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	<title>Tertúlia Crioula &#187; Mário</title>
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	<description>Um espaço de discussão e opinião</description>
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		<title>Geração perdida?</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 16:23:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mário</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autores convidados]]></category>

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		<description><![CDATA[A menos de um lustro da terceira década de vida, amparado no conforto social que confere uma licenciatura, contemplo o meu percurso. Filho de cabo-verdianos nascido em Portugal… mais uma semente do arquipélago plantada no mundo na saga da diáspora. Recusei-me a ser português de segunda, pugnando pelos direitos e assumindo-me como cidadão de plenos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A menos de um lustro da terceira década de vida, amparado no conforto social que confere uma licenciatura, contemplo o meu percurso.</p>
<p>Filho de cabo-verdianos nascido em Portugal… mais uma semente do arquipélago plantada no mundo na saga da diáspora.</p>
<p>Recusei-me a ser português de segunda, pugnando pelos direitos e assumindo-me como cidadão de plenos direitos quando me mandavam “ir para a minha terra”… esquecendo-se de que a nossa existência é demasiado efémera para que possamos reclamar uma terra como nossa. E ignorando que o maior legado herdado dos nossos egrégios avós foi uma diversidade cultural e étnica que se funde numa única língua.</p>
<p>A vida obrigou-me a ultrapassar o ostracismo gerado pela minha tez morena, afirmando-me em virtude das minhas qualidades, tentando não conceder veleidades que permitissem a discriminação em função da minha ascendência.</p>
<p>A vida é uma constante batalha. Por vezes não sabemos para onde ir; urge por isso a necessidade de saber de onde viemos.</p>
<p>Recordo com nostalgia todos aqueles que viviam entre dois mundos como eu… tantos se perderam!</p>
<p>Terá sido uma geração perdida?</p>
<p>Não me refugio na xenofobia para justificar os erros da minha geração. Não acredito que estejamos predeterminados &#8212; ou que a circunstância (adversa) nos empurre inexoravelmente &#8212; para o fracasso.</p>
<p>Subscrevo Ortega y Gasset: “Eu sou eu e a minha circunstância”, mas cada Homem constrói a sua história.</p>
<p>Hoje assumo-me feliz e orgulhosamente como luso-cabo-verdiano &#8212; não navego entre duas realidades antagónicas. Sou um ente único, como todos, mas que tem na sua génese duas culturas que se fundem e se complementam, e tento abarcar o melhor de ambas.</p>
<p>Plagiando Sócrates, afirmo que mais que português ou cabo-verdiano, europeu ou africano… sou um cidadão do mundo.</p>
<p>O cabo-verdiano é  um povo nómada &#8212; “esse destino cigano que Deus dá-me”, como cantava o saudoso Ildo; compete-nos a integração ao país onde estamos e disseminar o nosso espólio cultural, de modo a promover um futuro sólido às gerações vindouras.</p>
<p><em>Nota do autor</em></p>
<p>Este artigo visa desvelar uma realidade que os cabo-verdianos nascidos nas Ilhas não enfrentam. Não pretendo  transmitir uma realidade hostil, generalista ou redutivista da sociedade onde me edifiquei como homem, porque tal não corresponde à verdade.</p>
<p>O racismo existiu, existe e existirá enquanto o homem continuar a abordar o que lhe é desconhecido com receio e desconfiança em vez de o aceitar com curiosidade e de braços abertos.</p>
<p>O racismo não  é uma questão social ou cultural, senão ignorância pessoal.</p>
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