embaixada de Cabo Verde, o primeiro local aonde os estudantes se dirigem quando chegam em Portugal. Ora, quando os alunos vão para uma cidade que não seja Lisboa e onde não existe um grande número de estudantes cabo-verdianos, esta falta de comunicação pode tornar-se um verdadeiro problema para o estudante que poderá ter de ir para a cidade da sua universidade completamente às escuras sem ter ninguém para o receber e o ajudar a instalar-se. Patrícia, uma estudante que reside em Faro, diz “Só fiquei a saber do núcleo dos estudantes africanos quando fui à faculdade. Ajudaram-me a procurar casa, a inscrever-me na faculdade e orientaram-me no primeiro dia de aulas” e acrescenta que, se assim não fosse, iria sentir-se completamente perdida tendo em conta que era a primeira vez que ia estar totalmente por sua conta.</p>
<p>O alojamento não só é importante porque é o primeiro passo para se estabilizar num país novo, mas também porque determina, em grande medida, a integração no seio dos estudantes cabo-verdianos, portugueses e da comunidade cabo-verdiana residente em Portugal. Os alunos que partilham um apartamento com outros alunos cabo-verdianos facilmente integram-se na comunidade estudantil cabo-verdiana em Portugal, já que esta se torna parte do círculo mais próximo do estudante. A desvantagem é que nesses casos a interacção com alunos portugueses fica muitas vezes condicionada à faculdade, retirando assim parte da oportunidade de integração num meio completamente diferente daquele que deixamos para trás. A situação é diferente quando o aluno instala-se numa residência estudantil onde normalmente os residentes vêm de todos os cantos de Portugal e não só. Se o aluno opta por ficar com algum familiar, fora as amizades que estabelece no meio escolar tem a oportunidade de conviver com a população cabo-verdiana não estudantil, e inteirar-se de uma realidade completamente diferente da do ambiente universitário.</p>
<p>Relativamente ao processo de adaptação nas universidades, este depende de vários factores, como por exemplo, a correspondência do curso às expectativas criadas. Quando o curso não vai de encontro às ambições dos estudantes tende a gerar um sentimento de frustração que tem como consequência o mau aproveitamento escolar. Carla, estudante em Lisboa, diz “Desiludi-me com o curso. O conteúdo não era nada do que estava à espera. Afastei-me da faculdade, não tinha motivação para ir às aulas. Isolei-me completamente. Acabei por chumbar. Mas insisti e já estou no fim”. Contudo, isso nem sempre acontece, alguns acabam mesmo por desistir como é o caso da Ana: “Ir às aulas tornou-se uma tortura. A verdade é que não estava disposta a empenhar-me num curso que não me dizia nada. Desisti, fiz um curso técnico em turismo, e como gostei, tenciono formar-me nessa área”. Porém, mesmo que não se tenha de enfrentar problemas quanto às expectativas relativas ao curso, os estudantes têm que lidar com a adaptação a um sistema de ensino novo, mais exigente, ao mesmo tempo que aprendem a gerir o seu dinheiro e a estar totalmente por conta própria. Se a isso se acrescentar a ausência dos pais, e, grande parte das vezes, dos amigos mais próximos, para proporcionarem o suporte emocional, a pressão que pesa sobre o aluno é ainda superior. “Eu fui para Faro e os meus amigos ficaram em Lisboa. Adaptar-me à cidade, à faculdade e ao mesmo tempo preocupar-me com as contas e a comida sem ter ninguém por perto para me apoiar foi desesperante. Mas, habituei-me e hoje estou prestes a concluir o meu mestrado” desabafa Patrícia.</p>
<p>Contudo, apesar dos problemas que surgem ao longo da estadia em Portugal, a verdade é que findo o curso, os estudantes quando deixam Portugal, mais do que um diploma, levam experiência de vida, caracterizada por uma maior independência, espírito de luta e capacidade de adaptação a vários ambientes.</p>
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