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	<title>Tertúlia Crioula</title>
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	<description>Um espaço de discussão e opinião</description>
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		<title>O Discurso. Baseado na aula inaugural no College de France em 2 de Dezembro de 1970 por Michel Foucault</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 16:56:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julio Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autores convidados]]></category>

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		<description><![CDATA[Caríssimos; estas alíneas de pensamento que hoje partilho convosco veio à tona a propósito do discurso de Obama na sua tomada da posse enquanto presidente dos EUA. Estando eu na estação do metro do Marquês de Pombal, aproveitando aquela “beata” de informação que costumam passar naqueles ecrãs da MOP TV espalhados pelas estações do Metropolitano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Caríssimos</strong>; estas alíneas de pensamento que hoje partilho convosco veio à tona a propósito do discurso de Obama na sua tomada da posse enquanto presidente dos EUA. Estando eu na estação do metro do Marquês de Pombal, aproveitando aquela “beata” de informação que costumam passar naqueles ecrãs da MOP TV espalhados pelas estações do Metropolitano de Lisboa, vi um comentário duma figura pública que diz saber muito da politica, mas que na politica, passou por lá e não deixou saudades e agora anda nas televisões avaliando as actividades dos políticos, a dizer o seguinte: <strong>Obama fez um discurso pouco ambicioso, nostálgico e básico</strong>. Resolvi então logo que chegar a casa abrir a SIC Noticias e não é que apanho o homem a falar da mesma coisa. Nas entranhas do meu ego, <strong>não gostei daquilo</strong> – <strong>e tenho todo o direito de não gostar</strong>. Fui tentar saber mais sobre a ciência do discurso ou de saber discursar, daí que fui indicado por uma colega que Foucault escreve e bem sobre isto e tive acesso a apontamentos de uma aula deste, precisamente sobre <strong>A ordem do Discurso</strong>. A meu ver este senhor estava a espera de um super discurso de um super-homem.</p>
<p style="text-align: justify;">O momento foi um marco e <strong>dos 43 presidentes que o EUA já teve, 44 a contar com este, da galeria dos presidentes americanos, constam dois Franklins, três Georges, quatro Willians, cinco James e dezenas de outros sobrenomes anglo-saxões, pela primeira vez aparece um sujeito exótico americano com nome africano (Barack), um sobrenome árabe (Hussein) e outro bastante popular em uma tribo queniana (Obama); o primeiro negro a ocupar o cargo mais poderoso do mundo.</strong> É sem margem para dúvida o virar de uma página na história, se não vejamos: <strong>há 143 anos, ele seria propriedade de um senhor de escravos; há 54 anos, suas duas filhas menores e negras não poderiam sequer matricular em uma escola frequentada por brancos; há 48 anos quando obama nasceu, negros não podiam votar nem ser votados em nenhum estado.</strong> <strong>A sua eleição ou a sua candidatura ganhou as eleições presidenciais com 53% dos votos populares, contra os 46% do seu adversário Mcain. <span style="text-decoration: underline;">Isto é obra e, é preciso não tirar o mérito às pessoas</span>. Todas as vitórias são para serem reconhecidas o mérito daqueles que as alcançam. </strong>E no <strong>discurso de Chicago que contou com cerca de 250 000 pessoas</strong>, obama pautou por um discurso sereno e de elogios ao adversário, sem grandes promessas – isto fica para outros campos. E reproduzo aqui o essencial que tirei do discurso da posse de obama:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>“ Se existe alguém que ainda duvide que os Estados Unidos sejam o lugar onde todas as coisas são possíveis, que ainda questione a força de nossa democracia a resposta está aqui esta noite”  </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Barack  Obama em 4 de Novembro de 2008</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Portanto, não era o discurso “básico” do Obama que lhe tira o mérito do momento e o mais importante penso que não era bem o discurso mas sim a celebração e a oportunidade de estar ali, aquela hora e naquele momento.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sem perder o fio da mealhada voltemos <strong>ao tema do Discurso segundo Foucault.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nesta obra M. Foucault agradece a Canguilhem por lhe ter transmitido a ideia de que <strong>é possível fazer uma História da Ciência como se esta fosse um conjunto coerente e transformável de modelos teóricos e instrumentos conceptuais.</strong> A Dumézil agradece o incitamento à escrita e a Jean Hyppolite o método para reflectir sobre as questões.<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foucault propõe no seu curso <strong>analisar as formas de exclusão, a limitação ou as formas de apropriação do discurso</strong>. A análise da exclusão e evolução do discurso na Antiguidade Clássica, nos séculos XVI e XVII e as alterações introduzidas com a experimentação na ciência.</p>
<p style="text-align: justify;">Vai procurar também analisar o sistema de linguagem e os seus interditos desde o séc. XVI e XIX acerca da sexualidade. <strong>Como o discurso nomeou, classificou e hierarquizou as práticas sexuais até ao surgimento da temática da sexualidade na medicina e na psiquiatria. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Por último, refere que quer <strong>analisar o discurso médico, sociológico, psiquiátrico, o discurso do sistema penal, procurar compreender o papel desempenhado pelos relatórios psiquiátricos ao nível das sanções, do sistema penal</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O discurso pode representar um perigo</strong>. Assim, <strong>em todas as sociedades a produção do discurso é controlada, e o discurso seleccionado, organizado e redistribuído segundo uma série de procedimentos que pretendem esconjurar os seus poderes e perigos</strong>. O principal objectivo é combater a aleatoriedade do discurso e escapar à sua materialidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nas nossas sociedades não se pode dizer tudo, nem todos os temas e questões podem ser abordados, as zonas mais restritas do discurso são a sexualidade e a política</strong>. Existe ainda uma interdição ao nível de quem pode abordar ou falar sobre estas temáticas, é preciso conhecer para intervir – <strong>quem não conhece apenas questiona ou então cala-se.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A ordem com que o discurso é realizado, é validado pelas instituições políticas académicas etc., como iremos ver. <strong>Durante séculos o discurso do alienado, do louco não era tomado em atenção, ou então era visto como verdadeiro e quase como que prognosticando o futuro. Actualmente mesmo o discurso do louco, alienado é escutado pelas instituições: o médico; o psiquiatra; o psicanalista; o psicólogo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O discurso traduz e trás à luz as lutas e os sistemas de dominação, mas serve também para o indivíduo ou os grupos se apoderarem do poder. É elemento de conquista e dominação</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro sistema de exclusão do discurso é a <strong>distinção entre o Verdadeiro e o Falso. A distinção entre aquilo que é considerado verdadeiro e falso no interior de um dado discurso não é arbitrário, nem modificável, nem institucional, nem violento. No entanto, se a análise tiver em atenção a História, aquilo que é verdadeiro ou falso foi-se alterando ao longo do tempo, por isso é modificável. Determinadas verdades e falsidades foram institucionalizadas muitas vezes de forma violenta.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Para os poetas gregos do séc. VI a. c. o discurso verdadeiro era o discurso proferido por quem o podia proferir e estava de acordo com o ritual exigido para a sua pronunciação. Era um discurso que profetizava o futuro e contribuía para que os acontecimentos ocorressem. Posteriormente, cerca de um século mais tarde, o discurso torna-se verdadeiro pelo que diz. O discurso desloca-se para o enunciado, o sentido, a sua forma e o seu objecto adquirem preponderância. Esta alteração corresponde a um afastamento do discurso em relação ao exercício do poder.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A partir dos séculos XVI e XVIII d. c. a verdade passou a estar alicerçada nos conhecimentos técnicos e era subsidiária das bibliotecas, os depósitos institucionais do conhecimento do Homem</strong>. A <strong>verdade neste período é quase sinónima de racionalidade, resultando esta racionalidade dos contributos dados pelas diferentes ciências. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para Foucault existem três sistemas de exclusão que afectam o discurso: 1) a palavra interdita; 2) a distinção da loucura; 3) a vontade de verdade. As duas primeiras tem sido relegadas para segundo, plano em detrimento da vontade de verdade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A vontade da verdade leva-nos através do controlo e delimitação do discurso a excluir tudo e todos aqueles que em cada momento procuram contornar a verdade e a sua busca na forma em como ela se encontra instituída</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nas nossas sociedades existem discursos que apesar de já terem sido pronunciados permaneceram como que vivos e são constantemente reformulados</strong>. Os textos religiosos, jurídicos e a literatura. <strong>A sua constante reformulação ao nível da interpretação dá origem a novos discursos.</strong> <strong>“O texto sagrado e a literatura são interpretados mas não alterados, não são reescritos, por seu lado, o texto jurídico pode ser reinterpretado, alterado ou desaparecer e dar origem a outro texto/discurso. Por exemplo, as constituições são alteradas, há artigos que saem outros que são introduzidos, ou uma constituição pode ser substituída por outra. Um Decreto-Lei ou Lei podem sofrer alterações, determinados artigos saírem ou ser substituídos por outros, ou a própria lei ser substituída por outra lei.”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O texto cientifico também é reinterpretado, reformulado dando origem a um novo discurso, mas é quase condição “sine qua non” esta realidade do texto cientifico, pois <strong>o discurso cientifico é uma verdade relativa que acaba por se alterar com o tempo</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Como foi referido anteriormente, <strong>para os gregos o discurso verdadeiro é aquele que responde ao desejo ou aquele que exerce o poder. Actualmente também o discurso verdadeiro ambiciona aceder ao desejo e ao poder</strong>. <strong>A par destes discursos no nosso quotidiano circulam uma série de discursos que não tem um sentido ou eficácia dada por um autor e por vezes <span style="text-decoration: underline;">falam, falam, mas não dizem nada</span>, são as conversas quotidianas. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na Idade Média o “discurso científico” era atribuído a um autor, era esta ligação ao autor que validava o discurso como cientifico. A partir do séc. XVII esta ligação foi-se diluindo, o aumento da complexidade da ciência e o contributo de diferentes autores para um ramo do conhecimento científico, ou para uma área específica no interior de uma ciência contribuiu para que a associação referida anteriormente deixasse de ser possível. <strong>O discurso de uma ciência ou de uma área específica dentro de um ramo científico é resultante de uma multiplicidade de discurso.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pelo contrário <strong>o discurso literário que durante século foi anónimo passou a pertencer a um autor. Uma das características actuais da literatura ou da filosofia da ciência é a existência de um autor.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pois é esta pertença que dá ao discurso literário a sua coerência, que permite compreende-lo e integrá-lo no interior da realidade social, de uma classe social, num período histórico, no fundo que lhe dá a unidade e coerência. <strong>O papel de autor é preescrito pela época em que vive, embora ele modifique o seu papel ao longo da construção da sua obra. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Segundo <strong>Foucault <span style="text-decoration: underline;">na ciência não existe comentário, para a ciência/disciplina o importante é a formulação de novas proposições. O comentário só é possível na arte, ou aprecias ou não aprecias, e dizer o porquê claro.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A ciência ou aquilo que Foucault chama as disciplinas sai já fora do campo do autor, pois é constituída por uma série de objectos: um conjunto de métodos – regras, técnicas, e instrumentos – um corpo de proposições – definições – tidas como verdadeiras, o que leva a que um indivíduo ou vários se possam servir delas, o que acaba por se traduzir no anonimato. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, a <strong>ciência/disciplina não é uma soma de tudo o que de verdadeiro pode ser dito sobre ela ou de tudo o que pode ser aceite acerca de um dado, pois um dos princípios fundamentais da ciência/ disciplina é a coerência e a sistematização.</strong>                            </p>
<p style="text-align: justify;">Assim, <strong>há conhecimentos adquiridos ou discursos que vão sendo colocados nas margens do conhecimento científico, das diferentes disciplinas. Em todas as ciências e disciplinas existem proposições verdadeiras e falsas. Proposições científicas que eram verdadeiras num determinado momento deixam de o ser noutro, também proposições que foram consideradas falsas a partir de determinado momento podem passar a ser consideradas verdadeiras</strong> – <strong>o que é verdade hoje amanha pode ser pura mentira.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A Teoria Cientifica, as proposições que constituem uma ciência/ disciplina são subsidiárias de vários discursos que convergem num único sentido e que após expurgados daquilo que não é considerado verdadeiro acabam por integrar um corpus de proposições que constituem o conhecimento científico.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por exemplo Mendel ao estudar a hereditariedade encontrava-se fora do paradigma biológico do seu tempo. Apesar das suas proposições serem verdadeiras não foram aceites, no entanto posteriormente foram reconhecidas como sendo verdadeiras. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Existe um controlo de produção do discurso e uma reactualização das regras segundo as quais esse discurso é construído</strong>. O verdadeiro obedece a um controlo do discurso que tem de estar de acordo com o discurso científico/ da disciplina do nosso tempo. Assim, a ciência/disciplina tem de certa forma uma função restritiva e coerciva do discurso.                     </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O discurso doutrinário (penso que Foucault refere-se ao discurso religioso, cientifico, político), estabelece uma ligação entre o indivíduo e certos enunciados proibindo todos os outros enunciados. Os enunciados utilizados pelo discurso doutrinário procuram estabelecer uma ligação entre determinados indivíduos e simultaneamente diferenciá-los dos restantes. É um discurso de pertença a uma classe social, nacionalidade, ideologia, meio científico etc. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">A necessidade de organizar os discursos na sociedade ocidental tem acima de tudo a ver com o medo que existe dos acontecimentos, ir contra a enorme quantidade de palavras pronunciadas, contra o elevado número de enunciados, pois os enunciados podem ser violentos, desordenados e descontínuos no fundo ir contra a desordem do discurso. Para resolver esta questão Foucault propõe que questionemos a nossa vontade de verdade, dar ao discurso o seu carácter de acontecimento, isto é o reconhecimento da rarefacção do discurso.   </p>
<p style="text-align: justify;">A rarefacção não quer dizer que sob a sua capa existe um discurso contínuo e ilimitado, os discursos devem ser vistos como descontínuos, cruzando-se e justapondo-se ou ignorando-se e excluindo-se, resultando daqui a primazia do significante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Michel Foucault chama ainda a atenção para o princípio da especificidade e para a regra da exterioridade. O princípio da especificidade defende que não se deve considerar que o discurso acerca de uma coisa acaba por voltar para nós mais legível. A exterioridade deve levar em linha de conta as condições externas do discurso, este não deve auto-centrar-se sobre si próprio</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Nem todas as áreas do discurso são abertas a todas as pessoas, um indivíduo para aceder a certas áreas tem que ser reconhecido para tal, estar qualificado.</span></strong> <strong><span style="text-decoration: underline;">Este reconhecimento e qualificação são dados pelos seus pares, pelas instituições etc.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A troca e a comunicação actuam no interior de um sistema complexo de restrições e não podem funcionar sem estas restrições. São elas que validam o discurso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Existe também um ritual que acompanha o discurso e que fornece a sua eficácia. <span style="text-decoration: underline;">Este ritual define os gestos, o lugar e os comportamentos que acompanham o discurso (o ritual do discurso médico, judiciário).</span> O ritual pressupõe a existência de papéis pré-estabelecidos. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Pode-se concluir que o reconhecimento e qualificação de quem pronúncia o discurso, o local onde ocorre a troca e a comunicação com as restrições que lhe impõe e a ritualização que acompanha o discurso é que validam este.        </span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="text-decoration: underline;">O sistema de educação desempenha um papel central na validação do discurso pois é: a) ritualização da palavra; (b) qualificação dos papeis; (c) constituição de um grupo doutrinário; (d) distribuição e apropriação do discurso com os seus poderes e saberes.      </span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">              </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="text-decoration: underline;">* Com isto, a autora quis traduzir a ideia de que discursar é uma arte e que a nível do ensino graduado e pós-graduado devia haver uma disciplina curricular em todas as áreas do saber, com vista a preparar os actores para um discurso inter pares e perante os comuns mortais.</span></strong></p>
<p>                                                   <strong> </strong></p>
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		<title>Ciclo de Conferências Arqueologias de Império / Seminário Interdisciplinar de História Antiga‏</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 12:47:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edmilson Varela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agenda Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Exmos. Senhores
Caros Alunos
O Centro de História da Faculdade de Letras Universidade de Lisboa, através da sua linha de investigação Mundo Antigo &#38; Memória Global, vem por este meio divulgar o Ciclo de Conferências Arqueologias de Império, no âmbito do seu Seminário Interdisciplinar de História Antiga.
O ciclo consta de três conferências, que decorrerão em três sextas-feiras, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Exmos. Senhores<br />
Caros Alunos</p>
<p>O Centro de História da Faculdade de Letras Universidade de Lisboa, através da sua linha de investigação Mundo Antigo &amp; Memória Global, vem por este meio divulgar o Ciclo de Conferências Arqueologias de Império, no âmbito do seu Seminário Interdisciplinar de História Antiga.</p>
<p>O ciclo consta de três conferências, que decorrerão em três sextas-feiras, entre Novembro de 2010 e Maio de 2011, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e versarão sobre as seguintes temáticas:<br />
- Fórmulas Originárias de Império, no dia 26 de Novembro de 2010;<br />
- Impérios da Era Axial, no dia 18 de Março de 2011;<br />
- Impérios da Globalização, no dia 27 de Maio de 2011.</p>
<p>A entrada é livre. Para o efeito, enviamos em anexo cartazes de divulgação.</p>
<p>Cartaz: <a href="http://tertuliacrioula.com/wp-content/uploads/2010/07/Arqueolog...pdf">Arqueolog..</a><br />
Com os melhores cumprimentos<br />
José Varandas<br />
Subdirector<br />
________________________________<br />
Centro de História<br />
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa<br />
Cidade Universitária &#8211; Alameda da Universidade<br />
1600-214 LISBOA / PORTUGAL<br />
Tel.: (+351) 21 792 00 00 (Extensão: 11610) &#8211; Fax: (+351) 21 796 00 63<br />
E-mail: &lt;mailto:centro.historia@fl.ul.pt&gt; centro.historia@fl.ul.pt&lt;mailto:centro.historia@fl.ul.pt&gt;<br />
URL: <a href="http://www.fl.ul.pt/unidades/centros/c_historia/index.html" target="_blank">http://www.fl.ul.pt/unidades/centros/c_historia/index.html</a></p>
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		<title>IV Curso de História Militar‏</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 12:43:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edmilson Varela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agenda Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Exmos. Senhores
Caros Alunos
O Centro de História da Universidade de Lisboa, através das suas linhas de investigação Segurança &#38; Defesa e Mundo Antigo &#38; Memória Global, vem por este meio divulgar o IV Curso de História Militar «Arcos e Flechas no Mundo Antigo», coordenado pelo Professor José Varandas. O Curso consta de cinco sessões, que decorrerão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Exmos. Senhores<br />
Caros Alunos</p>
<p>O Centro de História da Universidade de Lisboa, através das suas linhas de investigação Segurança &amp; Defesa e Mundo Antigo &amp; Memória Global, vem por este meio divulgar o IV Curso de História Militar «Arcos e Flechas no Mundo Antigo», coordenado pelo Professor José Varandas. O Curso consta de cinco sessões, que decorrerão todas as quartas-feiras, de 6 de Abril a 4 de Maio de 2011, entre as 18h00 e as 20h00, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.</p>
<p>A inscrição é de EUR 40 para os alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e de EUR 60 para o público em geral. Os membros das entidades com as quais o Centro de História tem protocolos de colaboração usufruem também do preço para estudantes FLUL. Serão, ainda, contemplados com o «preço de aluno» aqueles que já frequentaram, anteriormente, três Cursos organizados pelo Centro de História e que constam na nossa base de dados.</p>
<p>Para mais informações é favor consultar o cartaz de divulgação que segue em ficheiro pdf anexo, ou contactar o secretariado dos Cursos do Centro de História (Drª. Inês Araújo e Dr.Tiago Pinto) através de e-mail, ou por telefone.</p>
<p>Com os melhores cumprimentos<br />
José Varandas<br />
Subdirector</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://tertuliacrioula.com/wp-content/uploads/2010/07/Arcos-e-Flechas-no-Mundo-Antigo-Cartaz.pdf">Arcos e Flechas no Mundo Antigo (Cartaz)</a></p>
<p style="text-align: justify;">________________________________<br />
Centro de História<br />
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa<br />
Cidade Universitária &#8211; Alameda da Universidade<br />
1600-214 LISBOA / PORTUGAL<br />
Tel.: (+351) 21 792 00 00 (Extensão: 11610) &#8211; Fax: (+351) 21 796 00 63<br />
E-mail: &lt;mailto:centro.historia@fl.ul.pt&gt; centro.historia@fl.ul.pt&lt;mailto:centro.historia@fl.ul.pt&gt;<br />
URL: <a href="http://www.fl.ul.pt/unidades/centros/c_historia/index.html" target="_blank">http://www.fl.ul.pt/unidades/centros/c_historia/index.html</a></p>
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		<title>Conto – Zé Badiu</title>
		<link>http://tertuliacrioula.com/2010/07/conto-%e2%80%93-ze-badiu/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 12:09:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edmilson Varela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Língua Cabo-verdiana]]></category>

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		<description><![CDATA[ A “estória” desenrola-se numa das localidades da Cidade da Praia, Ilha de Santiago, mais concretamente na localidade de Achada de Santo António.
Pegando nas palavras do autor, podemos dizer que “O idioma crioulo tem frases tão suas, tão características, que, vertidas para português, perderiam o melhor da sua graça. Quereria transmitir ao leitor a história do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"> A “estória” desenrola-se numa das localidades da Cidade da Praia, Ilha de Santiago, mais concretamente na localidade de Achada de Santo António.</p>
<p style="text-align: justify;">Pegando nas palavras do autor, podemos dizer que “O idioma crioulo tem frases tão suas, tão características, que, vertidas para português, perderiam o melhor da sua graça. Quereria transmitir ao leitor a história do beijo de <em>José Badiu</em>, em crioulo de S. Tiago, tal como ele m’a contara”<a href="http://tertuliacrioula.com/wp-admin/post-new.php#_ftn1">[1]</a>. Assim, tomamos a liberdade de publica-lo, mas respeitando na íntegra a ideia do autor, não fazendo nenhuma modificação, e, na nossa opinião, deve ser lida e entendida de acordo com a época em questão. </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">“Nhanha:</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Quel bêjo quim pidi nhâ,</p>
<p style="text-align: justify;">Qui nha dam c’o tudo gôsto;</p>
<p style="text-align: justify;">‘Mtâ ser franco na flâ nhâ</p>
<p style="text-align: justify;">Mê causam sério disgôsto</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Parcem ma djente dês terra</p>
<p style="text-align: justify;">Tâ gosta muito di intriga;</p>
<p style="text-align: justify;">Tâ bota djentes na guerra,</p>
<p style="text-align: justify;">Pés trâ, dispôs, na cantiga!</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Um rapazote gorducho</p>
<p style="text-align: justify;">Mandam recado co alguém;</p>
<p style="text-align: justify;">Manda flâm, si mi é galucho,</p>
<p style="text-align: justify;">M’am tem qui sabe êl é quem.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">‘Mmanda flâl ma mi é home,</p>
<p style="text-align: justify;">M’am ‘sta pronto, si ê mêstem;</p>
<p style="text-align: justify;">Si ê câ farta, ê tene fome,</p>
<p style="text-align: justify;">M’am tâ bai, pê bá comem.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Dia marcado, no contra</p>
<p style="text-align: justify;">Na largo di Tra Tchapéu.</p>
<p style="text-align: justify;">É flam pamódi quim fronta,</p>
<p style="text-align: justify;">Quel minina, si crêtcheu?</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">- Pidi bejo, câ neum fronta</p>
<p style="text-align: justify;">Pâ mudjêr qui djá qrê dal.</p>
<p style="text-align: justify;">Si bo ca fica, bo fronta;</p>
<p style="text-align: justify;">Quel quim dado ‘mca ta tral!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">É torna: &#8211; Pamódi bu fronta</p>
<p style="text-align: justify;">Quel piquena qui é di meu?</p>
<p style="text-align: justify;">‘’M flâl: &#8211; Mentira bo conta:</p>
<p style="text-align: justify;">Quem qui flâ mê qrêbo tcheu?</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">E avança, ê pegam na peto,</p>
<p style="text-align: justify;">Diguiguim<a href="http://tertuliacrioula.com/wp-admin/post-new.php#_ftn2">[2]</a>, sima simbron.</p>
<p style="text-align: justify;">‘’M sustê corpo, ‘m fazê djêto</p>
<p style="text-align: justify;">Sósmente pam ca bá tchom.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No s’carmuça, no briga,</p>
<p style="text-align: justify;">Dôs matcho, câ têm igual!</p>
<p style="text-align: justify;">E tram co pé na barriga…</p>
<p style="text-align: justify;"> - «Malandro, djâ bo pom goal!»</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Ê chinta riba di mi …</p>
<p style="text-align: justify;">É tram um «squérda» balente,</p>
<p style="text-align: justify;">Qui’m ôdja diabo co mi,</p>
<p style="text-align: justify;">Porqui’m perde nha dôs dente!</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">M’trâ co mó ‘m trâ co pé,</p>
<p style="text-align: justify;">Djoêdjo certal na mau cabo;</p>
<p style="text-align: justify;">‘’Si bo câ fia, hoje mé</p>
<p style="text-align: justify;">Nha coráge’m tâ mostrábo!</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Felisménte, chiga djente,</p>
<p style="text-align: justify;">Qui partino di quel guerra,</p>
<p style="text-align: justify;">A mim fica sim dôs dente,</p>
<p style="text-align: justify;">Cabelo entchido di terra!</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Cando ês trâl riba di mi …</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Bérbum car</em>, nhor Dês na Céu!</p>
<p style="text-align: justify;">“Mê tâ dâ cabo di mi,</p>
<p style="text-align: justify;">Pamodi ‘m crê si cretceu!”</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">- “Bá timbóra, trapacêro,</p>
<p style="text-align: justify;">Bá dêta na cancaram;</p>
<p style="text-align: justify;">Nim cama, nim trabicêro,</p>
<p style="text-align: justify;">Nim pitada di cancan”.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">“Mim cà conchê bo mudjêr,</p>
<p style="text-align: justify;">Ninguém câ conche bo nóme;</p>
<p style="text-align: justify;">C’um marmita e um codjêr,</p>
<p style="text-align: justify;">Bu bem Praia passa fome”</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Canto ‘m cába flâl si,</p>
<p style="text-align: justify;">Môs panha raiba di lôbo;</p>
<p style="text-align: justify;">E da rincada pâ mi,</p>
<p style="text-align: justify;">No torna pega di nôbo!</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Djentes tádja, ca dixáno</p>
<p style="text-align: justify;">Catrissa na companhero.</p>
<p style="text-align: justify;">Fé na Deus, cu m’m inda és ano</p>
<p style="text-align: justify;">‘’M tâ pôl Beja marmolero.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Pa bia di quel «momento» …</p>
<p style="text-align: justify;">Ó Nhánha, forte castigo!</p>
<p style="text-align: justify;">Dôs dente dja bam na bento,</p>
<p style="text-align: justify;">Nha bida ta corre prigo!</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Fládo mê stába ta flâ</p>
<p style="text-align: justify;">Mê tâ quebram nhêmêdêra<a href="http://tertuliacrioula.com/wp-admin/post-new.php#_ftn3">[3]</a></p>
<p style="text-align: justify;">Sem dôs dente djam sta djâ …</p>
<p style="text-align: justify;">Qui bonito brincadêra!</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Pa bia di quel um bejo …</p>
<p style="text-align: justify;">Sinhór Deus, nho Sant’Amaro!</p>
<p style="text-align: justify;">Câ nhôs dexam tem disejo</p>
<p style="text-align: justify;">Qui ta pagado tão caro!”</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">- CABRAL, Juvenal, “Bêjo Caro”,<em> confessão de Zé Badiu</em>, Praia, 1949.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">
<hr size="1" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://tertuliacrioula.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref1">[1]</a> Juvenal Cabral, <em>Bêjo Caro, confessão de Zé Badiu</em>, Praia, 1949, p.5.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://tertuliacrioula.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref2">[2]</a> Em português – Sacudiu-me.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://tertuliacrioula.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref3">[3]</a> Em português – Boca.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Finka-Pé no Museu Nacional de Etnologia</title>
		<link>http://tertuliacrioula.com/2010/07/finka-pe-no-museu-nacional-de-etnologia/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 11:50:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edmilson Varela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agenda Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[


 



 



 



O grupo de batuque Finka-Pé irá actuar no Museu Nacional de Etnologia no dia 29 de Julho, pelas 21h.O espectáculo que irá decorrer no auditório do Museu, enquadra-se na 3.ª edição da iniciativa 5.ªs à Noite nos Museus promovida pelo Instituto dos Museus e da Conservação e pelo Turismo de Lisboa.
O Museu vai estar aberto até às [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table style="text-align: justify;" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="541">
<tbody>
<tr>
<td width="594" height="20"> </td>
</tr>
<tr>
<td>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td height="10"> </td>
</tr>
<tr>
<td width="580" align="left" valign="top">
<p style="text-align: justify;"><strong>O grupo de batuque Finka-Pé irá actuar no Museu Nacional de Etnologia no dia 29 de Julho, pelas 21h.O espectáculo que irá decorrer no auditório do Museu, enquadra-se na 3.ª edição da iniciativa </strong><em><strong>5.ªs à Noite nos Museus</strong></em><strong> promovida pelo Instituto dos Museus e da Conservação e pelo Turismo de Lisboa.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O Museu vai estar aberto até às 22h, sendo que a partir das 18h o bilhete de ingresso terá um desconto de 50%(a tarifa máxima de ingresso no Museu Nacional de Etnologia é de 3€).</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://www.embcv.pt/images/fotos/image001_1.jpg" alt="Embaixada de Cabo Verde em Lisboa" hspace="8" vspace="4" width="404" height="211" align="left" /></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Queiroz: o regresso do “futebolzinho” português</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2010 10:14:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Serrado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autores convidados]]></category>

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		<description><![CDATA[            Em 2008, em plena fase final do Europeu, era anunciado que Scolari estava de malas aviadas para o futebol inglês. O seleccionador brasileiro estava à frente da equipa das quinas desde 2004, com resultados inegáveis, mas a sua imagem em 2008 estava já gasta, ainda para mais após um difícil apuramento para o europeu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">            Em 2008, em plena fase final do Europeu, era anunciado que Scolari estava de malas aviadas para o futebol inglês. O seleccionador brasileiro estava à frente da equipa das quinas desde 2004, com resultados inegáveis, mas a sua imagem em 2008 estava já gasta, ainda para mais após um difícil apuramento para o europeu da Suíça. Nós que estamos tão habituados a sermos os primeiros, estranhámos a dificuldade que Scolari teve para se qualificar para um Europeu, apuramento que, contudo (ao contrário do apuramento para o Mundial da África do Sul), nunca teve dependente de terceiros.</p>
<p style="text-align: justify;">             Meses depois era anunciado Carlos Queiroz como seleccionador nacional com a (quase) unanimidade da sociedade portuguesa que se queria ver livre do seleccionador brasileiro que tantas dificuldades teve para qualificar Portugal para o Euro e que, ainda por cima, se deixara eliminar nos quartos de final frente à (modesta) Alemanha por 3-2.      Carlos Queiroz era, na altura, o nome consensual e lógico para muitos agentes federativos, para a grande maioria dos jornalistas e comentadores, bem como para a sociedade “futebolística”. Nunca percebi muito bem porquê, à luz da carreira do actual seleccionador. Pensei: “estaremos de volta ao “futebolzinho” que caracterizou o nosso futebol durante décadas?” De partida estava Scolari que, para a maioria, não deixava saudades. O “sargentão” era um homem arrogante, teimoso e politicamente incorrecto. Batia nos adversários, chateava-se nas conferências de imprensa e parecia não ouvir ninguém. Por isso os portugueses não simpatizavam com ele. É um pouco como Mourinho. Se hoje é consensual (também não poderia ser ao contrário, à luz dos resultados) durante muitos anos era mal amado pelo povo luso devido ao seu estilo pouco comum entre portugueses. Todavia, ainda hoje, muitos portugueses não se revêem no estilo de Mourinho, esperando ansiosamente pela sua queda. Queiroz tem uma imagem contrária: é politicamente correcto, parece ter sempre um raciocínio lógico, não é arrogante e tem (aparentemente) um temperamento calmo. É, em suma, muito mais <em>low profil,</em> à imagem dos que os portugueses se identificam. Ao invés, tem um discurso aparentemente erudito, mas sempre evasivo. Isto é, Queiroz fala bem mas diz pouco.</p>
<p style="text-align: justify;">            À margem dos (aparentes) traços de personalidade que podemos delinear aos seleccionadores o que importa é a competência. Tudo o resto não interessa. E convém questionar: à chegada à selecção nacional portuguesa em 2008, o que tinha ganho Carlos Queiroz no futebol de alta competição? Ou pelo menos, o que é que atingiu no futebol de topo (leia-se, futebol de alta competição – não estamos a falar de escalões de formação)? Pouco. Muito pouco e nada de significativo, ao longo de uma vasta mas muito pouco ganhadora carreira. E teve oportunidades que sobra para provar o que valia. À frente do Sporting (de Figo, Balakov, Paulo Sousa, Peixe, etc.), do Real Madrid (de Zidane, Figo, Ronaldo, Raul, etc.) e da selecção nacional entre 1992 e 1994, quando falhou o apuramento para o mundial dos EUA, em 3.º lugar, atrás da Itália e da Suíça (essa super potencia futebolista). Em nenhuma destas frentes triunfou. Aliás, falhou, rotundamente. Mais: Queiroz apenas triunfou, como treinador principal, nas camadas jovens da selecção nacional, já lá vão 20 anos. Depois disso teve uma carreira de alto nível completamente vulgar onde deu mostras suficientes de uma gritante incompetência para treinar equipas de alta competição. Foi assim em todo o lado e em toda a sua carreira. Por onde passou arranjou anti-corpos. No Sporting, entre 1994 e 1995, incompatibilizou-se de imediato com Cadete, Pacheco e Balakov. Hoje são Deco, Nani, Ronaldo, cada um à sua maneira, a mostrar a sua insatisfação para com o treinador. No Real Madrid, com uma equipa que tinha acabado de se sagrar campeã europeia, teve uma carreira desoladora, muito pior do que a do tão criticado Pelegrini, estando desde cedo arredado do título.</p>
<p style="text-align: justify;">            Por isso me perguntei em 2008, quando ainda se falava da sua nomeação para seleccionador, que provas de competência tinha dado Queiroz no futebol de alta competição? Não encontrava resposta. Por isso me preocupei com a sua nomeação. Estávamos à beira de cometer um erro grave e de hipotecar o futuro da nossa selecção. Sim o futuro porque, também aí, não me parece que Queiroz tenha tido o papel que muitos preconizam. Teve um papel fundamental nos escalões de formação e na criação da”geração de ouro”, geração de inegável valor mas que, curiosamente, teve uma importância residual no xadrez internacional do futebol. Li há pouco por um dos editores chefes do <em>Record</em> que “Carlos Queiroz soube semear os frutos para outros colherem mais tarde”. Fiquei estupefacto com tais afirmações. Pergunto: quantos elementos da geração de ouro estiveram no Euro 2004? 3. Quantos eram titulares? 1. Quantos elementos dessa ínclita geração estiveram no mundial de 2006? 1. Figo. E em 2008? Onde, apesar de cairmos nos quartos de final frente à Alemanha, tivemos uma prestação muito mais empolgante (vitórias claras contra a Turquia e República Checa) e dignificante do que a do Mundial de 2010? Nenhum. Com excepção da brilhante campanha no Euro2000, a “geração de ouro” pouco mais fez, apesar de uma boa a prestação no Euro96.</p>
<p style="text-align: justify;">            A geração que mais ganhou no futebol português é uma geração “sem nome” que nada tem a ver com Carlos Queiroz e que foi potenciada por Scolari. Estamos a falar de Ricardo, Miguel, Nuno Gomes, Fernando Meira, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Jorge Andrade, Petit, Costinha, Maniche, Deco, Ronaldo, Pauleta, Simão, entre muitos outros.</p>
<p style="text-align: justify;">O editor chefe do<em> Record</em> diz-nos também que não concorda que Portugal, actualmente, deixou de jogar para ganhar porque “antes da derrota com a Espanha, levava 18 jogos sem perder”. Caro Sr., Desafio-o a contar os empates de Portugal nestes últimos 2 anos, em vez de contar as “não derrotas”. Até porque nunca se afirmou que Portugal jogava para perder. Lógico. Diz-se, isso sim, e isso parece me evidente num estilo preconizado durante décadas pela pequenez da mentalidade portuguesa, que Portugal com Queiroz joga, de facto, para não perder. Basta ver os números. No mundial, em 4 jogos vencemos 1, por sinal frente à selecção mais fraca da competição que tem nas suas fileiras, inclusive, futebolistas não profissionais. A mesma selecção que cometeu o erro ingénuo e amador de inscrever como 3.º guarda-redes um jogador de campo! Perdemos apenas 1 jogo? Certo. Mas empatámos quantos? Tal como o apuramento, as vitórias contam-se facilmente, pois são poucas e pouco expressivas, ao contrário dos empates que parecem demasiados. Mas, mais do que os resultados, importa criticar as exibições que não foram consentâneas com o futebol apresentado nos últimos anos. Portugal não ganhou nem encantou na África do Sul.</p>
<p style="text-align: justify;">A “equipa de todos nós” com Queiroz voltou a jogar, como fez durante décadas, para não perder. Joga no erro do adversário. Em 4 jogos, Queiroz montou 4 estratégias diferentes. Jogou, em alguns deles, com 4 defesas centrais independentemente dos mesmos se posicionarem noutras posições no terreno (Carvalho, Alves, Costa e Pepe). Carlos Queiroz não personalizou uma equipa, não criou um grupo. Não criou, muito menos, uma equipa com mentalidade vencedora como víamos desde, fundamentalmente, 2004. Acabou por destruir a dinâmica ganhadora que se tinha construído nos últimos anos, bem como a relação de proximidade entre a selecção e todos nós (por isso se chama equipa de todos nós, porque o povo se deve rever nela. Será que isso acontece hoje?). Agora monta-se uma estratégia em função das forças e fraquezas da equipa adversária, sem ter em conta a própria personalidade e identidade da equipa portuguesa. Foi assim frente ao Brasil e contra a Espanha. Jogou-se claramente no erro do adversário. Deixámos de olhar os oponentes nos olhos para termos de volta o “futebolzinho” português (que tantas saudades os português parecem ter – do politicamente correcto; do inofensivo; do pouco arrojado…) que se amedronta frente à Espanha, frente ao Brasil e, imagine-se, frente à Costa do Marfim, selecção que, como disse Jorge Jesus, está a décadas da realidade das selecções europeias.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais preocupante que tudo isto, é que voltou a ser deprimente ver a nossa selecção jogar, tal como o era antes de 2000 (com excepção do Euro96). É triste ver o nosso futebol. Portugal cumpriu os mínimos neste mundial mas foi uma selecção que, ao contrário de outros anos, não empolgou. Jogou mal. Foi vulgar e passou completamente despercebida do certame. Para uma selecção que foi com Humberto Coelho e Scolari uma das equipas que melhor futebol praticava dos respectivos torneios, esta selecção de Queiroz, é desoladora. Para uma equipa que era considerada a última selecção romântica da Europa pelo seu futebol perfumado, esta que se apresentou na África do Sul é consternadora. Meteu dó ver Portugal jogar.</p>
<p style="text-align: justify;">Que dirão outros treinadores portugueses, com competência demonstrada em várias frentes e no futebol de alta competição (como Fernando Santos, merecidamente nomeado seleccionador grego) ao serem preteridos no seu país por um treinador que, não obstante ter feito um excelente trabalho nas camadas de formação da selecção, nada provou no futebol de alta competição. Como me disse há pouco tempo alguém que conhece de perto o trabalho de Queiroz e ligado à FMH, “Carlos Queiroz não tem a capacidade de liderança para ser um treinador de alta competição […] Queiroz é o melhor 2.º treinador [adjunto] do mundo.” Palavras sábias de alguém que percebe muito de futebol mas que, por razões óbvias, não vou identificar.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais do que não ganhar, Queiroz desculpabiliza-se, sistematicamente com factores alheios. Mourinho à sua maneira já criticou a forma de actuar do seleccionador português neste capítulo. Queiroz não protege os jogadores (prefere-se proteger a ele), arranja conflitos com eles e, mais inquietante arranja consecutivamente desculpas para as suas falhas e limitações. Ou são os 7 ou 8 penaltis por assinalar na fase de qualificação que, ao serem marcados, nos colocariam no topo da classificação do nosso grupo de apuramento; ou é a vaca que não tem leite (!); ou são os golos que não entram, porque esbarram na trave ou nos postes; ou é o árbitro que valida um golo quando este está, imagine-se, 10 mm fora de jogo. Depois do jogo com a Espanha repetiu isto vezes sem conta. Disse sempre que não se queria desculpabilizar com o árbitro mas que o golo espanhol foi marcado em posição irregular, e se este não fosse validado o resultado poderia ter sido diferente. Villa estava, escandalosamente (!), uns escassos cm fora de jogo. Pois, como se costuma dizer em língua portuguesa corrente: “se a minha avó não morresse ainda hoje era viva.” Realmente, se o Eduardo não tivesse inspirado nesse dia, também o resultado poderia ter sido diferente. Alguém tem que avisar o professor Queiroz que o futebol não é uma ciência exacta.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltaram as desculpas ao futebol da selecção. Voltou o “futebolzinho” português que tanta falta fazia a este povo que não que se compadece com arrogância, com teimosia e aparentemente com bom futebol. Prefere o “futebolzinho”. O politicamente correcto. Ou pelo menos prefere o “futebolzinho” à arrogância. Ao menos com ele sempre tem mais uma coisa para se lamentar. É a nossa sina. O nosso fado que durante alguns anos pareceu estar ausente. O futebol alegre, divertido, emocionante, das bandeiras nas janelas e nos carros; o futebol emocional deu lugar ao futebol-ciênciaexacta do professor; ao futebol racional. O “futebolzão” deu lugar ao “futebolzinho”.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p>Ricardo Serrado (historiador e doutorando em história contemporânea pela GCSH, UNL)</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Cabo Verde – 35 anos depois</title>
		<link>http://tertuliacrioula.com/2010/07/cabo-verde-%e2%80%93-35-anos-depois/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Jul 2010 13:54:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edmilson Varela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
Não podia deixar de assinalar os trinta e cinco anos da independência nacional, comemorado no dia 5 de Julho. Um acontecimento histórico que marca a autonomia política de uma nação e de um território, que até então, a par dos outros países africanos lusófonos, se encontrava sob a tutela colonial portuguesa.
Para obtermos a nossa independência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Não podia deixar de assinalar os trinta e cinco anos da independência nacional, comemorado no dia 5 de Julho. Um acontecimento histórico que marca a autonomia política de uma nação e de um território, que até então, a par dos outros países africanos lusófonos, se encontrava sob a tutela colonial portuguesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Para obtermos a nossa independência não foi preciso uma guerra armada em Cabo Verde, porque condições naturais (geográficas) não o permitiam, mas isso não nos impediu de participarmos, ao lado dos nossos irmãos africanos, nomeadamente os da Guiné-Bissau, na luta a favor do objectivo primordial – a libertação das então colónias –, que foi alcançada com a revolta militar portuguesa, conhecida como Revolução dos Cravos desencadeada pelo Movimento das Forças Armadas no dia 25 de Abril de 1974, pondo fim ao regime autoritário português, à referida guerra, libertando o povo português e garantindo também a independência das então colónias africanas<a href="http://tertuliacrioula.com/wp-admin/post-new.php#_ftn1">[1]</a>. Isso demonstra que estamos perante uma data que é simbólica tanto para os países africanos da língua oficial portuguesa como também para os próprios portugueses.</p>
<p style="text-align: justify;">Perante tal acontecimento e analisando a nossa história – a descoberta, o processo de povoamento, a evolução social do arquipélago… –, é importante esclarecer que a nossa independência deve-se fundamentalmente à formação e emancipação prévia da nação cabo-verdiana, assente num conjunto de características e sentimentos de pertenças antropológicas, culturais (linguísticas) e geográficas próprias que veio, no fundo, legitimar a formação do Estado cabo-verdiano. Sem aqueles factos dificilmente seríamos hoje um Estado, porque era preciso um motivo que justificasse o nosso querer de auto-afirmação, tendo em consideração, como aludi anteriormente, a nossa história.</p>
<p style="text-align: justify;">Somos um jovem país, com um percurso relativamente curto, mas recheado de conquistas em todos os níveis: político, económico, social, etc. Seguindo este itinerário permitam-me destacar aqui a nossa jovem democracia, que embora se encontra numa fase de consolidação, tem se revelado eficaz, e, talvez, seja o principal responsável pela nossa própria afirmação tanto na nossa sub-região (África) como no mundo: uma boa integração nalgumas comunidades como a CPLP; mais recentemente estabelecemos um acordo de parceria especial com a UE e uma transição do conjunto dos países menos avançados para o grupo dos países de desenvolvimento médio, que trarão benefícios mas também desafios acrescidos para o arquipélago num mundo cada vez mais globalizado e interdependente. Estes dados colocam o arquipélago como um exemplo paradigmático no continente africano.</p>
<p style="text-align: justify;">Todavia, para chegarmos a o que somos hoje partimos duma situação deveras preocupante, uma vez que após a independência nacional o país encontrava-se com graves carências a nível interno. Na altura da independência nacional, vários observadores e delegações internacionais, inclusive as agências especializadas das Nações Unidas vaticinavam a inviabilidade do Estado cabo-verdiano. Contudo, hoje somos um exemplo e gozamos de enorme prestígio e confiança a nível internacional. Naturalmente que muitos factores contribuíram para tal facto, mas se analisarmos com acuidade o nosso percurso histórico chegaremos facilmente à conclusão de que o nosso país é uma construção nossa, ou seja, é fruto da nossa luta, persistência e abnegação.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante esses trinta e cinco anos da independência nacional muita coisa se fez e, certamente, ainda falta muito por se fazer. Contudo, destacando apenas o nível político podemos classificar esse passado em duas etapas distintas – a primeira que começou com a independência nacional, em 1975, sob o regime do partido único, e a segunda que começou em 1990/91 com a conquista da democracia. Portanto, passamos de um sistema político assente num único partido para o multipartidarismo, que é, seguramente, uma das nossas maiores conquistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Debruçando sobre o factor económico, sem querendo invadi-lo porque não faz parte da minha área de estudo, merece também uma pequena reflexão, na medida em que apresenta avançados importantes para o bem-estar da sociedade local, e, simultaneamente, apresenta sinais de preocupações. Como sabemos, somos um território sustentado, do ponto de vista económico, essencialmente pelo turismo (que representa aproximadamente 20% de produto interno bruto), pela nossa comunidade de emigrante espalhada pelo mundo &#8211; a tal nação-transnacional -, e pela boa capacidade de gerir e empregar bem as ajudas que nos são concedidas. Isto quer dizer que somos um país extremamente dependente da ajuda externa, já que ainda não fomos capazes de dotar a nossa sociedade de meios que nos possibilita garantir, pelo menos, o nosso próprio auto-sustento. Mas também não podemos esquecer que temos apenas 10% de terra arável e durante o ano temos apenas 4 meses de chuva. Esses problemas são ultrapassáveis mas com bons investimentos, por exemplo, no sector agrícola (captação e conservação de água da chuva, técnicos especializados, desenvolvimento de novas tecnologias ligadas ao sector, etc.,) o que, pelo menos, nos possa garantir o auto-sustento.</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso aproveitarmos todas as potencialidades internas e transformá-las em oportunidades, investir na formação e divulgação da nossa cultura, por exemplo, aproveitar a recente atribuição do título do património mundial a Cidade Velha pela UNESCO, oficializar e internacionalizar a nossa língua materna, investir na formação, no estudo e na divulgação da nossa música, da nossa gastronomia, etc. Enfim, são apenas potencialidades que podem ser aproveitadas e transformadas em oportunidades que, provavelmente, ajudarão a aliviar a nossa dependência e endividamento público, que ronda actualmente os 80 % do PIB, e amanhã? O que acabei de apontar é apenas um caminho, mas há, evidentemente, outros itinerários a seguir.</p>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista social conseguimos importantes investimentos como na área da educação e saúde, o que tem revelado de extrema importância para o progresso do país. Talvez, neste sector, a única lacuna a apontar é a questão da segurança, já que a nível interno, sem querendo dramatizar, analisando os dados dos últimos anos revelam insuficiências graves, principalmente nas grandes cidades, o que contrasta com o desenvolvimento conseguidos, praticamente, em todas as sectores da sociedade cabo-verdiana. Neste sentido, pensamos que é urgente investir na educação, não apenas em certificar às crianças e jovens com diplomas, mas educar a emoção e despertar consciências, já que certificar é o caminho que temos vindo a percorrer não a favor do desenvolvimento da sociedade cabo-verdiana mas sim a favor da estatística, o que na prática significa mais alfabetizados, mais diplomas e, por mais paradoxo que isso pode parecer, menos consciência, resultado mais problemas sociais. Como podemos constatar, durante esses anos da autonomia, somamos muitas vitórias, é certo, entretanto temos ainda um longo caminho a percorrer.</p>
<p style="text-align: justify;">Não foi a minha intenção fazer um apanhado geral da história recente de Cabo Verde, nem perspectivar, de modo algum, todas as possibilidades de construirmos um futuro melhor. Não. O meu objectivo foi recordar a nossa história, o passado recente do nosso país e, por outro lado, saudar de forma especial a todos os cabo-verdianos por esta data especial. Foi ontem a nossa autonomia, &#8220;hoje&#8221; comemorámos esses trinta e cinco anos de liberdade, contudo não podemos esquecer que a liberdade celebra-se todos os dias com actos e gestos que dignificam a nossa pessoa. Portanto, vivam a liberdade, vivam 5 de Julho todos os dias, porque somos nós, fruto do nosso tempo, os verdadeiros artesões dos nossos destinos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<hr style="text-align: justify;" size="1" />
<p style="text-align: justify;"><a href="http://tertuliacrioula.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref1">[1]</a> Primeiro na Guiné-Bissau que foi declarada em 1973 e reconhecida no dia 10 de Setembro de 1974; Moçambique 25 de Junho de 1975; Cabo Verde 5 de Julho 1975; S. Tomé e Príncipe 12 de Julho de 1975 e Angola 11 de Novembro de 1975;</p>
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		<title>Emigrante (Poema)</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Jul 2010 16:02:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edmilson Varela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[ Quando eu puser os pés no vapor que me levará
quando deitar os olhos para trás
em derradeiro gesto de desprendimento,
não chorem por mim
 
Levarei numa pequena mala
entre a minha roupa amarrotada de emigrante
todos os meus poemas
- todos os meus sonhos!
 
  Levarei as minhas lágrimas comigo
mas ninguém as verá
porque as deixarei cair pelo caminho
dentro do mar.
 
 Levarei já nos olhos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Quando eu puser os pés no vapor que me levará</p>
<p style="text-align: left;">quando deitar os olhos para trás</p>
<p style="text-align: left;">em derradeiro gesto de desprendimento,</p>
<p style="text-align: left;">não chorem por mim</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">Levarei numa pequena mala</p>
<p style="text-align: left;">entre a minha roupa amarrotada de emigrante</p>
<p style="text-align: left;">todos os meus poemas</p>
<p style="text-align: left;">- todos os meus sonhos!</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">  Levarei as minhas lágrimas comigo</p>
<p style="text-align: left;">mas ninguém as verá</p>
<p style="text-align: left;">porque as deixarei cair pelo caminho</p>
<p style="text-align: left;">dentro do mar.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;"> Levarei já nos olhos a miragem de outras paisagens</p>
<p style="text-align: left;">que me esperam,</p>
<p style="text-align: left;">já no coração o bater forte</p>
<p style="text-align: left;">de emoções que eu pressinto.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;"> E se eu voltar</p>
<p style="text-align: left;">se voltar para a pobreza da nossa terra,</p>
<p style="text-align: left;">tal como fui,</p>
<p style="text-align: left;">humilde e sem riquezas,</p>
<p style="text-align: left;">também não chorem por mim</p>
<p style="text-align: left;">não tenham pena de mim.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;"> Mas se eu trouxer esse ar de felicidade</p>
<p style="text-align: left;">que fica a arder na chama de charutos caros</p>
<p style="text-align: left;">que cintila em pedrarias de anéis vistosos</p>
<p style="text-align: left;">se anuncia em risadas ruidosas</p>
<p style="text-align: left;">e se garante na abundância das cifras bancárias,</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">                 então chorem por mim</p>
<p style="text-align: left;">                 tenham pena de mim,</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;"> porque a pequena mala do emigrante que fui,</p>
<p style="text-align: left;">com os meus poemas – os meus sonhos! –</p>
<p style="text-align: left;">ficou esquecida como coisa inútil</p>
<p style="text-align: left;">como peso inútil,</p>
<p style="text-align: left;">não sei em que parte do muno!</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;"> Jorge Barbosa, <em>Emigrante</em>, in <em>Claridade, revista de arte e letras</em>, S. Vicente, 1948, n.º6, p. 9-10.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>1º Congressso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Jul 2010 11:31:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edmilson Varela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agenda Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[A realizar de 22 a 24 de Setembro de 2010, em Lisboa, no Centro de Congressos do ISCTE &#8211; IUL, o 1.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono &#8211; CIHEL será antecedido, no mesmo local, de 20 a 22 de Setembro, por um Workshop sobre o tema.
A ideia deste 1.º CIHEL, é discutir, em português, aspectos ligados aos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A realizar de 22 a 24 de Setembro de 2010, em Lisboa, no Centro de Congressos do ISCTE &#8211; IUL, o 1.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono &#8211; CIHEL será antecedido, no mesmo local, de 20 a 22 de Setembro, por um Workshop sobre o tema.</p>
<p style="text-align: justify;">A ideia deste 1.º CIHEL, é discutir, em português, aspectos ligados aos problemas habitacionais, tendo bem presente, por um lado, que as realidades e as problemáticas do espaço lusófono são muito diversificadas, mas que é possível e, julgamos, desejável, começar a falar sistematicamente, aproveitando sermos tantos os que falam em português, sobre os aspectos do nosso habitar que se caracterizem, até, por alguma identidade de ideias e objectivos. Desta forma surgiu a ideia de um CIHEL01, agora centrado na escala do pequeno bairro e da vizinhança e nesta primeira edição numa relação mais aproximada às matérias da arquitectura residencial, embora com uma clara faceta tecnológica o que não implicará que outros CIHEL tenham outros tipos de temáticas e facetas dominantes.</p>
<p>Com o CIHEL01 pretende-se alargar o debate sobre a Habitação, em sentido amplo, a outras realidades sociais fisicamente distantes mas afectivamente próximas, em que se destaca o mundo dos países lusófonos em geral e os de África em particular, incluindo-se uma reflexão sobre soluções muito económicas para situações especiais.</p>
<p>A abordagem através de um evento amplo sobre tais desafios recomenda realismo, humildade e sentido prático, mas também ambição. Estes desafios têm diversas vertentes disciplinares, científicas, sociais, políticas, económicas, mas entre elas avulta a da concretização do habitat, nomeadamente do habitat residencial, a do desenho e realização dos bairros para populações com baixos rendimentos. É sobre este tema central, que é, ou deve ser, concretizado através da arquitectura e do projecto urbano, envolvendo o desenho do espaço público, das habitações e dos equipamentos colectivos de proximidade, que se pretende desenvolver o CIHEL01.</p>
<p>Esta temática geral será, naturalmente, estruturada numa abordagem de quatro temas mais específicos: políticas e programas;  infraestruturas e equipamentos; soluções habitacionais e modos de vida;  materiais e tecnologias. Temas estes explicitados no &#8220;capítulo&#8221; do site do CIHEL01 intitulado: Call for Papers.</p>
<p>O CIHEL01, terá lugar no maior auditório do Centro de Congressos do ISCTE &#8211; IUL, em Lisboa bem perto do Campo Grande, de 22 a 24 de Setembro de 2010, numa acção conjunta do Grupo Habitar &#8211; Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, que tem sede no Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do LNEC e o Departamento de Arquitectura e Urbanismo (DAU) do ISCTE &#8211; IUL.</p>
<p>É também fundamental referir, desde já, os apoios do NAU do Laboratório Nacional de Engenharia Civil e do Centro de Investigação em Arquitectura e Áreas Metropolitanas (CIAAM) do Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE-IUL, entre outras instituições cujos apoios constam do site do CIHEL01, mas, naturalmente, outros apoios irão sendo revelados, ao longo do desenvolvimento da organização.</p>
<p>Queremos também salientar que a Comissão Científica, que está ainda em formação, conta com a coordenação do Professor Arq.º António Reis Cabrita e com a participação fundamental e muito honrosa da Professora Arqª Ana Vaz Milheiro do DAU do ISCTE-IUL e da Professora Titular Arq.ª Sheila Walbe Ornstein, da prestigiada Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP).</p>
<p>A Comissão Organizadora<br />
António Baptista Coelho e Paulo Tormenta Pinto</p>
<p>Coordenador da Comissão Científica<br />
António Reis Cabrita</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Cabo Verde Lda.</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 17:43:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Josiano Nereu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Caros leitores, permitam-me enveredar por um domínio alheio à minha formação académica, mas de forma amadora: o domínio da Economia de Cabo Verde. Permita-me expor um raciocínio que recorrentemente me passa pela mente, mas que nos últimos dias me tem preenchido o pensamento de forma mais pregnante. Passo a explicar. Há poucos dias, ao ver [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Caros leitores, permitam-me enveredar por um domínio alheio à minha formação académica, mas de forma amadora: o domínio da Economia de Cabo Verde. Permita-me expor um raciocínio que recorrentemente me passa pela mente, mas que nos últimos dias me tem preenchido o pensamento de forma mais pregnante. Passo a explicar. Há poucos dias, ao ver um determinado programa (não me lembro ao certo qual era e nem é relevante) no canal televisivo angolano TPA senti uma estranha sensação de regozijo por ver um canal televisivo de um país nosso irmão tão bem ‘arranjado’. Um canal com uma programação bem delineada, com uma imagem com muita qualidade mas principalmente por ser um dos poucos canais (ou o único, não sei) africanos a ter uma transmissão regular em Portugal. Mas o motivo do referido regozijo não foi propriamente o canal televisivo em si mas sim o que ele representa. E para mim o que ele representa é o facto de Angola estar a exportar um produto nacional (entre tantos outros); é o facto de Angola estar a apostar num produto específico e a fazer os possíveis para que esse mesmo produto seja reconhecido como algo típico do povo angolano e que vale a pena partilhá-lo com o mundo.</p>
<p style="text-align: justify">A questão que eu coloco agora para escrutínio nesta revista online é a seguinte: será que Cabo Verde não tem nenhum produto tipicamente cabo-verdiano que mereça ser partilhado com o mundo? Uma resposta rápida vem-nos à mente: o grogue (aguardente típica de Cabo Verde). Sim, o grogue é um desses produtos tipicamente cabo-verdianos que merece ser partilhado com o mundo. Mas além do grogue temos também a nossa culinária vasta, a nossa música, a nossa dança, o turismo, etc. etc. É óbvio que a pergunta feita no início deste parágrafo é uma pergunta retórica. Produtos tipicamente cabo-verdianos que valham a pena partilhar com o mundo há aos pontapés, por assim dizer. É um facto que desde sempre o turismo foi e continuará a ser um produto em que Cabo Verde aposta de forma mais evidente para o crescimento da sua economia. Por motivos óbvios o turismo, ou melhor a <em>morabeza</em> cabo-verdiana, é um produto tipicamente cabo-verdiano no qual vale a pena apostar. Mas será este o único produto cabo-verdiano que é viável explorar? De forma alguma, é o nosso juízo!</p>
<p style="text-align: justify">Para melhor explicitar a questão aqui em debate permitam-me ilustrar com alguns exemplos bem (re)conhecidos. Um primeiro exemplo salta à vista: Cuba. É do conhecimento geral que Cuba vem vivendo há mais de meio século sob um embargo económico imposto pelo seu então maior pólo de exportação, os Estados Unidos da América. No entanto, o referido embargo não obstou que Cuba fosse mundialmente conhecida por produzir o mundialmente reconhecido <em>charuto cubano</em>. Alguns países africanos de língua oficial portuguesa têm produtos típicos de reconhecida qualidade dentro do género. Foi o caso do café e do cacau, produzidos em São Tomé e Príncipe maioritariamente nos séculos XVIII e XIX (época denominada por <em>Ciclo do Cacau</em>). Um outro exemplo, porventura menos expressivo que o de Cuba mas igualmente relevante em comparação com Cabo Verde é o caso de Portugal, onde há uma aposta séria por partes das entidades governamentais em promover internacionalmente produtos típicos como o vinho (o vinho alentejano, o vinho do douro, o licor mais conhecido como vinho do porto), o azeite, o queijo, as castanhas, a cortiça, etc., além da riquíssima culinária portuguesa. O Japão e a China são também exemplos de exportação em massa daquilo que as suas culturas têm de melhor para oferecer ao mundo. Em particular a culinária chinesa e japonesa são já temas universais; os restaurantes chineses e japoneses abundam por todo o mundo. Ainda em termos de culinária, evidencia-se também a culinária tipicamente brasileira: os restaurantes brasileiros também existem um pouco espalhados por todo o mundo. A igualmente famosa <em>caipirinha</em> é uma bebida típica do Brasil que não pode faltar em nenhuma discoteca (e não só), sob pena de o gerente da dita discoteca ter que repensar seriamente se tem competência para desempenhar tal função. Com a <em>vodka</em>, uma bebida destilada típica da Rússia, o cenário é igual. Ainda na Rússia, temos a famosa <em>salada russa</em>, também conhecida por <em>salada de Olivier</em>, um prato tão universal que já é inserida nas gastronomias de muitos países europeus como um prato típico, como é o caso em Espanha onde é conhecida como <em>ensaladilla</em>.</p>
<p style="text-align: justify">Em relação a Cabo Verde a grande questão que eu quero colocar é a seguinte: não existe em Cabo Verde uma miríade de produtos típicos que são passíveis de serem produzidos com vista a uma estratégia de exportação agressiva (sem ser sinónimo de má qualidade)? Melhor, não existe em Cabo Verde uma miríade de produtos típicos que são passíveis de serem aproveitados de forma sustentável, <em>para além do turismo</em>? Será que em Cabo Verde o turismo é a nossa ‘única saída’, por assim dizer? Note-se que todos os países que tomámos como exemplo acima são também destinos turísticos, e certamente têm um número maior de visitantes por ano do que Cabo Verde. Basicamente, a minha questão é: não seria proveitoso se as entidades competentes delineassem uma estratégia económica com o intuito de tornar (os produtos de) Cabo Verde numa ‘marca’ de qualidade no mundo globalizado? Sem dúvida, dizemos nós! No entanto, não se vêm tentativas de fundo levadas a cabo nesse sentido.</p>
<p style="text-align: justify">Mas não nos fiquemos apenas pelos produtos típicos de Cabo Verde. O mesmo acontece quanto ao mercado das novas tecnologias. Em Cabo Verde pouco se faz para atrair investimento em tecnologia de ponta, exceptuando o caso do NOSI (Núcleo Operacional da Sociedade de Informação). O modelo único de Cabo Verde no domínio da governação electrónica está a servir de inspiração para diversos países e organizações mundiais e, a este propósito, o coordenador informático do NOSI, Hélio Varela, informou que os 23 países que participaram na Conferência Regional Caribenha irão a Cabo Verde para copiar (e comprar) o modelo do arquipélago no domínio da gestão financeira (informação retirada da página web www.nosi.cv). Mas o caso do NOSI não deve ser considerado como um caso de sucesso com o qual apenas nos regozijamos. O sucesso do NOSI deve antes funcionar como um exemplo a ser seguido e como um ponto de partida, ao qual muitas outras conquistas se juntarão, e não como ponto de chegada.</p>
<p style="text-align: justify">Vejamos mais uma vez o exemplo de Cuba. Ao nível da saúde, Cuba também é conhecida por ser um país onde as mais avançadas técnicas médicas são testadas, em particular no que se refere à indústria farmacêutica e à biotecnologia. A indústria farmacêutica em cuba trabalha com produtos como vacinas várias, kits de diagnóstico de Dengue e de Estreptococos do Grupo B. A biotecnologia cubana dispõe actualmente de mais de 30 produtos registados e comercializados em mais de 45 países. Mas isso não impede que o país aposte fortemente noutros projectos de vacinas terapêuticas, algumas em fase avançada de testes como as da Hepatite-C e do Cancro da Próstata. A indústria cubana é ainda exportadora de produtos como cimento, fertilizantes, rum, tecidos, tijolos e telhas; produtos que não são considerados como típicos da cultura cubana. Um outro exemplo de aposta em produtos que não são considerados ‘típicos’ é ocaso de Angola. Ultimamente Angola tem vindo a apostar na produção e exportação de cerveja. A marca de cerveja <em>Cuca</em> é um caso de sucesso, fabricada pela Companhia União de Cervejas de Angola , assim como a marca <em>Eka</em>. O já referido canal televisivo TPA (entre outros) é também uma aposta nas tecnologias de informação e entretenimento que Angola tem levado a cabo. No âmbito das novas tecnologias, Portugal tem levado a cabo investimentos consideráveis no campo das energias renováveis (energia eólica e solar) e com base nisso tem recebido elogios rasgados por parte da comunidade internacional, sendo reconhecido como um dos líderes europeus no desenvolvimento desse campo. O Brasil é também mundialmente reconhecido como um dos países onde a indústria cosmética e a medicina estética são áreas muito desenvolvidas (e lucrativas). Muitos outros exemplos nesta matéria que podem servir de inspiração para Cabo Verde poderiam ser apresentados mas fiquemo-nos por estes que já são bastante elucidativos.</p>
<p style="text-align: justify">Apesar do esforço feito por parte das entidades governamentais e particulares para fomentar o crescimento da economia cabo-verdiana, com resultados bastante positivos, ainda há muito a fazer. E talvez parte do que está por fazer nesse sentido passe por adoptar políticas económicas que visem estimular a ‘exportação’ de Cabo Verde para o estrangeiro, sem ser através do turismo apenas. É um facto digno de nota que no estrangeiro produtos cabo-verdianos de elogiada qualidade e com potencial económico real sejam (re)conhecidos apenas no meio das comunidades cabo-verdianas e por estrangeiros que tenham a sorte de terem amigos ou conhecidos dentro dessas mesmas comunidades. Porventura poder-se-á dizer: mas Cabo Verde não tem meios de produção em massa desses mesmos produtos! Sim, existem muitos factores (económicos, geográficos, naturais, etc.) que dificultam essa tarefa. Mas para que essas mesmas condições desfavoráveis sejam ultrapassadas é preciso, antes de tudo, que haja vontade e visão política, é preciso que se adopte um compromisso com Cabo Verde, um compromisso cuja principal finalidade seja a promoção de Cabo Verde como um destino (não apenas turístico mas) onde investir seja sinónimo de alto índice de lucro provável. Cabo Verde tem de ser visto como um país (não apenas de <em>morabeza </em>mas) onde os bons negócios acontecem. E esta nova forma de ver Cabo Verde tem também de ser ‘exportada’, isto é, são os cabo-verdianos que têm de começar a ver Cabo Verde desta forma para essa mesma imagem seja passada para o exterior e possa atraír investidores nas mais diversas áreas de produção económica.</p>
<p style="text-align: right">Josiano Nereu</p>
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